Das ruas ao catálogo: projeto recupera histórias da arte pública de Balneário Camboriú

“Urbanidades: nem tudo é concreto”, da museóloga Letícia Noveletto, será lançado nesta quarta-feira (16), com exposição e entrada gratuita na Galeria Municipal de Arte.

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Algumas continuam no caminho de moradores e turistas. Outras foram retiradas dos lugares onde se tornaram conhecidas. As obras de arte que integram ou já integraram a paisagem de Balneário Camboriú são o ponto de partida do catálogo “Urbanidades: nem tudo é concreto”, que será lançado nesta quarta-feira (16), às 19h, na Galeria Municipal de Arte, anexa à Praça Bruno Nitz.

Idealizada e produzida pela museóloga Letícia Noveletto, a publicação reúne dez obras escolhidas a partir de um mapeamento de 322 trabalhos de arte pública realizado pelo Museu a Céu Aberto de Balneário Camboriú (MCA). O lançamento será gratuito e marcará também a abertura de uma exposição dedicada às obras selecionadas, em cartaz até 9 de outubro.

O projeto procura recuperar informações que nem sempre acompanham a experiência de quem encontra uma escultura, um monumento ou um grafite pela cidade: quem criou, em que contexto surgiu e qual relação mantém com aquele lugar.

Obras de Paulo Siqueira e Claudio Vuillerot / Divulgação

Entre os trabalhos estão O Marambaia, de Paulo Siqueira, e a Cascata das Sereias, de Jorge Schroder. Ambos fizeram parte da paisagem urbana durante anos e foram retirados de seus locais originais. Suas histórias ajudam a levantar uma das questões centrais da pesquisa: como preservar a memória artística de uma cidade em transformação?

“Preservar uma obra não significa apenas garantir sua permanência física, mas sim todo o histórico dela”, afirma Letícia, que também assina a curadoria.

‘Cascata das Sereias’, de Jorge Schroeder / Divulgação

O que a cidade conta por meio da arte

O catálogo reúne fotografias, informações históricas e técnicas, trajetórias dos artistas, entrevistas e relatos dos processos de criação. A proposta é oferecer um material de consulta para estudantes, pesquisadores e moradores, além de estimular um olhar mais atento para a arte presente no cotidiano.

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Obra de Luis Felipe Berejuk (Berejuk) / Divulgação

A seleção considerou a relevância histórica, a relação com o território e a diversidade de técnicas e linguagens. Os trabalhos permitem abordar temas como a memória dos monumentos, a presença feminina na arte urbana, a identidade local e o caráter passageiro de parte da produção de grafite.

Obras: Eduardo Vaso e Júlia Rodrigues / Divulgação

Além de Paulo Siqueira e Jorge Schroder, integram a publicação Marcelo Urizar, Bruno Thomé, Eduardo Vaso, Fernando Cardoso (Nando), Julia Rodrigues, Luis Felipe Berejuk (Berejuk), Resk e Claudio Vuillerot.

“Os cartões-postais normalmente apresentam uma imagem muito específica de Balneário Camboriú, e a arte pública permite olhar para aquilo que existe entre essas grandes imagens”, acrescenta Letícia.

A relação entre arte e construção civil

Obra de Marcelo Urizar / Divulgação

Um dos assuntos investigados é a chamada Lei das Fachadas. Segundo a pesquisa, um dispositivo da Lei Municipal nº 1.677/1997 estabeleceu a instalação de obras de arte na frente, fachada ou jardim de edificações acima de seis pavimentos.

O catálogo examina como essa relação entre legislação, arquitetura e iniciativa privada contribuiu para a presença de trabalhos artísticos nos espaços ligados à verticalização de Balneário Camboriú.

Obra de Bruno TGhomé / Divulgação

O levantamento também abre caminho para novas investigações sobre o destino dessas obras: quais permanecem onde foram instaladas, quais sofreram alterações e quais desapareceram da paisagem.

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Oficinas, visitas e acesso ao catálogo

Obra de Resk / Divulgação

A programação inclui duas oficinas gratuitas, ambas com as dez vagas já preenchidas. Julia Rodrigues conduzirá a atividade de grafite em 19 de setembro, das 13h às 18h, no CAPs Infantil. Em 26 de setembro, Jorge Schroder ministrará a oficina de escultura, das 14h às 18h, em seu instituto.

Também estão previstas três visitas guiadas: duas com escolas públicas municipais e uma com a Associação de Surdos de Balneário Camboriú, acompanhada por tradução em Libras.

Obra de Fernando Cardoso (Nando) / Divulgação 

A publicação terá versões impressa e digital, esta compatível com leitores de tela. Após o lançamento, exemplares serão distribuídos gratuitamente a escolas públicas, bibliotecas, universidades, instituições culturais e à Fundação Cultural de Balneário Camboriú.

O projeto é realizado por meio do Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura, edição 2025, com apoio de Paris Tintas, Fundação Cultural de Balneário Camboriú e Museu a Céu Aberto.

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