Santa Catarina fica abaixo da média nacional e tem um dos piores índices de alfabetização do país

Dados do Inep referentes a 2025 mostram que o estado registrou um dos menores avanços do Brasil.

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Fabiano da Luz *

Santa Catarina ficou abaixo da média nacional de alfabetização em 2025 e atrás de seis estados do Nordeste, segundo dados divulgados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Apenas 63% das crianças catarinenses ao fim do 2º ano do ensino fundamental eram consideradas alfabetizadas, abaixo do percentual registrado por estados como Ceará, Paraíba e Piauí. O índice reforça a sequência de resultados negativos da educação básica catarinense após a queda no Ideb do ensino fundamental. 

Quando comparado com todos os estados, a situação piora para Santa Catarina: foi um dos dois únicos a registrar queda entre 2024 e 2025. Passou de 62% para 59%. Após recurso apresentado pela Secretaria de Estado da Educação ao Ministério da Educação, o índice catarinense foi revisado de 59% para 63%. Mesmo assim, ficou abaixo da média nacional de 66% e mostra o pouco avanço nos últimos anos. Registrou aumento de apenas um ponto percentual, enquanto as demais unidades da federação avançam a passos largos, com patamares que superam 10 pontos percentuais. 

Líder do PT na Alesc, o deputado Fabiano da Luz afirma que os dados de Santa Catarina são alarmantes. “O governo do Estado optou por investir bilhões no ensino superior e deixou de lado a educação básica. A conta veio e quem vai pagar são as crianças das escolas públicas”, lamentou. 

Fabiano completa o alerta:“Sem saber ler e escrever bem, os estudantes catarinenses não vão chegar no ensino superior e usufruir das bolsas do Universidade Gratuita. Diferentemente do que mostram as propagandas, as escolas de Santa Catarina não estão boas e os professores estão desanimados”.

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Se o estado catarinense não atingiu a meta de 67% de crianças alfabetizadas em 2025 , encara um desafio ainda maior para 2026: chegar a 70%. Enquanto isso, estados como o Ceará já bateram a meta nacional para 2030 de chegar a 80%. O estado do Nordeste está em 84% e corre para alcançar os 100%. 

Com bons indicadores econômicos, sociais e de segurança pública, Santa Catarina ficou atrás em alfabetização de crianças do Acre (68%), do Espírito Santo (69%), de Alagoas (64%), do Maranhão (69%), Paraíba (71%), além de Goiás (80%) e do vizinho Paraná (80%), para citar alguns exemplos. 

Um dos comparativos mais emblemáticos é com o estado do Piauí, que sempre sofreu com graves problemas sociais. O estado nordestino teve saltos expressivos nos últimos anos nos indicadores. Passou de 52% em 2023, para 60% em 2024 e ultrapassou a média nacional ao chegar a surpreendentes 77% em 2025.

Além da alfabetização, outros dados da educação básica colocam o Tribunal de Contas do Estado (TCE) em alerta. 

Crianças fora da escola

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Dados do CadÚnico mostram que o problema com a educação básica pode ser ainda pior. Mais 24 mil crianças entre 4 e 6 anos em Santa Catarina estão fora da escola. Nessa faixa, o ensino é obrigatório. 

O problema não para por aí. O número de crianças consideradas de baixa renda em Santa Catarina quintuplicou de 2020 a 2024, conforme o TCE.

“Não vemos o governo do Estado fazendo uma busca ativa dessas crianças e tentando resolver a questão. Esse problema pode aumentar muito se não tiver uma solução agora”, conclui Fabiano. 

Apesar da educação infantil (até os 6 anos) ser responsabilidade dos municípios, o governo de Jorginho Mello tem liderado uma ofensiva para municipalizar escolas do ensino fundamental. As redes municipais de Santa Catarina correm o risco de ficarem ainda mais pressionadas, já que não conseguiram até agora suprir a demanda da educação infantil do 0 aos 3 anos. 

* Fabiano da Luz (PT) é deputado estadual por Santa Catarina.

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