Tomie Ohtake, nasceu no Japão, veio para São Paulo com 23 anos. Dona de casa e mãe de dois filhos demorou para entrar na carreira, o que ocorreu aos 40 anos. Morreu com 103 anos, em 2015. Em 1957, teve sua primeira exposição individual no MAM-SP.
Tomie foi fundamental artista do abstracionismo informal, no Brasil. Usava formas geométricas orgânicas, cores vibrantes e contrastes (primárias, geralmente), explorava a relação espacial equilibrando massa e cor. A partir de 1990 passou a usar tinta acrílica diluída criando camadas e transparências. Nos anos 60 produziu obras com os olhos vendados, dando ênfase ao gesto e a intuição.
Suas obras tridimensionais, muitas em grandes dimensões, em forma de ondas e linhas curvas, orgânicas e de geometria livre. Produziu mais de 30 obras públicas em São Paulo, principalmente. Participou em 20 bienais no exterior e inúmeras no Brasil. Fez esculturas para os museus de Tóquio. Ganhou o prêmio Itamaraty numa das bienais de São Paulo, e, em 1980 Ordem de Rio Branco pela escultura comemorativa da imigração japonesa no país. Fez muito sucesso no Brasil e no mundo.
Em São Paulo, seus quatro grandes painéis estão na Estação de Metrô Consolação; escultura de concreto armado na Avenida 23 de Maio e a pintura em parede cega, na Ladeira da Memória. Em Ipatinga tem o Monumento Tomie Ohtake, em Registro e Santos também.
A antiga casa e ateliê onde a artista viveu e trabalhou por mais de 45 anos, foi transformada em Centro Cultural, em São Paulo, no bairro Campo Belo. Tive oportunidade de visitá-la esse ano. A casa foi projetada por seu filho o arquiteto Ruy Ohtake e é muito interessante. Em estilo minimalista o projeto é essencialmente funcional e com muito aproveitamento da luz natural. Uma visita para arquitetos e estudantes de arquitetura, acredito, seja muito importante.
Em São Paulo, também temos o Instituto Tomie Ohtake, fundado pelo outro filho de Tomie, o arquiteto e designer Ricardo Ohtake, e projetado por seu irmão Ruy, no bairro Pinheiros. No espaço, além de obras de Tomie, temos um polo de exposições, arquitetura e design, mostras, eventos corporativos e sociais. Exposições em cartaz atualmente: Luiz Zerbini – Estrelas Escolhidas; Coletiva – Quando o Museu é Rio; Viva a Escola Viva – movimento indígena e seus saberes. Será o endereço de minha próxima visita à São Paulo.
Manabu Mabe, 1924 -1997. Também imigrou do Japão para São Paulo, para trabalhar nas lavouras de café com a família. Pintor, gravador e ilustrador. Iniciou suas pesquisas na pintura de forma autodidata, usando revistas e livros japoneses. Aprendeu técnicas de diluição de tintas e preparação de telas com o pintor e fotógrafo Teisuke Kumasaka. Aprofundou seus conhecimentos com o pintor Yoshiya Takaoka. Integrou o Grupo Seibi, assim como Tomie, de artistas japoneses.
Em 1953 vendeu seu cafezal e passou a morar e a dedicar-se à pintura, na Capital, com a esposa e três filhos (Vamos passar fome, não sei fazer outra coisa, vou pintar até morrer, disse à mulher).
Nos anos 50 participou de exposições, nacionais e internacionais. Na Bienal, 1959, apontado como melhor pintor nacional. Mabe recebeu muitos prêmios no estrangeiro também no estrangeiro, expôs em muitos países ao redor do planeta.
Suas obras estão expostas no MASP, SP, em galerias, além de outras espalhadas por museus do mundo, Kioto, no Japão, nos Estados Unidos, Venezuela. A galeria Simões de Assis, aqui em BC, possui em seu acervo, obras de Manabu Mabe
Pintava como um animal, por instinto. Abstracionismo, quadros grandes. Como suporte usava madeira ou papelão, com intenso uso de cores.
Em 30 de janeiro/79, um boeing cargueiro da Varig saiu do Japão e em 30 minutos desapareceu no mar, portando 153 obras de Manabu, avaliadas em US$ 1.24 milhão na época. Apesar disso o pintor conseguiu recriar algumas obras e resiliente, continuou a pintar com sucesso até sua morte em 1997.

