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Balneário Camboriú
Dalton Delfini Maziero
Dalton Delfini Maziero
Historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador das culturas pré-colombianas e história da pirataria marítima.
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O SARCÓFAGO DE KARAJÍA

No norte do Peru, encontra-se um dos povos mais enigmáticos das Américas. Conhecidos como Chachapoyas (700-1476 dC), receberam o apelido de “Povo das Nuvens”, devido aos seus sarcófagos, fortalezas e povoados que estão localizados em lugares de difícil acesso. Sua derrocada ocorreu pouco antes da chegada dos espanhóis, frente ao avanço Inca. Por este motivo, os remanescentes Chachapoyas apoiaram a conquista espanhola diante de seus opressores regionais.

Entre as várias e notáveis construções que este povo nos deixou, encontram-se os Sarcófagos de Karajía (também chamado Carajía). Sarcófagos, pois os Chachapoyas desenvolveram padrões funerários que podem ser classificados como mausoléus (tradição pucullo) e sarcófagos (tradição purunmacho), estes últimos caracterizados por estarem localizados em penhascos quase inacessíveis. Neste último caso, a maior parte encontra-se na margem esquerda do rio Utcubamba, nas proximidades da atual cidade de Chachapoyas. Além de Karajía, outros agrupamentos funerários são conhecidos, como os de Chipuric e Tingorbamba.

Os sarcófagos podem ser vistos encravados em fissuras rochosas, não raro cerca de 300 metros acima de um despenhadeiro. Algumas vezes de modo unitário, outras em conjunto, medindo entre 60 cm e 2,50 metros de altura cada um. Geralmente ocupados pelo fardo funerário de um único indivíduo, mumificado em posição fetal e ornado com tecidos e oferendas representativas de sua classe social. Pelo lado externo, os sarcófagos são modelados com argila, gravetos, mato e pequenas pedras no próprio local onde se encontram. O conjunto completo de Karajía possuía oito sarcófagos, sendo que um deles desabou do penhasco devido a um terremoto ocorrido em 1928. A análise do material desse sarcófago tombado trouxe muitas informações de seu conteúdo aos arqueólogos, que desta forma, evitaram profanar os sarcófagos fechados.

Alguns deles – mais elaborados – possuem esculpidas cabeças-máscaras coroando os sarcófagos, que são pintadas em branco, ocre, vermelho e amarelo. De forma geral, as esculturas apresentam apenas um torso com cabeça, sem braços ou pernas. Devido a dificuldade de acesso, muitos deles chegaram ao século XX intocados – mesmo que conhecidos pela população local – como é o caso de Karajía, que desta forma escapou da ação de huaqueros (caçadores de tesouros). Mesmo que conhecidos, os sarcófagos Chachapoyas só foram de fato estudados a partir da década de 1980.

Em 2006, um grupo de peruanos encontrou a 2.700 metros de altura outro conjunto de sarcófagos semelhantes a Karajía. Eles estão a 45 km da cidade de Chachapoyas e possuem 1,50 metros de altura, ostentando pinturas e cabeças estilizadas representativas de seus dignatários. Entre os habitantes locais, essas estátuas são conhecidas como antigos sábios.

Dalton Delfini Maziero é historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador dos povos pré-colombianos e história da pirataria marítima. Visite a Página do Escritor (clique aqui)

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