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Professora de Camboriú apresentou trabalho “Lá fora também é sala de aula” em Conferência Internacional 

Neste Dia do Professor, celebrado domingo (15), a reportagem destaca o empenho de uma professora de Artes, da rede municipal de Camboriú, que investe na aproximação de seus alunos com a natureza, como forma de aprendizado.

“Celebrar a infância é muito mais do que simplesmente dar brinquedos para as crianças. A criança de hoje é o adulto de amanhã, e o que estamos construindo com elas? O que estamos permitindo que elas construam para si mesmas? Estamos pensando na infância como mera preparação para a vida adulta, ou respeitamos esse riquíssimo período da vida na sua potência e valor reais?” 

Esses são alguns questionamentos que a professora e ativista ambiental ReNata Batista tem feito com mais intensidade desde que participou da Conferência Internacional – Espaços Naturalizados para as Infâncias em São Paulo, em setembro.

ReNata na Conferência Internacional (Arquivo Pessoal)

ReNata representou Camboriú com o trabalho “Lá fora também é sala de aula” no evento, que reuniu profissionais de diversas cidades do mundo que atuam em diferentes campos – educação, arquitetura, saúde e artes – e acreditam que a natureza colabora na promoção de saúde física, mental e bem-estar para todos. 

Cidade boa para as crianças é boa para todos

Estiveram representados países como Espanha, Gana, Japão, Estados Unidos e muitas cidades brasileiras, e a mensagem foi uma só: a de que as crianças precisam ser ouvidas e que uma cidade boa para as crianças é boa para todas as pessoas.

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Desemparedamento das infâncias

Divulgação

A abertura do evento ficou por conta de Lea Tiriba, educadora ambientalista e professora na Escola de Educação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Foi ela que cunhou o termo “desemparedamento das infâncias”, que se refere à necessidade de se possibilitar às crianças que vivenciem o espaço externo, ampliem seus horizontes, brinquem na natureza. 

“A sociedade precisa acolher as crianças e possibilitar que os recém chegados gostem de viver entre nós. É preciso escutar as crianças, mas não é simples, porque não se trata de uma questão auditiva, mas de superar o adultocentrismo que nos habita”, disse ela em uma das mais importantes falas do evento.

Em sua palestra, Emma Cortés, coordenadora do Programa Cidade Brincante, de Barcelona, disse: “Em Barcelona, brincar é coisa bem séria”. 

Já a estadunidense Jaime Zaplatosch, que lidera um programa global para incentivar a naturalização de espaços escolares e a aprendizagem ao ar livre, afirmou que “escolas com mais natureza significam mais saúde, principalmente física e mental”.

Infância viva e o retorno ao simples

A brasileira Tais Froes, fundadora do Projeto Oca Viva Infâncias (Salvador-BA), falou sobre a importância de se possibilitar uma infância viva para todas as crianças e o retorno ao simples, ao barro, à terra, para gerar essa vida.

“Estar naquele lugar cheio de gente ouvindo e falando tudo isso me deu uma injeção de ânimo, porque no dia-a-dia, muitas vezes vem um grande desânimo ao perceber que estamos muito distantes de uma visão coletiva sobre a imensa importância de desemparedar as crianças. É muito triste perceber que os valores estão distorcidos, e que isso acaba gerando muitas das doenças que vemos crescerem hoje na nossa sociedade, como ansiedade, depressão, transtornos de aprendizagem. Sem contar a crescente violência, gerada pela falta de sentido de vida que essa desconexão provoca”, afirma ReNata, que diz ainda: “Foi muito com perceber que não estou sozinha, agora quero compartilhar essas ideias com mais e mais pessoas”, destacou ReNata.

Trabalho escolhido entre 500

O trabalho selecionado de ReNata foi apresentado na forma de pôster digital bilíngue exibido em displays no hall de entrada do SESC Vila Mariana. 

Intitulado “Lá fora também é sala de aula”, foi um dos 60 escolhidos entre mais de 500 inscritos, enviados de todo o Brasil e países vizinhos. 

“Foi uma honra ver o meu trabalho em meio a tantas iniciativas bacanas, muitas das quais eu já conhecia e admirava. Isso me deu uma nova perspectiva sobre a minha prática, e os contatos estabelecidos a partir disso ainda vão render muitas parcerias”.

O trabalho de ReNata foi selecionado em meio a iniciativas de todo o Brasil que inscreveram suas pesquisas, experiências e práticas em cinco categorias, dentre elas: “Educação ao Ar livre: como utilizar os espaços abertos, elementos naturais e referências da cultura popular ligados à natureza em processos de aprendizagem”, na qual o presente trabalho se apresenta.

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Primeira vez na América Latina 

O evento foi realizado pela Aliança Internacional de Espaços Escolares (International School Grounds Alliance – ISGA) em parceria com o programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, e o Sesc (Serviço Social do Comércio) e aconteceu no SESC Vila Mariana, em São Paulo, entre 20 e 23 de setembro. Essa foi a primeira vez que o evento aconteceu na América Latina, e a próxima edição vai acontecer em Haselt, Bélgica em abril de 2024.

