(FOLHAPRESS) – Filho do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), Carlos Bolsonaro (PL) está eleito senador pelo estado de Santa Catarina nas eleições deste domingo (4). Com 100% das urnas apuradas, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ex-vereador do Rio de Janeiro recebeu 25,35% dos votos.
A outra vaga ao Senado ficou com Carol de Toni (PL), que recebeu 33,46% dos votos. A deputada federal desbancou Esperidião Amin (PP), senador por dois mandatos e que tentava a reeleição. Ele foi preterido entre os bolsonaristas após a entrada de Carlos na disputa no estado e ficou em terceiro lugar, com 15,31% dos votos.
Também disputavam uma das vagas ao Senado por Santa Catarina Décio Lima (PT), Afrânio Boppré (PSOL), Lunelli (MDB), Túlio de Amorim Pfuetzenreiter (Missão), Ana Lúcia da Silveira Machado (UP), Jeferson Rocha (PRD), Marlene Soccas (UP), Joaninha de Oliveira (PSTU) e Marcos Dorval (PSTU).
Após o resultado, o senador eleito Carlos Bolsonaro escreveu nas redes sociais que vai retribuir os votos recebidos com trabalho e responsabilidade. “Recebo essa confiança com enorme responsabilidade e com o compromisso de honrá-la todos os dias. Essa caminhada está apenas começando”, afirmou.
Carlos tem sete mandatos consecutivos na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e, por isso, foi chamado de “paraquedista” pelos adversários catarinenses nas urnas.
A aposta da família Bolsonaro em Santa Catarina tem ligação com o bom desempenho da direita e do PL no estado. Durante a campanha, Carlos afirmou que concorria por Santa Catarina porque é um estado que “defende os mesmos valores que eu”.
No segundo turno do pleito de 2022, Bolsonaro teve quase 70% dos votos em Santa Catarina e o estado se tornou uma espécie de reduto da direita brasileira.
O ex-presidente está em prisão domiciliar porque foi condenado por tramar um golpe para impe dir a posse de Lula (PT) após as eleições de 2022. Mas Carlos chama o pai de “preso político” e fala em “golpe imaginário”.
Carlos não foi a sabatinas nem participou de debates com adversários nas urnas. Na campanha, publicou vídeos sobre o ex-presidente da República e mostrou trechos de falas dele durante encontros com pequenos empresários em cidades catarinenses.
A decisão da família Bolsonaro de concorrer no estado rachou a direita em Santa Catarina, que inicialmente planejava lançar Carol de Toni e o senador Esperidião Amin (PP) para as duas cadeiras ao Senado. Com a entrada de Carlos, o PL precisou descartar a aliança com o PP.
A outra candidata eleita ao Senado por Santa Catarina é a deputada federal Carol de Toni, 40. Advogada, ela iniciou a trajetória política em 2016 como integrante do MBL (Movimento Brasil Livre), que defendeu o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).
Em 2018, foi eleita deputada federal e se aproximou do bolsonarismo. No pleito de 2022, foi reeleita para a Câmara com o maior número de votos da bancada catarinense. Ao longo do mandato chegou a presidir a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), principal colegiado interno da Casa.
Carol de Toni quase ficou de fora da chapa bolsonarista, na esteira das articulações para colocar Carlos Bolsonaro na disputa catarinense. Isso porque o PL também ensaiava uma aliança com Esperidião Amin. A virtual chapa com Carlos e Amin, contudo, não avançou. Durante as negociações, Carol cogitou se filiar ao Novo.
Nas redes sociais, após eleita, ela agradeceu os votos e afirmou que pretende atuar pela responsabilização de autoridades, inclusive ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), em caso de irregularidades.
“Nenhuma autoridade, por mais alto que seja o órgão em que esteja, pode estar acima da lei ou dos demais brasileiros”, disse.
O PL, partido da deputada, busca uma maioria no Senado capaz de aprovar a anistia aos presos do 8 de janeiro e levar adiante o impeachment de ministros do STF.

