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Balneário Camboriú
Enéas Athanázio
Enéas Athanázio
Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 60 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.
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BC GANHA SEU CRONISTA

Existem pessoas que escrevem em Balneário Camboriú. Nenhuma, porém, ao que eu saiba dedicou todo um volume de crônicas retratando o cotidiano da cidade como João José Leal em suas “Conversas Praianas” (Editora Secco – Florianópolis – 2022). São peças que se enquadram com perfeição no gênero a que denominamos crônicas: leves, coloquiais, destinadas em primeira mão às páginas dos jornais para mais tarde ganharem espaço em livros ou outras publicações. O autor revela estar sempre antenado no que ocorre na vida da cidade em sua movimentação e pronto a captar tudo aquilo que lhe pareça “cronicável.” O conjunto é saboroso e prende o leitor, mesmo quando aborda temas simples do dia-a-dia. Nota-se ainda que é dotado de excelente memória e arguto senso de observação.

Ele produz um painel completo da cidade, começando pelo milagre de sua transformação em pouco mais de meio século de simples arraial praiano numa cidade pujante onde os espigões não cessam de nascer e milhões de janelas envidraçadas coruscam ao sol e as luzes feéricas iluminam noites escuras. Registra a multidão de veranistas que para cá se dirigem nas temporadas e seu incansável vai-e-vem pelo Calçadão, pelas ruas e avenidas ou na orla da praia protegidos pelo colorido dos guarda-sóis. Não esquece das figuras notórias que atraem turistas e moradores como a cantora Eulina, a mulher-estátua, o sanfoneiro Zé Gaiteiro, a bailarina Nina Buah (há pouco falecida), o escultor da areia, o vendedor de picolés e tantas outras. Nem poderia faltar a Confraria do Café, onde se juntam pessoas de origens e ocupações variadas, muitas em idades avançadas, irmanadas em torno de um café expresso, que parecem retornar aos vinte anos como se uma nova vida estivesse começando.

A vida nos condomínios é sempre lembrada. As conversas das mulheres sobre seus assuntos prediletos, os maridos, os tempos passados, as viagens, a carestia, as compras, a política e as preocupações das moradoras com a presença do Covid-19 no prédio e, é claro, as fofocas mais excitantes. 

O cronista não deixa escapar aspectos do urbanismo. Recorda do Marambaia na época em que foi rio e da lagoa que existiu outrora nos fundos do Shopping Atlântico hoje transformada em um largo cimentado Preocupa-se com o petit pavê das calçadas da Avenida Atlântica numa crônica que é um alerta e um pedido pela sua preservação.  BCamboriú, como ele escreve, está inteira neste livro que testemunha seu amor pela cidade, recordando até mesmo aspectos nem sempre notados por nós, os moradores.

Por falar nisso, que somos nós?

Balneariocamboriuenses? Muito complicado.

Camboriuenses? Confunde com os residentes na cidade-mãe.

Cidadão-balnear? Não serve. Todo morador de praia é cidadão-balnear.

Praiano? Idem, idem. 

Confesso que não sei mas, como quer que sejamos tratados, torcemos pela nossa Dubai Brasileira e pelo lançamento de um livro que a descreve para todos.

Enfim, como diria Câmara Cascudo, bata BCamboriú com a mão na tábua do peito: ganhou seu grande cronista!

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O escritor mineiro Welis Couto está publicando o livro “Corpo” pela Editorial Firele – MS). Trata-se de um romance em que o autor revela fôlego e paciência para os longos textos. É dono de intensa criatividade e imaginação, mesclando fantasias e nuances surreais à vida real e daí retirando os melhores efeitos. Personagens fortes e numerosos vivem cenas intrigantes, chocantes e que fazem pensar. Meus cumprimentos ao amigo mineiro e meus votos de muito sucesso.

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Cláudia Brino e Vieira Vivo, poetas paulistas, estão publicando o número 57 da revista “Cabeça Ativa”, considerada pela IWA-USA a melhor revista de poesia temática do Brasil. Este número é dedicado aos doces e conta com a colaboração de poetas de todo o país. Bem ilustrada e editada com cuidado, a revista é um irresistível chamamento à leitura.

Vieira Vivo publica o opúsculo “O travesseiro mais precioso da marquise” e Cláudia Brino “Amor Mofado”, reunindo contos e crônicas. É um casal que só merece aplausos pela dedicação e empenho na divulgação da obra literária. Parabéns!

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