Palestras & Passeios

Além das palestras e da apresentação dos trabalhos digitais, a programação também incluía visitas a espaços diversos em que a criança é personagem central e sua relação com a natureza é estimulada. 

ReNata visitou o Mundo das Crianças, um parque de Jundiaí com 170 mil m2 de área com muita natureza, chafarizes e brinquedos de madeira não estruturados para as crianças explorarem e correrem riscos saudáveis em brincadeiras livres. 

Com a bióloga Maura Albergaria (E) e Ana Carol Thomé (D), condutoras da vivência para educadores no Parque Alfredo Volpi
Divulgação (Arquivo pessoal)

O diretor do espaço acompanhou o grupo pessoalmente e contou sobre sua criação e funcionamento. 

“Estar nesses lugares faz a gente pensar que é possível criar ambientes em que a criança se expresse, explore o ambiente e se desenvolva numa relação saudável com seu corpo e mente. Basta que se entenda a importância disso, e a partir daí se buscam meios para viabilizar. As cidades em geral são ambientes pobres de experiências para as crianças. Tudo é pronto, padronizado, tem um caminho único de experimentação. É preciso ampliar as possibilidades de interação da criança com o meio, com outras crianças, e consigo mesma”, diz ReNata.

 Ser Criança é Natural

Vivência com Ana Carol Thomé, no Parque Alfredo Volpi (Foto ReNata Batista)

Além de participar da Conferência Internacional, ela também aproveitou para participar de uma vivência para educadores com Ana Carol Thomé, do projeto Ser Criança é Natural, no Parque Alfredo Volpi. Foi uma tarde em área de Mata Atlântica nativa com muitas investigações de Arte e Natureza, com diálogos instigantes com professoras de São Paulo e outros estados brasileiros.

“Todas essas vivências me deixam mais animada para seguir trabalhando para que as pessoas entendam que possibilitar à criança um maior contato com a natureza é fundamental para que tenhamos ainda vida por mais tempo nesse planeta. Se não ensinarmos isso a elas, e não permitirmos que elas aprendam através da experiência sensível e não utilitária com a natureza, eu não sei o que vai ser do nosso futuro enquanto espécie. E isso é muito sério, muito grave.”

Arte & Natureza

É preciso ampliar experiências das crianças com a natureza (Foto Wanderson Luiz)

A professora ReNata defende que as crianças precisam aprender a amar a natureza para cuidar dela.

“Além disso, estar em contato com a natureza auxilia nas questões de aprendizado e já há comprovações científicas de que até nos transtornos de aprendizagem, como TDAH e dislexia, brincar em contato com a natureza é muito produtivo”, afirmou.

A proposta pedagógica que a professora e pesquisadora desenvolve na Escola Andrônico Pereira e no Jardim de Infância Padre Sergio Maykot consiste em conectar os conteúdos da disciplina de Arte com experiências estéticas ao ar livre. 

Arte e natureza sempre foram campos de interesse e pesquisa de ReNata, que em 2022 publicou um artigo intitulado “A natureza que educa e cria sentidos: uma reflexão sobre ambiente natural e estesia na aprendizagem nos Anos Iniciais”, em que aborda os benefícios da natureza nesses tempos em que as mídias digitais estão interferindo tão negativamente no processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças. 

Ela se formou em Licenciatura em Artes Visuais e está cursando a segunda especialização em Psicopedagogia, na UFSC, para se aprofundar nos processos de aprendizagem das crianças e adolescentes e poder auxiliar principalmente nos transtornos de aprendizagem. Seu trabalho é compartilhado na sua rede social: @eco_arte_educacao

“É possível e é necessário ampliar as experiências das crianças com a natureza, seja na escola, seja em espaços públicos nas cidades. Cada vez mais os estudiosos se preocupam com o distanciamento que estamos promovendo em relação à natureza, e isso já está fazendo consequências graves na saúde psicológica e no aprendizado das nossas crianças”, finalizou ReNata. 

A importância do estar ao ar livre 

A Sociedade Brasileira de Pediatria diz que “as crianças e adolescentes devem ter acesso diário, no mínimo por uma hora, a oportunidades de brincar, aprender e conviver com a – e na – natureza para que possam se desenvolver com plena saúde física, mental, emocional e social” e que “as escolas e instituições de cuidados devem organizar suas rotinas e práticas de forma a equilibrar o tempo destinado às atividades curriculares com o tempo livre (recreio), a fim de permitir que as crianças e os adolescentes tenham amplas oportunidades de estar ao ar livre, preferencialmente em ambientes naturais em contato com plantas, terra e água. 

Diversos estudos e exemplos mostram que mais tempo de recreio beneficia diretamente o aprendizado e o comportamento dos alunos nas escolas”. As informações foram publicadas no Manual Benefícios da Natureza no Desenvolvimento de Crianças e Adolescentes, disponível em: clique aqui.

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