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OS CONSPIRADORES

A Professora Zenilda Nunes Lins, também escritora, é guardiã e divulgadora incansável da obra de seu falecido esposo, o escritor Hoyêdo de Gouvêa Lins (1929/2010). Promoveu a publicação do livro “Ilha do Meu Sentimento”, que tive ocasião de comentar, e agora dá a lume o romance “Os Conspiradores.” Segundo ela, no acervo do marido estava “uma pasta (que) permanecia acomodada e não aberta na caixa onde havia sido colocada. A reclusão imposta pela pandemia do Covid-19 levou-me a verificar o conteúdo e lá encontrei o texto do romance “Os Conspiradores”, todo ambientado nos meandros políticos da Roma antiga, durante a dinastia de Tito Flávio Sabino Vespasiano (de 9 a 79 a. D.)”  O romance estava quase pronto para publicação e ela tratou de trazê-lo a público através da Editora Construtores de Memórias (Florianópolis – 2022). Muito oportuna a edição porque revela mais uma faceta do escritor e contribui para reforçar a estante catarinense do romance, um dos gêneros menos versados entre nós.

O romance é muito bem escrito, em linguagem sóbria e elegante. O autor revelou amplo conhecimento da vida romana naqueles dias, como se verifica dos diálogos, dos nomes dos personagens, dos locais e dos fatos da vida cotidiana. Trata-se de uma trama palaciana em busca do poder e os conspiradores discutem os planos para sua realização. A morte do imperador Vespasiano promete facilitar a usurpação do poder. Tudo indicava o sucesso do plano, mas o destino tramava contra ele e a repentina erupção do Vesúvio, soterrando Herculano e Pompeia, abortou o golpe. “Uma violenta e abrasadora ventania – escreveu o autor – avançou sobre os circunstantes que ocupavam o anfiteatro, prenúncio da cena de terror que se ergueu à vista de todos: uma gigantesca cortina de cinzas salpicada de brasas ardentes subiu ao céu de Herculano e logo se abateu sobre a cidade. O ronco das explosões abafou os gritos de medo e de desespero das pessoas, aterrorizadas, transidas de pavor.” O sepultamento de Herculano e Pompeia coincidiu com o da armação golpista. Com inteligência e imaginação, o romancista fixou o desenlace em 79 a. D., ano da erupção do Vesúvio.  

Não existem registros dos fatos narrados no romance. Entre eles se infiltrou o trabalho da imaginação do autor. Deve ser por isso, ressaltou ele, que Edward Gibbons não os abordou em sua obra. É provável que um obscuro e letrado liberto tenha conservado um misterioso calendário, confeccionado em papiro, contendo uma espécie de diário relatando os acontecimentos.

Hoyêdo de Gouvêa Lins foi advogado e exerceu diversos cargos da administração pública do Estado. Membro da Academia Catarinense de Letras, pertenceu a muitas outras instituições culturais. Publicou em vida 18 livros, em sua maioria coletâneas de contos. Também foi poeta e ensaísta. No dia 7 de outubro de 2022, se vivo, estaria completando 93 anos. Com a publicação, a esposa o homenageou.

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