IBGE aponta que mais de 6 milhões de pessoas têm deficiência visual no Brasil

Dispositivo desenvolvido na Univali auxilia na locomoção de pessoas cegas

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que existem mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual no Brasil, sendo 500 mil cegas e cerca de 6 milhões com baixa visão. Motivado por esta estatística, o professor dos Programas de Pós-Graduação em Computação Aplicada e em Educação da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Alejandro Rafael Garcia Ramirez, desenvolve uma pesquisa que resultou na produção da Bengala Longa Eletrônica, dispositivo que identifica a existência de obstáculos aéreos para deficientes visuais.

A pesquisa Bengala Longa Eletrônica: melhorando a mobilidade em ambientes urbanos é o tema do sétimo episódio do projeto Minuto da Ciência, conteúdo multiplataforma produzido pela Gerência de Marketing e Comunicação da Univali junto à Vice-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão.

Os estudos para elaboração do dispositivo começaram em 2002, mas o projeto se consolidou em 2005, ao ser selecionado na chamada pública MCT/Finep – Ação Transversal – Tecnologias Assistivas. O primeiro protótipo funcional de bengala foi viabilizado com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o suporte da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

“O sensor embarcado na bengala consegue identificar obstáculos acima da linha da cintura, com até dois metros de distância e que, quando se aproxima, emite um alerta sonoro e vibra na mão do usuário. O sistema é parecido com os sensores de estacionamento instalados em carros e quanto mais próximo são mais frequentes a vibração e o som de alerta. O funcionamento é garantido por bateria recarregável, cuja autonomia depende do uso, mas geralmente dura uma semana”, explica o pesquisador.

A ideia da pesquisa surgiu durante uma visita à Associação Catarinense de Integração do Cego (Acic). Depois de conhecer a realidade e as dificuldades dos associados, a intenção foi desenvolver um projeto ligado à responsabilidade social e que impactasse na vida das pessoas com deficiência visual.

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“Acompanhando o trabalho realizado na Associação percebemos que as bengalas tradicionais utilizadas não detectavam objetos acima da linha da cintura, constituídos por barreiras físicas e atitudinais, o que ocasionava muitos acidentes relatados pelos usuários. Montamos uma equipe multidisciplinar com profissionais das áreas de design, eletrônica e física, o que permitiu que o modelo fosse aperfeiçoado ao longo dos anos. Nós tivemos também a contribuição da renomeada professora e pesquisadora do Departamento de Engenharia Biomédica da Universidade de Glasgow, Escócia, Marion Hersh, que é deficiente visual e possui vasta experiência no estudo de dispositivos de apoio para este tipo de deficiência. O equipamento foi aprimorado ao longo dos anos em razão da participação de mais de 60 usuários”, complementa Ramirez.

O projeto recebeu diversos incentivos que permitiram o avanço das etapas até chegar ao modelo atual, utilizado por mais de 30 pessoas em diversas regiões do país. O dispositivo é montado no Laboratório de Automação e Robótica da Univali com peças compradas de fornecedores terceirizados. O objetivo a curto prazo é centralizar todo o processo de produção, montagem e testes na instituição, visando a redução do custo do dispositivo.

A partir de agora, a intenção é desenvolver uma versão mais leve, ergonômica e tecnológica. A meta é ter uma redução significativa do custo da bengala e incorporar o uso de um aplicativo para celular e, assim, ampliar a produção para atender a demanda dos usuários com necessidades tecnológicas crescentes.

Em 2023, a Fundação Univali conquistou o certificado de registro de marca da BLE – Bengala Longa Eletrônica. O documento foi emitido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). O processo teve o apoio do Hub de Inovação Tecnológica da Univali (Uniinova), setor responsável pela administração dos processos de propriedade intelectual na instituição. “Hoje, não existe nenhum modelo equivalente no país. Por isso, o registro torna-se uma um aparato legal para prevenir que o nome Bengala Longa Eletrônica seja usado de forma incorreta para identificar produtos com características diferentes”.

Além do registro de marca, o produto já acumula os registros de patente de modelo de utilidade e de design industrial – configuração aplicada na pega do dispositivo. O mais recente reconhecimento conquistado pelo projeto foi o primeiro lugar no 6º Prêmio Univali de Inovação, em novembro deste ano.

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“É um projeto que impacta de forma significativa na mobilidade e na segurança dos usuários na hora de efetuar um deslocamento nas cidades. Essa é uma pesquisa reconhecida e premiada que visa, de fato, mudar a vida das pessoas que precisam deste dispositivo, bem como chamar a atenção de quem desconhece as dificuldades de quem precisa desse auxílio para se locomover. É um trabalho muito gratificante e, por meio da relação que temos com os usuários, acabamos criando laços de amizade que vão muito além da pesquisa. É um projeto de sucesso porque o aspecto humano dele é tão importante quanto o desenvolvimento tecnológico”, finaliza o professor.

Além dos Programas de Pós-Graduação em Computação Aplicada e em Educação, Alejandro Rafael Garcia Ramirez é também professor dos cursos de graduação em Engenharia de Computação, Engenharia Elétrica e Engenharia Mecânica da Univali.

Minuto da Ciência

O Minuto da Ciência tem o objetivo de dar visibilidade aos resultados das pesquisas científi­cas e das atividades de ensino produzidas pelo corpo docente e discente da Univali, por meio de ações de comunicação com linguagem acessível e facilmente compartilhável pelas plataformas digitais.

O projeto apresenta uma pauta diferente a cada mês e o conteúdo está disponível nos canais da Univali no FacebookInstagramYoutubeTwitterLinkedin e em univali.br/notícias.

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