Hilma Af Klint, pioneira do abstracionismo

Vera Bedin
Colunista, artista visual, juíza de direito aposentada,TJSC.
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Nascida em Estocolmo (1862-1944), mística cujas obras são consideradas as primeiras puramente abstratas, antecedentes às de Kandinsky, e de Mondrian, dos quais era amiga. Formada pela Academia Real de Artes da Suécia, principal escola de arte, raramente aceitava mulheres. Afastou-se dos ensinamentos acadêmicos para pintar mundos invisíveis influenciada pelos movimentos espirituais da época, como Teosofia de Madame Blavatzky, Rosacruz e, depois a Antroposofia, de Rudolf Steiner. Vassili Kandinsky, Piet Mondrian, Kasimir Malevitch também foram inspirados pela Teosofia.

Criou um grupo com mais quatro mulheres que buscavam conexão com os espíritos e com os chamados Mestres Ascensos, para sessões espíritas, meditação e oração. Seu interesse pelo abstrato surgiu com o Espiritismo. Nas sessões os espíritos guiavam suas mãos numa profusão de desenhos e escritas automáticas.

Hilma recebeu por tarefa, do seu mestre espiritual, Amaliel, fazer a série: “As pinturas para o Templo”. As mensagens divinas foram pintadas (1906-1915), de formas orgânicas entrelaçando, círculos e espirais, num total de 193 obras, sendo que dez com 3 metros de altura, foram produzidas vários anos antes do abstracionismo de Kandinsky e Malevitch, ditos os pais do abstrato.

Não exibiu seu trabalho espiritual para o público, exceto por duas exposições em Londres e uma em Estocolmo, na Sociedade Teosófica. Acreditava que as pessoas ainda não estavam preparadas para entender sua obra, principalmente por ser mulher. Suas pinturas convencionais, no entanto, foram incluídas em várias exposições.

Antes de morrer deixou instruções para que suas obras abstratas fossem expostas 20 anos após sua morte. Demorou mais de 42 anos. Deixou mais de 1.200 telas e mais de 30 mil páginas escritas.

Em 1986 foram exibidos em Los Angeles: The spiritual in Art: Abstract Painting 1890-1985. A exposição a colocou no mapa artístico internacional como a pioneira do modernismo redefinindo o conceito de abstracionismo.

Em 2018, o Guggenheim, EUA, com Paintings for the future, quebrou recordes de público – 600 mil visitantes. Esteve em São Paulo em 2018.

Em Estocolmo pode-se visitar a Fundação Hilma Af Klint e conferir seus abstratos e a interconexão entre a humanidade e o Cósmico.

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