Lula aprofunda campanha do medo contra Flávio Bolsonaro e cita Argentina e áudio de garoto com fome

"Milei destruiu a Argentina. Você vai deixar Flávio destruir o Brasil", diz o locutor ao fim do vídeo.

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A campanha à reeleição do presidente Lula (PT) aprofundou a tentativa de despertar no eleitorado o medo de perder benefícios sociais em caso de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), recorrendo a casos como o da Argentina e o de um menino que, em 2022, ligou para a Polícia Militar e relatou não ter o que comer. As referências estão em vídeos de campanha e declarações públicas de políticos.

Lula terminou o primeiro turno com 45% dos votos válidos, dois pontos percentuais a menos do que Flávio Bolsonaro. Nos dias seguintes, conduziu uma reformulação em sua campanha. A promoção do medo de perda de proteção social em caso de vitória de Flávio foi um dos principais pontos.

Os petistas têm explorado especialmente a relação entre o bolsonarismo e o presidente da Argentina, Javier Milei, que implantou uma política de liberalismo econômico no país vizinho. Milei conseguiu reduzir a inflação na Argentina, mas a pobreza no país voltou a crescer neste ano – havia atingido um pico em 2024 e recuado em 2025, tudo no mandato do atual presidente. Cerca de 30 mil empresas fecharam no país vizinho desde que Milei assumiu o cargo.

Na quarta-feira (15), Lula compartilhou um vídeo nas redes sociais que mostra Flávio Bolsonaro e sua aliada Daniela Marques elogiando Milei. A peça também exibe notícias sobre falta de emprego e falência de empresas na Argentina. Em seguida, são exibidas notícias sobre desemprego no governo de Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio. Ao final, há um corte em que o senador aparece dando a seguinte declaração: “Você acredita em coincidência? Não”.

Em outra peça, a campanha petista exibe Daniela Marques elogiando Milei e, com trilha sonora dramática, enfileira notícias sobre problemas sociais no país vizinho, como um aumento no consumo da carne de burro no lugar da bovina. Também menciona o suposto consumo de gatos e animais de rua na cidade de Córdoba. “Milei destruiu a Argentina. Você vai deixar Flávio destruir o Brasil”, diz o locutor ao fim do vídeo.

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O presidente do PT, Edinho Silva, coordenador da campanha de Lula, disse em entrevista à Folha de S.Paulo que a relação é feita por causa da promessa de Flávio de promover um “tesouraço” nas despesas públicas. “Tesoura vai cortar o quê? Imediatamente as pessoas fazem uma comparação com a motosserra do Milei na Argentina”, disse ele.

Milei viajou ao Brasil em julho para participar da convenção partidária que oficializou a candidatura presidencial de Flávio. Também queria visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, mas foi impedido por decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

A comparação com a Argentina inverte uma situação que causou desgaste aos políticos petistas por anos: políticos de direita afirmavam que Lula e seu grupo político transformariam o Brasil em uma nova Venezuela. Jair Bolsonaro, por exemplo, dizia que não havia mais animais naquele país – “comeram tudo”, declarou em uma oportunidade segurando um filhote de cachorro.

Lula se afastou do regime chavista ao longo do atual governo. Em janeiro deste ano, forças americanas invadiram Caracas, capturaram o então ditador Nicolás Maduro e o levaram para os Estados Unidos. A Venezuela passou a ser administrada por uma estrutura de poder encabeçada por lideranças chavistas, mas agora sob tutela do governo de Donald Trump, referência do bolsonarismo.

Em outra peça de propaganda, a campanha de Lula reproduz áudio de um menino de 11 anos que, no último ano do governo de Jair Bolsonaro (PL), ligou para a polícia em Minas Gerais e relatou não ter comida em casa. “Antes de votar neste ano, relembre o que aconteceu em 2022 com o Miguel, de 11 anos”, diz uma narradora no vídeo.

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A busca por despertar no eleitorado o medo de uma eleição de Flávio Bolsonaro, em um esforço que inclui diversas outras peças publicitárias e discursos, tem sido considerada bem-sucedida por integrantes da campanha.

O senador passou a responder às acusações publicamente, dizendo que não cortará benefícios sociais. O deputado bolsonarista Gustavo Gayer (PL-GO), por exemplo, disse a apoiadores que “a campanha de terrorismo eleitoral que o Lula e o PT estão fazendo de forma criminosa” e a mobilização lulista têm tido impacto na disputa.

Pesquisa Quaest mostrou que 43% do eleitorado tem mais medo de uma volta dos Bolsonaros ao poder, enquanto outros 43% temem mais uma reeleição de Lula. Na pesquisa anterior, 43% temiam mais Lula e 40%, a família Bolsonaro. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

O mesmo levantamento mostrou o senador numericamente à frente de Lula em intenções de voto para o segundo turno, com 46% a 44%. É um empate técnico dentro da margem de erro, mas com números parecidos com os resultados do primeiro turno.

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