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Balneário Camboriú
Dalton Delfini Maziero
Dalton Delfini Maziero
Historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador das culturas pré-colombianas e história da pirataria marítima.
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INSCRIÇÕES VIKINGS NOS EUA

A temática da presença Vikings em território americano é permeada por mistérios, incertezas e imaginação. Sobre eles, encontramos abundantes relatos fantasiosos na América do Norte e do Sul, inclusive no Brasil. De fato, toda argumentação em torno do assunto provém do que é a única comprovação irrefutável de sua presença em nosso continente: o povoado de L’Anse aux Meadows, localizado na Terra Nova, Canadá. Ali, por volta de 1021 d.C., houve de fato uma colônia viking estabelecida e que hoje é Patrimônio Mundial da UNESCO. Contudo, a comprovação desta colônia nórdica na América continua não sendo prova que eles tenham migrado para – ou conquistado – terras distantes do litoral, como muitos sugerem.

Atualmente, ganhou destaque na mídia internacional a presença de uma suposta escrita nórdica – chamada runas – no hoje denominado Parque das Pedras Rúnicas de Heavener, em Oklahoma (EUA). O fato em si já é surpreendente, pois sugere que seus autores tenham explorado rios e se aventurado por terras distantes daquela de sua colônia no Canadá.

O relato mais antigo conhecido sobre a pedra de Heavener – uma laje de arenito de 3 x 3,6 metros contendo oito caracteres gravados – data de 1830, quando os antigos moradores de Oklahoma a mencionaram como uma “pedra indígena”. Estudos realizados pelo Instituto Smithsonian em 1923, atestam que os caracteres eram provenientes de um antigo idioma escandinavo, e que poderiam significar “vale monumental” ou “vale do relógio de sol” ou ainda, “vale de Glomo”, referindo-se a um nome próprio.

Nos EUA, a pedra de Heavener não é a única atribuída aos vikings com escrita rúnica. Existem muitas outras, inclusive dentro do Estado de Oklahoma, no Maine e em Minnesota, por exemplo. Contudo, a mera semelhança dos caracteres gravados com a escrita rúnica, não é prova de que eles estiveram de fato no local. Em 2011, o arqueólogo Lyle Lars Tompsem – especialista nos povos vikings – argumentou que a evidência linguística (runas) é ambígua, e que se não houver datação por material confiável devemos levar em conta que a pedra “pode ser uma criação de algum imigrante escandinavo no século XIX”. De fato, muitos suecos estiveram na época trabalhando na ferrovia em Oklahoma.

A opinião de Tompsem é corroborada por outro arqueólogo – Dennis Peterson, Spiro Mounds Archeological Center – que afirma serem as inscrições de Heavener uma fusão do idioma rúnico futhark antigo com sua versão moderna, que ainda era ensinada na Europa do XIX. Ou seja, sem uma datação de material orgânico (datação por carbono), não é possível precisar a época em que as supostas runas foram gravadas na rocha; abrindo margem para a possibilidade de terem sido feitas em épocas posteriores à colonização viking.

Dalton Delfini Maziero é historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador dos povos pré-colombianos e história da pirataria marítima. Visite a Página do Escritor (clique aqui)

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