Os realizadores do espetáculo ‘DANTAS, o Evento’ que levou um grande público ao Teatro Municipal Bruno Nitz, no último dia 18 e movimentou a galeria de artes com uma mostra que encerrou nesta semana (28), planejam levar esta homenagem a outros palcos, galerias e cidades.
O espetáculo e a exposição representaram uma homenagem ao legado de Pedro Dantas, artista que transitou entre a dança e as artes visuais e marcou gerações do Brasil e do exterior,
Embora a exposição tenha chegado ao fim, a equipe do projeto não considera encerrada a história de DANTAS, o Evento. Pela importância cultural da obra de Pedro Dantas e pela forte resposta do público, os realizadores têm a aspiração de reunir condições para replicar o espetáculo e a exposição em novas oportunidades, levando a homenagem a outros palcos, galerias e cidades.
“Um legado dessa dimensão não pode ficar restrito a uma única temporada. Nosso desejo é que a memória de Pedro Dantas continue circulando, alcançando novos públicos e novas gerações”, afirma Fabiane Moser, que idealizou os eventos, realizados por meio da Lei de Incentivo à Cultura de Balneário Camboriú (LIC 2026).
A equipe está aberta a parcerias, convites e apoios de instituições culturais, escolas, espaços de arte e patrocinadores interessados em ajudar a manter viva essa celebração.
“Um encontro de almas conduzido pela arte”
Para a idealizadora do projeto, Fabiane Moser, o espetáculo alcançou seu objetivo.
“Celebrar Pedro Dantas é reverenciar um criador plural, capaz de esculpir a alma no bronze e dar movimento aos sentimentos na dança. Ver sua trajetória, suas obras e sua essência ganharem vida no palco do Teatro Municipal Bruno Nitz, diante de um público emocionado, reforça a certeza de que seu legado permanece pulsante e imortal”, completa.
Quem foi Pedro Dantas
Nascido na Bahia, Pedro Dantas Riso formou-se entre São Paulo e Rio de Janeiro e viveu longa experiência na dança internacional. De volta ao Brasil no fim dos anos 1970, fixou-se em Blumenau, onde dirigiu a Escola de Ballet do Teatro Carlos Gomes (1979–1982) e criou o CIDAI, em 1982.
Aos poucos, levou o movimento do palco para a matéria, em pinturas e esculturas marcadas pela figura humana. Recebeu a Medalha do Mérito Cultural Cruz e Sousa (2011) e a Comenda do Mérito Cultural Rose Gaertner (2017). Faleceu em 2019, deixando acervo e uma rede de alunos, amigos e artistas.
Uma exposição multiartística
A curadoria foi realizada por Evaldo Freygang Junior, coordenador executivo do projeto. A mostra foi uma experiência multiartística, reunindo dança, artes visuais, escultura, fotografia, música, figurinos, depoimentos e registros históricos.
A escultura Dança Etérea, de E. Freygang, chamou a atenção do público por sua grandiosidade e impacto visual, complementando a exposição. A obra traduz em matéria a força, a leveza e a expressividade do movimento.
A mostra reuniu ainda a pintura inédita de grandes dimensões de Marcelo Urizar, a série fotográfica A Dança do Tempo, de Marlon Andrei Grosskopf, e painéis com a trajetória de Dantas. Também expôs os figurinos criados por estudantes do Centro Educacional Municipal Governador Ivo Silveira, na contrapartida social “DANTAS, Memória, Criação e Partilha”.
Depoimentos de quem conviveu com Pedro completaram o percurso: o escultor Pita Camargo, a paisagista e ex-aluna Ana Holzer, a vizinha Márcia Maria Murara Peiter, o ex-aluno Jaime Fernandes de Oliveira, hoje na Coreia do Sul, e a bailarina e arte-educadora Ivana Vitória Deeke Fuhrmann.
Os artistas que deram forma à homenagem
Fabiane Moser — concepção, proponente e direção artística. Bailarina, arte-educadora, coreógrafa, artista visual e produtora cultural, com quatro décadas de trajetória. Conheceu Pedro Dantas em Blumenau, dividiu com ele o palco no pas de deux Sol e Lua, em 1998, e foi sua aluna em um curso de escultura em 1999.
Evaldo Freygang Junior — curadoria, coordenação geral e executiva, além de escultor. Atua nas artes visuais desde 1984 e vive há mais de duas décadas em Balneário Camboriú. Conheceu Dantas ainda jovem e criou a escultura Dança Etérea a partir dessa memória, buscando a leveza na matéria pesada.
Wald de Oliveira — bailarino e coreógrafo. Na dança desde 1977, transita entre ballet clássico, dança contemporânea e jazz, com trabalhos interpretados no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. Criou as coreografias inéditas a partir de um princípio de Dantas: o corpo que vira forma e a forma que volta a ser movimento, moldando a artista até chegar à obra que dança.
Victória Terribile — bailarina profissional. Com formação no Rio de Janeiro e prêmios nos festivais de Joinville, Itajaí e prêmio de melhor bailarina em Curitiba (2026). Ocupou o papel central em Emoção em Movimento, emergindo do casulo que simboliza a passagem entre matéria e movimento.
Jhone Abner Campelo Ribeiro — bailarino. Começou na dança em 2011, pelo programa “Conquistando a Cidadania”, e já fez turnê pela França, integrando o pas de deux “Luz na Coxia”.
Iohana Notari Dietrich — bailarina. Atriz e licenciada em Dança, com experiência em TV, videoclipes e teatro musical. Também ampliou sua participação no palco ao longo do processo criativo e dançou ao lado de Jhone um belíssimo pas de deux com o piano ao vivo.
Gustavo Marçal Miranda — composição e piano. Compôs as obras inéditas “Emoção em Movimento” e “Luz na Coxia”, dedicadas a Pedro Dantas, e as executou ao vivo, em diálogo direto com a dança. Pianista de uma sensibilidade ímpar.
Afonso Cezar Silveira, o Cezinha — figurinos e cenografia. Licenciado em Dança pela UFBA, trabalhou com o Balé do Teatro Castro Alves e conheceu Dantas nos anos 1980. Criou à mão, ponto a ponto, o manto-casulo de cerca de seis metros usado em cena que, somado à iluminação, criou uma atmosfera belíssima.
Marcelo Urizar — pintura. Artista visual e arquiteto argentino, radicado em Balneário Camboriú desde 1997. Desenvolveu uma pintura inédita em tinta acrílica de grandes dimensões que interpreta a linha, o impulso e o ritmo da obra de Dantas. Inspirado nos trabalhos de Matisse “A dança”, inclui imagens inspiradas nas esculturas de Dança, dialogando com o passado e o presente da arte.
Marlon Andrei Grosskopf — fotografia, registros, pesquisa e toda criação digital. Criou a série “A Dança do Tempo”, com 12 imagens de fotografia expandida que releem os gestos escultóricos de Dantas, e conduziu parte da pesquisa biográfica da exposição em uma linguagem atual com Inteligência Artificial.
A assessoria de imprensa é de Tatiele Rivera, e a acessibilidade em Libras, de Giselle Santos Souza.

