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CAMINHO DOS VENTOS

Terminei de ler “Caminho dos Ventos”, romance de autoria de José Ribamar Garcia e publicado por Litteris Editora (Rio de Janeiro – 2022). Tive alguma surpresa porque sendo o autor piauiense, embora radicado no Rio de Janeiro, produziu um romance ambientado na Amazônia, no que foi muito feliz e se saiu bem. Revelou intenso conhecimento sobre aquela região e fôlego para os textos longos (230 páginas).

O romance registra a luta dos desbravadores pela afirmação na floresta virgem e as dificuldades encontradas, vencedores em umas, derrotados em outras. Relembra a campanha para enviar à região os sertanejos nordestinos para trabalharem e se transformarem em vítimas de uma exploração desumana e cruel. Os chamados “soldados da borracha”, na maioria cearenses, foram as maiores vítimas. Com a queda da exportação da borracha ficaram abandonados em terra estranha. Isso tudo se repetiu no período da cera de carnaúba, substituída pelo plástico, e jogando no desemprego aqueles que faziam da extração seu meio de vida. O autor revela dominar o assunto e em páginas memoráveis dá lições sobre ele, a história da região e o trabalho duro e incansável dos que lá se fixaram. Não falta sequer a história das empresas aéreas que tanto contribuíram para desbravar a Amazônia.

O autor focaliza a luta árdua no meio inóspito. As longas e perigosas viagens por tortuosas estradas de chão ou nos vagarosos barcos que navegam nos rios da região. A difícil empreitada que foi estudar para conquistar uma profissão e a ausência de maiores recursos em casos de graves necessidades, tudo enfrentado com paciência e dedicação com os olhos postos num futuro melhor. Nesses momentos críticos entra em cena a solidariedade de pessoas generosas e prontas a amparar o próximo, dentre as quais avulta Alberto Nasser. Também o amor nasce espontâneo e forte unindo os casais que irão povoar as cidades nascentes que aos poucos vão se edificando graças ao esforço comum. Para surpresa de muitos, ali desponta um estudioso com vocação de cientista na área da Farmácia e Bioquímica que consegue uma bolsa na Alemanha para a alegria dos familiares e amigos. Seriam dois anos de ausência mas, como acentuou o autor, “e o que são dois anos senão um pequeno hiato para quem está no limite do caminho, que não é o caminho dos ventos?”

“Caminho dos Ventos”, como diz a editora, é uma  história incrível, pontuada pela realidade cruel do dia a dia. Transitando entre a solidariedade, a fraternidade e o amor, esta obra passeia por um momento singular…” Momento que o autor capta com perfeição no que teve de grande e de mesquinho. É uma leitura que vale a pena, inclusive porque mostra muitos aspectos da imensa região amazônica tantas vezes esquecida pelos brasileiros. José Ribamar Garcia é romancista, contista, cronista e memorialista. É membro da Academia Piauiense de Letras e jurista de renome.

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Enéas Athanázio
Enéas Athanázio
Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 60 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.
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