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Balneário Camboriú

O desejo pego pelo rabo

Nossa perpétua inclinação do desejo de violar as leis nos trouxe até aqui, socializou a humanidade.

Raul Tartarotti

Nosso desejo de sair dessa fria que apareceu na rua é tão grande, que buscamos a todo o momento, alternativas para distrair nossas cabeças. Uma delas é apertar a campainha da casa de um amigo pra fazer uma visita. Mas somente se formos de máscara, que virou pochete de queixo, caso contrário ele não nos deixa entrar. Poderíamos também buscar uma violação das regras de isolamento, e organizar uma festa em casa, com muita gente.

Nossa perpétua inclinação do desejo de violar as leis nos trouxe até aqui, socializou a humanidade. Por que mudaria o sentido de seguir assim, como estávamos até 2019? Todos querem entrar no jogo novamente, colocar em prática a listinha de planos do ano passado, que foi pra gaveta por causa da pandemia.

A Fadiga da quarentena, leva até os defensores do isolamento, se arriscarem contra as regras. Em suma, a pandemia mantém “o desejo pego pelo rabo”. Esse foi o título da peça teatral, escrita por Pablo Picasso, que teve o objetivo de manifestar, com acuidade, os afetos das pessoas. Foi experimental, mas com exuberante criatividade; refletiu o turbilhão social e cultural de 1941, devido às dores e temores, provocados pela 2ª guerra mundial.

Pela morosidade de nosso caminhar, nos últimos meses, o que não estamos vivendo é uma fadiga de decisão, mas sim, a falta dela. Essa fadiga, foi um termo atribuído ao psicólogo norte-americano Roy Baumeister. É o que ocorre “após um período prolongado de tomada de um grande número de decisões, e que afeta a qualidade e a própria força de vontade para executá-las”.

O que nos cabe hoje, é facilitar o viver, como o fazem Barack Obama, e o criador do Facebook, Mark Zuckenberg. Eles confessaram que todos os dias usam o mesmo tipo de roupa, porque assim têm uma decisão a menos a tomar. Mas não pense que copiando os dois, você vai se tornar presidente de um país, ou de uma rede social milionária.

Friedrich Nietzsche iniciou uma vida errante, em busca de um clima favorável, tanto para sua saúde, como para seu pensamento, nos deixou uma mensagem escrita nos idos de 1890: “Não somos como aqueles que chegam a formar pensamentos senão no meio dos livros — o nosso hábito é pensar ao ar livre, andando, saltando, escalando e dançando”.

Mudei tanto nos últimos meses, que esses dias me olhando através do espelho, pensei em voz alta. – quem é esse cara aí cruzando minha sala? Como ele entrou em mim?

Peguei minha listinha do que quero comprar em 2021, e a outra, com as atividades que desejo realizar. É a lista do ano passado, que ficou congelada como a vacina europeia. Mas em 1° de janeiro, coloco em prática, porque o ano é novo. E como o ritmo ainda é antigo, e lento, minha paciência vai necessitar de mais tempo. A leitura da lista, será o único ato ainda possível, vou começar pelos itens que posso realizar dentro de casa, assim vou me aquecendo, até o momento que abrirem as portas do paraíso.

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