Balneário Camboriú deu mais um passo importante na valorização da cultura pesqueira e na educação ambiental, focada no Rio Camboriú e no mar, com o lançamento do projeto Escola do Rio e Mar, em cerimônia realizada na terça-feira (4), na Praça do Pescador, no Bairro da Barra.
A iniciativa, que nasceu de uma indicação da vereadora Ciça Müller, apresentada em março deste ano, marca um novo momento para a integração entre a comunidade e o ambiente marinho e costeiro da cidade.
A proposta foi abraçada pela prefeitura de Balneário Camboriú, por meio da Subprefeitura da Região Sul, e será desenvolvida em parceria com educadores, instituições de ensino, ambientalistas e mestres de saberes locais.
De iniciativa legislativa a política pública consolidada

A criação da Escola do Rio e Mar em Balneário Camboriú foi uma proposição da vereadora Ciça, que apresentou o projeto à Câmara Municipal inspirada em experiências já existentes em 31 países.
“A Escola do Rio e Mar é um exemplo de como a cultura e os saberes tradicionais, integrados com a ciência, podem transformar o olhar sobre o território e fortalecer o sentimento de pertencimento da nossa comunidade, garantindo a valorização ambiental”, disse.
Em sua fala durante o evento, Ciça também reforçou que a versão do projeto em Balneário Camboriú é única no país, pois contempla tanto o mar quanto o rio, um diferencial em relação a outras experiências que se limitam ao ambiente costeiro.
“Reconhecer a importância da nossa bacia hidrográfica é reconhecer nossa própria história, a tradição dos nossos povos e como a gente sempre se desenvolveu através das regiões ribeirinhas. O projeto conta essas histórias, ensina as tradições pesqueiras e faz com que a gente reconheça Balneário Camboriú através das oficinas que serão oferecidas para as crianças e a comunidade”, afirmou.
Estrutura, metodologia e funcionamento

A bióloga e mestre em Educação, Carla Cravo, servidora pública e uma das idealizadoras técnicas da proposta, explica que o projeto surgiu de uma articulação da Subprefeitura da Região Sul, que buscava atualizar o currículo de Educação Ambiental e discutir temas como cultura oceânica e o Currículo Azul, política nacional voltada à conscientização sobre os oceanos e recursos hídricos.
“Quando a subprefeitura me chamou para pensar nesse projeto, a ideia era justamente fortalecer a política municipal de educação ambiental e conectar tudo isso à cultura local. A vereadora Ciça já havia indicado a criação da Escola do Rio e Mar, e em Balneário Camboriú o conceito se amplia, porque aqui temos o rio e o mar. Isso diferencia o nosso projeto de outros no país”, explica Carla.
Em um primeiro momento, a Escola do Rio e Mar funcionará na Casa Linhares, com atividades semanais pela manhã e à tarde. As ações serão voltadas às escolas municipais da Região Sul, podendo, futuramente, serem estendidas a outras unidades da rede.
As escolas e creches receberão a relação das atividades, e poderão solicitar oficinas diferenciadas, de acordo com o perfil de cada turma. O formato das oficinas inclui parte teórica e prática, com saídas de barco, vivências ambientais e experiências diretas com o ecossistema local.
Investimento e parcerias
O projeto foi contemplado com recursos de emendas parlamentares que totalizam R$ 550 mil, destinados pelos deputados Carlos Humberto (R$ 300 mil), Marquito (R$ 100 mil) e Mário Motta (R$ 150 mil). Os valores devem ser liberados em 2026 e serão aplicados na estruturação da Escola e na execução das atividades.
Além do investimento, a Escola do Rio e Mar conta com o apoio de instituições parceiras, como o Instituto Federal Catarinense (IFC), a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), o Projeto Aves Catarinenses, e o monitoramento das praias conduzido em conjunto com o Programa Bandeira Azul. Essas parcerias permitirão ampliar o alcance das ações e integrar conteúdos técnicos de pesquisa, ciência e sustentabilidade ao cotidiano escolar.
“A demanda das escolas é grande, e a Escola do Rio e Mar vem justamente para organizar esse trabalho. Vamos fortalecer o que já existe, projetos como o Terra Limpa, o Ambiarte, o Jacamasa e o ReciclaBC, e trazer para dentro desse novo formato o Pacto Global Jovens pelo Clima, que também será desenvolvido dentro da Escola”, explica Carla Cravo.
Oficinas e mestres dos saberes locais
A Fundação Cultural de Balneário Camboriú também terá papel ativo na proposta, auxiliando na realização das oficinas conduzidas por mestres dos saberes tradicionais, como pescadores e descascadeiras de camarão. Esses profissionais serão valorizados e poderão ser remunerados por suas contribuições, promovendo a transmissão de conhecimentos ancestrais e a preservação da identidade local.
As atividades incluirão oficinas de confecção e reparo de redes de pesca, gastronomia tradicional e manifestações culturais como o Boi de Mamão, que integram a herança imaterial da região.
“O foco é fortalecer a política de educação ambiental e, ao mesmo tempo, valorizar a cultura local. A Escola do Rio e Mar tem esse poder de unir ciência, arte e tradição, mostrando que o conhecimento dos mestres da pesca e das descascadeiras também é saber que merece reconhecimento”, reforça Carla.
Um espaço de pertencimento e conexão

Com o lançamento, Balneário Camboriú se junta ao movimento internacional que reconhece o papel das Escolas do Mar como ferramentas para o desenvolvimento sustentável e o letramento ambiental.
A versão local, ao incluir também o rio, propõe um modelo ampliado, que conecta terra, rio e mar, a tríade que forma a identidade natural e cultural do município.
“Nosso foco é que as futuras gerações entendam o valor do nosso território, da nossa água, da nossa cultura. A Escola do Rio e Mar veio para fortalecer esse sentimento de pertencimento”, completa Carla Cravo.

