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CHOQUEQUIRAO – A IRMÃ GÊMEA DE MACHU PICCHU

O reconhecimento desta que é considerada a “cidade irmã” de Machu Picchu ocorreu de forma inusitada. O explorador norte americano Hiran Bingham participava do 1º Congresso Científico Pan-Americano em Santiago do Chile, quando foi convencido por um político peruano a fazer escala em seu país e explorar as ruínas de Choquequirao, já conhecida, porém abandonada. Corria o ano de 1909, e a exploração desse local foi relatado por Bingham no artigo “South America; an account of a Journey from Buenos Aires to Lima by way of Potosí, with notes on Brazil, Argentina, Bolivia, Chile and Peru”. Em 1911, Bingham retornou ao Peru com o objetivo de descobrir Vilcabamba, o último refúgio dos Incas. E embora tenha chegado a Vilcabamba (chamada Espirito Pampa), acabou por identificar erroneamente Machu Picchu como a última morada dos Incas.

Mesmo descrita e reconhecida oficialmente, Choquequirao ficou por décadas esquecida, considerada por muitos como uma cidadela de menor importância. Situada a 3.085 metros de altitude, comprovou-se hoje que ela não deve nada a sua irmã Machu Picchu em aspectos arquitetônicos. Ao contrário, muitos que já a visitaram são da opinião que ela supera, em muitos aspectos, a famosa Machu Picchu. 

Em quíchua, Choquequirao significa “berço de ouro”. Muitos acreditam que ela tenha sido o destino das riquezas incas no momento de fuga dos incas quando os espanhóis tomaram Cusco. Sua construção ocorreu durante os séculos XV e XVI, a mando de Pachacutéc e ampliada pelo seu filho Tupac Yupanqui. Embora impressionante, apenas 30% das ruínas foram de fato escavadas e restauradas. Por isso, ainda é muito cedo para determinar sua real função, mas por enquanto, ela parece ter sido utilizada como um refúgio da elite incaica, além de centro cerimonial e administrativo. 

Além da beleza natural onde Choquequirao se encontra – em um terreno alto e privilegiado com vistas espetaculares aos vales vizinhos – ela é provida de dutos de canalização de água, armazéns, duas praças, espaços rituais dedicados a Inti (Sol) e deidades da água e terra; além de plataformas de plantio, dormitórios e aposentos reais. A água que abastecia a cidade vinha por dutos da montanha Salkantay (6.271m), e suas plataformas de plantio apresentam inusitadas figuras de lhamas feitas com pedras brancas.

Recém aberta para visitação, as ruínas exigem um esforço físico gigantesco. Diferente de Machu Picchu, lá não se consegue chegar em trem ou automóvel. A única forma é caminhar por 65 km, ao longo de 5 dias, por trilhas que oscilam entre subidas e descidas íngremes. Isso limita bastante as visitas, o que proporciona aos poucos que lá chegam, a boa sensação de estarem de fato, visitando uma “cidade perdida”.

Dalton Delfini Maziero é historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador dos povos pré-colombianos e história da pirataria marítima. Visite a Página do Escritor (https://clubedeautores.com.br/livros/autores/dalton-delfini-maziero)

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Dalton Delfini Maziero
Dalton Delfini Maziero
Historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador das culturas pré-colombianas e história da pirataria marítima.
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