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19.4 C
Balneário Camboriú
Dalton Delfini Maziero
Dalton Delfini Maziero
Historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador das culturas pré-colombianas e história da pirataria marítima.
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O MUIRAQUITÃ

O mundo pré-colombiano é rico em objetos de poder, seja na Mesoamérica, Caribe ou em território Andino, esses artefatos – alguns raros e pequenos –continuam envoltos em mistério e surpresa. Podemos citar as conchas spondylus como objeto de poder na América do Sul, da mesma forma que o jade na Mesoamérica. No Brasil, em especial no baixo Amazonas, – embora seja encontrado também em outras regiões – o muiraquitã faz a vez de objeto cultuado, de amuleto de proteção, capaz de incutir privilégio ao seu possuidor, que geralmente o levava na forma de pingente.  

O muiraquitã nada mais é do que uma pequena estatueta esculpida em pedra, que geralmente não ultrapassa os 6 cm de comprimento. Costuma representar um sapo ou rã, embora algumas vezes também as serpentes e tartarugas. Seu formato estilizado e linhas esteticamente belas elevam algumas dessas peças à sofisticação artística para nós, povos modernos. O termo muiraquitã causa ainda discussão entre os etimologistas, mas levando-se em conta sua possível origem tupi, pode significar mu’ir (enfeites), aki (usar) e itã (espécie de sapo/rã). O artefato também é conhecido como pedra verde (referência ao jade) ou pedra do amazonas.

As primeiras referências modernas ao muiraquitã surgem com o Frei Gaspar de Carvajal, cronista de Orellana que, em 1540-1542, desceu o rio Amazonas. A crônica de Carvajal descreve as guerreiras amazonas e sua relação com os muiraquitãs. Também chamadas Icamiabas, as amazonas foram – segundo a lenda – mulheres sem maridos, que realizavam uma festa anual em homenagem a Iaci (Lua). Para a festividade convidavam Guacaris (homens de outras tribos), os quais presenteavam com amuletos muiraquitãs modelados em argila verde após deitarem-se com eles. Além de Carvajal, La Condamine mencionou amuletos representando sapos em pedra verde no ano de 1735; da mesma forma que Spix e Martius entre 1817 e 1820.

A origem da pedra jade para sua confecção suscita um mistério. Muitos arqueólogos propõem um modelo de “comércio de luxo” existente no mundo pré-colombiano. Não é improvável que uma rede de contatos existisse entre os povos da floresta com a Mesoamérica e Caribe (centro de produção do jade), assim como comprovadamente existiu uma rede de troca de penas e aves da floresta amazônica com os povos do Atacama, no norte do Chile. Contudo, nem todos os artefatos foram feitos em jade. Alguns tiveram como base a tremolita, um mineral de silicato de cálcio, magnésio e ferro encontrado na região da floresta, sendo que, quanto mais ferro, mais verde era a rocha.

Até o momento, foram identificadas algumas áreas produtoras de muiraquitãs nas Américas. Além do Baixo Amazonas (rios Trombetas, Tapajós e Nhamundá), também o Suriname (tradição kwatta), as Antilhas (tradição saladoide) e em menor escala na Colômbia (Chibchas e Muiscas).Dalton Delfini Maziero é historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador dos povos pré-colombianos e história da pirataria marítima. Visite a Página do Escritor (https://clubedeautores.com.br/livros/autores/dalton-delfini-maziero)

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