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Balneário Camboriú
Dalton Delfini Maziero
Dalton Delfini Maziero
Historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador das culturas pré-colombianas e história da pirataria marítima.
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O TEMPLO DE ROSALILA 

Localizado dentro das ruínas de Copán (Honduras), o Templo de Rosalila talvez seja um dos monumentos mais emblemáticos da civilização maia. Isso ocorre porque, pela primeira vez, desenterrou-se uma construção com cerca de 97% de sua estrutura e pintura preservados. E isso não é mero acaso. Rosalila foi descoberto em 1989 pelo arqueólogo Ricardo Agurcia Fasquelle, que de imediato entendeu que ali havia algo incomum: Rosalila estava enterrado dentro de outro templo maior (Templo 16 ou Estrutura 10L-16) de modo proposital, com a intenção de preservá-lo para a eternidade.

A construção foi erguida no século VI d.C., com a intenção de realizar uma homenagem ao fundador e primeiro governante de Copán, um homem chamado K’inich Yax K’uk Mo’. Por este motivo, o esmero com que os arquitetos e artífices maias trabalharam é notável. O edifício foi decorado com estuque moldado e ricamente pintado nas cores vermelho, branco, amarelo e verde. Em seu interior, foram descobertos artefatos usados em cerimônias sagradas, como incensários, conchas, facas em sílex para sacrifícios, espinhas de arraia para prática de sangria, joias em pedra jade, cetros cerimoniais, ossos de tubarão e plantas como restos de pinheiros. 

Embora Rosalila date do século VI d.C., muitos estudiosos sugerem que ele faça parte integrante do Templo 16 de Copán, que teve sua construção principal somente realizada entre os séculos VIII e IX d.C. durante o governo de Yax Pasaj Chan Yopaat (Yax Pac). Desta forma, embora Rosalila destoe arquitetonicamente da pirâmide que a sobrepõe, pode ser entendida como uma das fases desse conjunto de construções. Também devemos levar em conta o local escolhido para sua construção. Copán possui duas áreas principais e sagradas para templos e pirâmides. A primeira delas é chamada Acrópole e a outra Grande Praça. Ambas formam o núcleo de Copán, sendo a primeira delas um morro artificial construído ao longo de 400 anos. Neste local se encontra Rosalila.

O interessante neste caso é que, comumente, os maias “destruíam” um templo ou pirâmide antes de erguer uma nova versão sobre ele. No caso de Rosalila a atitude foi exatamente oposta. Eles envolveram o edifício com lama e pedras de modo a preservar sua pintura, esculturas, nichos e molduras ricamente detalhadas que o tornam tão especial. Após essa primeira cobertura, todo conjunto recebeu uma grossa camada de gesso branco. Ou seja, foi cerimoniosamente enterrado. O templo original possui três andares que, juntos, atingem 13 metros de altura. Sua base mede 18,5 x 12,5 metros. Seu interior é dividido em quatro salas. Como acontece com os demais edifícios da Acrópole, Rosalila também tem sua entrada voltada para o oeste, em associação com o infra mundo maia, terra habitada por entidades míticas. Entre os ornamentos que se destacam, encontra-se um enorme rosto do deus Witz, um ser mítico que habita o alto das montanhas sagradas. Os maias acreditavam que a água era armazenada no topo das montanhas pelos deuses, e por isso as consideravam divinas. Desta forma, alguns arqueólogos acreditam que Rosalila possa representar uma “montanha em miniatura”, em associação com o sagrado. 

Após seu enterramento cerimonial, ao que tudo indica nenhuma outra construção após o século VI d.C. recebeu tantos ornamentos em gesso e estuque. Os maias preferiram o uso de pedras. E isso ocorreu pelo elevado uso de queima de madeira para a produção do gesso a partir do calcário, um forte indício que já estavam preocupados com o desmatamento ao redor de Copán. E de fato, algum tempo depois a cidade entrou em decadência com a diminuição das chuvas e consequentemente da agricultura. 

Rosalila não é apenas mais uma descoberta surpreendente na Mesoamérica. Ela é uma verdadeira cápsula do tempo! Através de seus vestígios bem preservados, os arqueólogos tiveram inúmeras informações sobre os procedimentos cerimoniais dos maias, assim como sobre sua arte, arquitetura e cosmovisão. O templo original permanece oculto abaixo da pirâmide nº 16, mas hoje os visitantes podem ver parte de seus muros através de túneis escavados em sua volta. Além deles, as autoridades montaram uma réplica em tamanho real, com a pintura original e todos os detalhes em estuque, que está localizada no museu local em Copán.

Dalton Delfini Maziero é historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador dos povos pré-colombianos e história da pirataria marítima. Visite a Página do Escritor (https://clubedeautores.com.br/livros/autores/dalton-delfini-maziero)
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