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Enéas Athanázio
Enéas Athanázio
Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 60 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.
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EZRA POUND

Nascido em Idaho, nos Estados Unidos, Ezra Pound (1885/1972) foi um dos mais polêmicos e controversos escritores do século passado. Desde cedo se rebelou contra o que considerava reacionário na sociedade de seu país natal e, como tantos outros escritores de sua época, transferiu-se para a Europa. A publicação de “A Lume Spento” já lhe conferira a fama de “poeta maldito” quando se fixou em Londres, onde se juntou a um grupo de que faziam parte, entre outros, W. B. Yeats, Ford Madox Ford, Wyndham Lewis e James Joyce, e conheceu o escultor Henri Gaudier-Brzeska, de quem se torna grande amigo e que seria o autor de seu célebre busto. Transforma-se logo em ativo divulgador cultural e faz intensa propaganda de outros autores e artistas, inclusive de Joyce, travando conhecimento com certo major C. H. Douglas, cuja doutrina do Crédito Social o fascina e a ela se converte pelo resto da existência. Novos livros de sua autoria são publicados, embora com pouca aceitação do público e da crítica, fato que muito o perturba. A sociedade londrina não o aceita bem e não o vê com bons olhos. Em 1914 casa-se com Dorothy Shakespear, com quem conviverá até quase o fim da vida e que foi uma companheira submissa e dedicada.

Incompatibilizado com o meio londrino. Pound se transfere para Paris. Chega lá no período em que muitos americanos, exilados voluntários, provocavam intensa agitação cultural e literária. Era o auge da “geração perdida”, em que pontificavam, entre outros, Gertrude Stein, T. S. Eliot, Ford Madox Ford e Ernest Hemingway, este último seu bom amigo. Pound, no entanto, mantém certa distância do grupo e estende seu relacionamento com gente de outras origens, como Tristam Tzara, Jean Cocteau, Francis Picabia, Louis Aragon, músicos e artistas plásticos. Trabalha na sua ópera “Le Testament” e nos “Cantos”, iniciados há muitos anos e que seriam sua obra mais importante. Nesse período conhece Olga Rudge, que se torna sua amante até o fim da vida e com quem teve uma filha, Maria. Também teve um filho com a esposa Dorothy, de nome Omar.

 Além de escrever poesia e ensaios sobre economia, Pound se entregou a mil experiências. Fundou o imagismo, filiou-se ao modernismo e se envolveu com o dadaísmo, realizou traduções e assumiu de público a ideologia fascista, sendo inclusive apresentado a Mussolini, e foi tomado por violento antissemitismo. Visitou os Estados Unidos na vã tentativa de demover seu país natal de entrar na II Guerra Mundial. Mas as coisas em Paris não vão bem e os Pound, cansados, resolvem se mudar para Rapallo, na Itália. Olga Rudge vai junto, o que implica dizer que o poeta levou suas duas mulheres. E então teve início o seu calvário. Em artigos de jornal, conferências e programas radiofônicos, defende Mussolini e prega a doutrina do fascio, mesmo estando os Estados Unidos em guerra contra a Itália. Em 1943 é denunciado por traição pelo Procurador-Geral da República dos EUA e, com a vitória dos aliados, foi preso e internado no campo de detenção de Pisa, colocado numa cela que mais parecia uma jaula, sob severa vigilância. Levado para os Estados Unidos, escapou por muito pouco da pena de morte ao ser considerado insano, e foi enviado para o Hospício de St. Elizabeth, onde permanece trancafiado por doze anos! Alquebrado e doente, obtém algumas regalias que lhe permitem escrever e receber visitas. Seus “Pisan Cantos”, inspirados na dolorosa experiência de Pisa, recebem o Prêmio Bollingen, o que, segundo os biógrafos, “provoca verdadeira tempestade política.”  Tem início um movimento pela sua libertação e renasce o interesse pela sua obra. Em 1958 é retirada a acusação de traição e ele é libertado, retornando à Itália, onde vai viver com a filha, no castelo de Brunnemburg. Mas não encontra a paz. “Ranzinza e adoentado, – diz um biógrafo – não consegue fixar-se em sua nova vida.” Viaja sem cessar, sendo recebido como herói, e visita Hailey, a cidadezinha natal, em cujas ruas caminha numa solitária busca do tempo perdido. Em visão retrospectiva rigorosa, avalia sua própria obra e se desilude dela, como também de sua longa e trabalhosa carreira literária. Adota o silêncio e permanece num mutismo impressionante que choca parentes e conhecidos. Em 1º. de novembro de 1972 morre em Veneza.

Segundo um crítico inglês, “o que permanece da obra de Ezra Pound tem a grandeza de um palácio arruinado com detalhes luminosos sob as trevas.” 

Entre seus diversos biógrafos merece referência Peter Ackroyd, que teve seu livro publicado no Brasil por Jorge Zahar Editor (Rio de Janeiro – 1991).

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