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NIEMEYER

O jornal “Folha de S. Paulo” vem publicando em sua conhecida coleção uma série de pequenas biografias de grandes figuras destinadas ao público infanto-juvenil. São uma espécie de livros-álbuns, em tamanhos médios, com cerca de 40 páginas e capa dura, fartamente ilustrados. Têm tudo para despertar o interesse de novos leitores.

Entre os lançamentos mais recentes está “Oscar Niemeyer – O genial arquiteto das curvas”, fornecendo uma breve visão da vida e da obra de um dos brasileiros de maior destaque em todo o mundo O relato é feito em primeira pessoa, como se o artista estivesse conversando com seu leitor. E ele inicia confessando que desde garoto sua grande paixão era o desenho.

Em seguida ele recorda os tempos da Faculdade de Arquitetura, onde fez um curso brilhante, e o primeiro emprego como estagiário do escritório do célebre arquiteto Lúcio Costa. Não tardou para que seu nome se projetasse pelo arrojo e a modernidade das obras. “Nos meus projetos busquei formas diferentes, – escreveu ele –naturais como o desenho dos rios, ondas, montanhas. Fiz palácio com colunas que parecem redes na varanda, prédios ondulados, museu que lembra um imenso disco voador, outro que parece um olho…”   

Seu nome logo se projetou. Trabalhou com o célebre mestre Le Corbusier, o mais célebre arquiteto do mundo no projeto do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro, hoje Edifício Gustavo Capanema. Mais uma vez esteve com Le Corbusier quando projetou o edifício-sede da ONU, em Nova York. Suas obras foram nascendo em vários países e no Brasil estão em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Niterói, em Curitiba, em Ouro Preto, em Palmas, Belo Horizonte e, acima de tudo, Brasília, projetada por Lúcio Costa e por ele construída. O Conjunto da Pampulha, maravilhoso parque na capital mineira, provocou muita polêmica. Decorado com pinturas de Cândido Portinari, ateu confesso, a Igreja Católica se recusou por longos anos a benzer a bela igrejinha que tem a torre invertida, ou seja, de pés para cima

Outra obra de Niemeyer merecedora de atenção e visita é o Memorial da América Latina, no bairro da Barra Funda, em São Paulo. É um imenso parque contendo grande teatro, museu cultural latino-americano, arquivo histórico e cultural, a biblioteca latino-americana que publica a excelente revista “Nuestra America”, e a sede do Parlatino, um parlamento onde se reúnem representantes dos países latinos. No centro do parque ergue-se a célebre mão espalmada tendo ao centro o mapa latino-americano do qual escorre o sangue de uma região espoliada pelas potências colonizadoras. A mão tem o significado de basta! Chega! Nunca mais! O significado e a importância do Memorial da América Latina foram idealizados por Darcy Ribeiro, outro gênio da nacionalidade. E o Prof. Franco Montoro escreveu um volumoso ensaio a respeito. (Também escrevi um opúsculo sobre o assunto). O Memorial merece uma visita de todo brasileiro.

A obra de Niemeyer se destaca pelas curvas e pela leveza dos traços, dando a impressão de estar flutuando apesar do avantajado tamanho e do peso. Mas, para ele, o mais importante de tudo são a vida, a família, os amigos e uma sociedade sem miseráveis. Além de arquiteto, ele também foi escritor e publicou vários livros.

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Enéas Athanázio
Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 59 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.
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