Outro dia acompanhei uma agenciadora e guia de turismo em um visita na Interpraias, a rodovia que liga as praias do lado sul de Balneário Camboriú. Iniciamos na Barra, mostrei onde estão os inícios das trilhas, as nascentes que por décadas deram subsistência aos primeiros moradores dessa parte do litoral, apresentei alguns descendentes de Açorianos que colonizaram parte de Balneário Camboriú. Esses recantos estão escondidos entre Balneário Camboriú e Itapema e passam despercebidos pelos visitantes que circulam na Interpraias.
As mulheres dos pescadores da Barra transformam couro de peixe e escamas em legítimas jóias.
No bairro da Barra visitamos a associação dos pescadores e a loja de artesanatos feitos e comercializados ali no local, a igreja e a casa Correia já são ícones do centrinho. Um detalhe que passa despercebido aos visitantes está atrás da igreja, ali tem dois quadrados em forma de quadros preservando visualmente como era a construção da edificação da igreja e consequentemente das outras construções feitas naquela época, essa igreja é réplica da igreja de Olinda, parada obrigatória para quem visita a Barra.












Alí onde se cambava o rio para chegar na praia estão as nascentes e o rio das Ostras, a fonte de água mais conhecida leva o nome da igreja, a nascente de Santo Amaro está bem na subida da rodovia no morro da Aguada que também esconde entre as pedras e a vegetação a menor praia de Balneário Camboriú, a prainha da |Ponta da Aguada.
Outra fonte de água que abastece ainda hoje alguns moradores é a nascente do Pau do Óleo que está mais longe do litoral na subida da estrada antiga, que liga a Barra com a praia do Estaleiro. As nascentes próximas do litoral proporcionou aos indígenas e aos primeiros colonizadores a garantia de água de qualidade próximo do local onde tem peixe e mandioca, sim mandioca, poucos sabem que na Interpraias tem uma família, que ainda hoje tem a produção da farinha e a pesca como carro chefe das atividades diárias.
Voltando a nossa visita, depois de mostrar onde está a trilha de acesso a Ponta da Aguada fomos para a segunda praia, a de Laranjeiras, nesta praia o Parque Unipraias tem a base dos bondes que ligam a praia central, é ali também que no trapiche desembarcam os barcos piratas.
Inclusive ali está localizada a entrada da trilha do Urso e foi nesse ponto que o padre João Alfredo Rohr fez uma das maiores descobertas arqueológicas de Santa Catarina, os achados estão no museu da Santur, vale uma visita para se entender a história.
Almoçamos em Laranjeiras que é a melhor pedida, são cozinhas diversificadas de frutos do mar a espetos corridos, bem coisa de catarina, comida farta e saborosa.
Seguimos em busca do lado cultural, apresentei a ela o pescador Santinho que guarda e protege um dos lugares mais lindos da Interpraias, a Galheta e a ponta de Taquaras, onde se encontra peixe fresco e o contato cultural é sentido no sotaque, na forma de agir e de viver dessas famílias. Uma atmosfera totalmente diferente do normal de Balneário Camboriú, sentado na varanda com vista para o mar em uma cadeira de balanço escutando as histórias do pescador com o som do mar, acompanhado de pessoas especiais saboreando um café preto com farinha e banana frita, um show. Recentemente a família decidiu doar o engenho de farinha para a prefeitura,
Na sequências mostrei onde está a igreja católica mais primitiva de Balneário Camboriú, uma atração religiosa, com respeito às escrituras e as regras que não se vê em qualquer lugar, é fascinante a harmonia do lugar em conjunto com as casas, e com os moradores, o sotaque bem catarina é a raiz cultural dessa comunidade, mostra um lado que poucos conseguem ter a visão de quão precioso é isso nos dias de hoje.
A próxima parada foi na trilha da praia do Pinho, outro lugar que a natureza surpreende, ali tem uma nascente que deságua no mar, piscinas naturais e uma das praias mais agrestes com infra estrutura que agora recentemente foi liberado para todos que queiram visitar.
Seguimos em direção a divisa das duas cidades, Itapema e Balneário, passamos pelos bairros praia de Estaleiro e Estaleirinho finalizando na praia de Ilhota onde passa o caminho do Peabiru e ali também tem um recanto que na próxima oportunidade irei apresentar, pois Itapema tem um lado ecológico pouco divulgado e pouco visitado, são olhares diferentes que mesmo quem conhece a Interpraias vai se surpreender.
Finalizamos a visita com um café colonial na praia da Ilhota.
Programem-se e venham ver o que o litoral oferece.

