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A EDUCAÇÃO EM FOCO

Professor da UFPI e técnico em educação, incansável estudioso e pensador dos temas educacionais, M. Paulo Nunes reuniu em volume artigos e longa entrevista publicados na imprensa que têm como tema comum a educação brasileira, sua história, seus métodos e consequências na formação da sociedade brasileira. Escritos com a costumeira elegância, os textos revelam o “expert” para quem o complexo tema não continha segredos e o escritor corajoso que costumava afirmar suas convicções com bravura, fundando-se sempre em argumentos sólidos e na sua longa experiência de educador e antigo ocupante de importantes postos na área educacional. “O Fracasso da Educação Brasileira”, publicado pela Livraria e Editora Corisco (Teresina – 2003), inaugurou a Coleção Ensaios Breves, idealizada pelo editor Cineas Santos, “com o objetivo de servir de estímulo e de alento às novas gerações para que reencetem a luta indormida em favor de nossa educação pública e ainda contribuir para a tarefa de reconstrução educacional de nossa pátria” – para repetir as palavras do autor.

O volume se divide em duas partes, a primeira dedicada à educação em especial e a segunda à obra e idéias do educador Anísio Teixeira e assuntos correlatos. Inicia fazendo um mergulho na história educacional brasileira, desde os jesuítas e a educação elitista que “marcaria fortemente nosso processo educacional”, passando pelas experiências do Império, da República Velha, do Estado Novo e todas as posteriores, até os dias de hoje, numa sequência sem rumos e objetivos fixos, ao sabor das circunstâncias, de que resultou aquilo que ele considerou o fracasso de nossa educação, ingressando inclusive no novo milênio sem conseguir sequer a alfabetização universal e a educação para todos. “Não existiu de fato – afirmou ele – nenhuma iniciativa que visasse a encarar a educação como um propósito nacional do povo brasileiro.”

Diante dessa atitude, o resultado só poderia ser aquele que hoje contemplamos consternados, com o ensino público falido, a universidade pública decadente e sob ameaça, a mercantilização do ensino particular e a proliferação absurda de cursos superiores que nada ensinam, aviltando os profissionais da área e abarrotando os mercados. É claro que existem exceções, mas a regra geral é essa. Mostrou o autor os males da dicotomia entre a “educação geral” e a “educação profissionalizante”, a primeira destinada aos nossos filhos e a segunda uma espécie de segunda classe para os filhos dos outros. Lembrou ainda a alienação de nossos meios culturais, refletindo-se na educação, empenhada em ensinar inutilidades desligadas da realidade nacional, fato que, – acrescento eu, – Gilberto Amado desenhou com riqueza de detalhes em célebre ensaio e Monteiro Lobato tanto apontou na época em que pretendíamos ser uma França tropical, imitando-a em tudo, inclusive com o risco de desfigurar de forma irremediável a nossa língua e perder até a identidade nacional.

E assim, passo a passo, foi o ensaísta analisando as sucessivas tentativas de reformas educacionais, para concluir mostrando que nosso ensino precisa ser revisto e repensado, tendo como pontos de apoio os seguintes princípios: – organização e gestão; – clima; – educação, ensino e aprendizagem; – enquadramento sócio-familiar, e – nível de desempenho dos alunos. Só assim, afirmou, teremos “um tipo de educação que seja modificadora do homem brasileiro, levando-o ao exercício da cidadania, com base na realidade social do país.” Arrematou o pequeno, denso e corajoso volume exaltando a figura de Anísio Teixeira, seu pensamento, sua contribuição e a divulgação de John Dewey entre nós, discorreu a respeito do discutido “provão” e abordou inúmeros outros aspectos de um tema tão importante e  que fascina a todos que amam esta pátria – a educação. Vale a pena ler e pensar sobre o que escreveu M. Paulo Nunes em mais uma de suas obras de pensador preocupado com seu país.

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Enéas Athanázio
Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 60 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.
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