Camille Claudel e Auguste Rodin

Vera Bedin
Colunista, artista visual, juíza de direito aposentada,TJSC.
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Camille Claudel, (1864-1943) vivia no sul da França, filha de uma família burguesa, desde cedo apresentava fascínio pela escultura. Com o apoio do pai, aos 19 anos, conseguiu frequentar a Académie Colarossi de arte em Paris, e com outras pioneiras, alugou um ateliê para estudarem com Alfred Boucher.

Boucher muda para Florença contata Rodin para que esse assuma suas alunas. Rodin concorda após ver o trabalho de Camille. Esse encontro foi a ruína de Camille, que se envolve numa tumultuada paixão pelo escultor, casado, bem mais velho. Entrega-se de corpo e alma para esse amor tormentoso pelo qual viria a pagar um alto preço.

Rodin logo percebe o talento invulgar de Camille, mas a coloca sempre como assistente, não dando espaço para seu crescimento. Mesmo trabalhando muito para Rodin, sendo até explorada, fez muitas obras maravilhosas, como A Valsa, obra prima de sensibilidade e técnica.

Segundo os críticos, seu trabalho era mais poderoso e viril do que as delicadas cinzeladas de Rodin. Na verdade, o que os levou à separação teve muito com a genialidade de Camille, e o fato de que ela buscava sua identidade artística e não se submetia aos mandos de Rodin.  

Para conseguir financiamento para seus projetos, que nunca eram aceitos, recorria a Rodin, que os apresentava como sendo seus e muitas vezes ficava com o crédito das obras. Camille percebe, após um tempo, que Rodin a explorava, usando inclusive da paixão que tinha por ele. Compreendeu, então, como as mulheres eram exploradas pelos homens e pela sociedade, consciência que resultou na obra Shakuntala.

Quando Camille apresentou, Idade Madura, obra mostrando o triangulo amoroso deles, com a mulher velha de Rodin, o escultor e ela de joelhos, a Implorante, Rodin se enfureceu, deixou de a ajudar financeiramente e ainda pressionou o ministro das belas artes para cessar os pagamentos do bronze. Arruinada e sem o auxílio do pai, que havia morrido, rejeitada no mundo da arte que não reconhecia seu talento, uma pária no círculo dos artistas do qual Rodin a excluiu, afastou-se esgotada e infeliz.

Camille enlouquecida pela dor da rejeição e, sem o suporte amoroso do pai, numa das crises, quebrou a maioria de suas esculturas. Em 1913, foi internada pela mãe e pelo irmão, num hospício, por quase 30 anos, até sua morte aos 78 anos. Nunca recebeu a visita da mãe e do irmão, nem de Rodin, que não foram nem ao funeral.

Seu trabalho só foi levado a sério na década de 70, com o advento da era feminista. Sua vida foi retratada no filme, Camille Claudel, de 1987 e outras obras.

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