Arte conceitual

Vera Bedin
Colunista, artista visual, juíza de direito aposentada,TJSC.
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Arte conceitual é uma vertente de criação contemporânea, surgida nos anos 60/70 nos EUA e Europa, e, é até hoje, muito intrigante. Tem por fim, não o objeto, a estética, mas a linguagem, a mensagem que deseja transmitir; privilegia a ideia e não a forma.

O termo “arte conceitual”, surgiu das práticas de um grupo de artistas, Grupo Fluxus, 1961, criado pelo artista e filósofo Henry Flint, do qual faziam parte, entre outros, Yoko Ono e o compositor John Cage. Abordavam a música, artes plásticas e performances. Yoko questionava o conceito de arte e o seu objeto, incluindo o expectador como parte fundamental de sua obra. Quem da geração 60 não recorda a performance dela com John Lennon, deitados na cama de um quarto de hotel, no lendário protesto pela paz no Vietnam, “Na cama pela Paz”? Arte conceitual. Faça amor não faça guerra, frase de ordem da juventude hippie.

Entrementes, foi Marcel Duchamps, (1887-1968) o pai desta concepção de arte, com sua famosa “Fonte”, 1917, que não passava de um mictório usado de forma invertida, sob alegação de que artistas não poderiam sofrer limitações no âmbito da forma de expressar suas ideias e emoções. Duchamps também foi um dos precursores do dadaísmo e criador dos readymades. A escultura tem mais de 100 anos e é considerada a obra queprovocou ruptura na tradição das artes. Pode-se visitar a Fonte, em uma das réplicas autorizadas, na Galeria Nacional de Arte Moderna e Contemporânea de Roma, outras no Museu de Arte Moderna de Estocolmo e em Nova York, no MOMA.

“Fonte” de Marcel Duchamps. (Reprodução)

A arte conceitual continua atual nas suas várias faces, não só na pintura e na escultura, como nas artes performáticas, nas instalações, na música, na comédia, no cinema. Aqui não se trata de estética, mas de ideias. Há necessidade de conceitos para explicar a obra. O conceito é subjacente e anterior à obra. A obra vem para melhor expressar o conceito e suas sutilezas, e deve antes de tudo causar reflexões, provocações e questionamentos, e não raro, aversões.

As origens estão no surrealismo, no movimento dadaísta e certa conexão com o minimalismo, eis que, um mínimo de materiais e de formas são as características comuns.

A filosofia da linguagem de Wittgenstein e as lições dos modernos filósofos como Michel Foucault, Jacques Derrida e Giles Deleuze, forneceram substrato às ideias dos artistas conceitualistas, a fim de transmitirem poderosas mensagens sociopolíticas, como questões de gênero, preconceitos de raça, credo, meio ambiente e outras.

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