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Balneário Camboriú
Dalton Delfini Maziero
Dalton Delfini Maziero
Historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador das culturas pré-colombianas e história da pirataria marítima.
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JOLLY ROGER – A BANDEIRA PIRATA

O universo da pirataria mundial é carregado de mitos e utopias que fazem dos piratas, figuras atraentes e envoltas em mistérios. Os piratas, esses bandidos dos mares, são frequentemente ponto central de estudos modernos que buscam entender como o fenômeno da pirataria sobreviveu desde a aurora dos tempos da humanidade até os dias de hoje. Dentro deste rico cenário, repleto de incertezas e dúvidas, a Bandeira Pirata – conhecida Jolly Roger – continua sendo um dos elementos mais fascinantes.

Existem poucas referências ao termo “Jolly Roger” no passado. Alguns acreditam que ele tenha surgido do francês “joli rouge” (vermelho formoso), uma bandeira vermelha (a cor simbolizando o sangue derramado em batalhas) usada pelos corsários franceses nos séculos XVII e XVIII. Em 1724, o escritor Capitão Charles Johnson em sua obra A General History of the Pyrates afirma que a bandeira Jolly Roger já era usada por piratas como Francis Spriggs e Bartholomew Roberts; deixando claro que o termo é genérico e que cada pirata personalizava sua bandeira conforme sua vontade, usando símbolos como caveiras, ossos cruzados, espadas e ampulhetas. Também na edição londrina do jornal Weekly Journal Gazetter de outubro de 1723, encontramos uma citação à bandeira pirata. O caso menciona o assalto e captura de piratas envolvidos com o navio inglês Greyhound: “Tinha nele (na bandeira) o retrato da morte, com uma ampulheta em uma mão e o dardo na outra, atingindo um coração, e três gotas de sangue delineadas como caindo dele. Essa bandeira eles chamavam de Old Roger, e nós diríamos, eles viveriam e morreriam sob ela”. 

Contudo, o uso de uma bandeira remonta a tempos mais antigos. No século XVI existem citações de que o corsário inglês Francis Drake já utilizava uma bandeira negra sem desenhos. Entre os piratas otomanos (muçulmanos) dos territórios ao norte da África – Costa da Barbária – era comum o uso de bandeiras vermelhas, pretas e verdes. No início do século XVIII, o uso da bandeira lisa – negra ou vermelha – era uma prática simbólica quando um pirata pretendia saquear outro navio. A tripulação do navio abordado, ao ver a bandeira negra hasteada, entendia que ¼ da carga seria deixada para eles e que teriam passagem segura para seguir viagem. Mas se avistassem a bandeira vermelha, isso significava que toda a carga seria roubada à força e ninguém sairia vivo do navio. No início do XIX, era comum nos mares da China os piratas formarem grandes confrarias compostas por milhares de homens, divididas em grupos identificados por bandeiras coloridas. Cada cor, uma fração da mesma confraria.

Embora já existissem bandeiras com desenhos pintados antes do século XVIII, parece que foi nesse século que elas ganharam destaque, em especial na chamada Era de Ouro da Pirataria (1650-1730) nas águas caribenhas. Um dos registros mais antigos confirmando a clássica versão do uso de bandeira de crânio com ossos cruzados aparece em um diário de bordo datado de 1687, atualmente sob guarda da Biblioteca Nacional da França. Em 1700 o pirata francês Emanuel Wynn também utilizava essa simbologia. Em sua bandeira, aparecia uma crânio com ossos cruzados ao fundo e uma ampulheta abaixo dela, indicando que o tempo para o navio abordado se entregar estava correndo. 

Por volta de 1715 a bandeira pirata tornou-se um adorno amplamente usado por piratas e corsários, que faziam questão de personalizá-la com sua própria simbologia. No fundo, isso fazia parte da mitologia da pirataria e do “marketing” que eles usavam para proporcionar terror em suas vítimas, tornando-se assim, temidos. Desta forma, é comumente aceito que essa simbologia usada nas Jolly Roger estivesse associada a ideia de morte (crânios, caveiras, coração ensanguentado), violência (espadas, ossos e tíbias cruzadas) e tempo curto (ampulheta).

Apesar da diversidade de cores e símbolos usados nas bandeiras piratas através do tempo, poucos discutem sua verdadeira proposição. A bandeira usada por piratas e outros navegantes era um sistema de código que servia para enviar uma mensagem a outro que se encontrava distante. O uso de símbolos de morte e violência por parte dos piratas de fato não significava que estes ansiavam por matar e entrar em combate. Era justamente o contrário! A bandeira pirata surgia como recurso para espalhar o terror e, desta forma, convencer a tripulação abordada a não entrar em combate, a se entregar sem luta. Para os piratas, não havia situação mais favorável do que uma tripulação adversária apavorada entregando-se sem a ameaça de vida dos próprios piratas. 

Dalton Delfini Maziero é historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador dos povos pré-colombianos e história da pirataria marítima. Visite a Página do Escritor (https://clubedeautores.com.br/livros/autores/dalton-delfini-maziero)
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