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A evolução da moda íntima feminina em exposição no Museu Histórico de Itajaí

“A mostra revela as preferências estéticas, a evolução das atitudes culturais em relação à feminilidade, ao corpo e a privacidade”, diz a professora Graziela Morelli, responsável pela Modateca, que realiza a exposição. 

A mostra ‘Intimidades: Um olhar sobre a moda íntima feminina’ promete uma viagem no tempo, especialmente para as mulheres, que poderão apreciar de perto o impacto das mudanças nos dias atuais.

A exposição ficará aberta ao público até 2 de março, no Museu Histórico de Itajaí, com entrada gratuita, de terça a sexta-feira, das 8h30 às 18h30 e aos sábados, das 9h às 13h.

O acervo de peças íntimas, como espartilhos, cintas modeladoras, peignoirs, camisolas e cintas-ligas, marca um período que se inicia no século XIX e se estende até a década de 1960. 

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A exposição é organizada pela Modateca da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) em parceria com o Museu Histórico da cidade e reúne acervo das duas instituições organizadoras. 

O professor Renato Riffel, coordenador dos cursos de Design e Design de Moda, Tayná Castro, museóloga do Museu Histórico de Itajaí e a professora Graziela Morelli,  responsável pela Modateca Univali (Divulgação/Univali)

A curadoria é dos professores da Univali, Renato Riffel e Graziela Morelli, e da museóloga do Museu Histórico de Itajaí, Tayná Castro. A exposição também tem apoio do curso de Design de Moda da Univali e da Escola Politécnica.

(Arquivo Pessoal)

A professora Graziela Morelli, responsável pela Modateca Univali, é a entrevistada da semana, para falar sobre a exposição. Acompanhe:

JP3 – Qual o objetivo da exposição?

Graziela – A intenção da exposição é promover reflexões sobre os significados dos trajes íntimos nas sociedades ocidentais, percebendo-os como parte inseparável dos ritos de construção da figura feminina ao longo da história. A exposição apresenta peças íntimas que fazem parte do acervo da Modateca da Univali e do Museu Histórico de Itajaí ao longo do tempo.

Podemos perceber, através da exposição as preferências estéticas, a evolução das atitudes culturais em relação à feminilidade, ao corpo e a privacidade. Ao longo das eras, as roupas íntimas desempenharam papéis variados, refletindo as normas sociais e as demandas de cada época.

JP3 – Quantas peças estão em exposição?

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Graziela – São 21 peças expostas entre espartilhos, cintas ligas, calcinhas e calçolas, camisolas, sutiãs e meias calças.

JP3 – Quais são as principais peças na mostra?

Graziela – Do acervo pertencente a Hildegard Burghardt, membro da elite itajaiense no século XX, estão na exposição uma camisola e uma cinta modeladora. Sua coleção, doada em 1994 pela família, juntamente com outros bens, proporciona uma visão única das tendências e estilos da época. 

Outro destaque são as roupas que pertenceram a Araci Sedrez, remetendo aos anos de 1960. Nascida em 1931, ela sempre foi interessada por moda, teve dois empregos na área do comércio de roupas e tecidos. Faleceu em 2013, deixando um acervo de roupas, calçados e tecidos, sendo que parte destas peças foram doadas ao museu em 2022 por sua família. Desta coleção estão um sutiã da década de 1960 e duas cintas ligas.

A coleção de espartilhos e cintas modeladoras pertencentes ao acervo da Modateca Univali, são exemplos raros de artigos de fabricação alemã que chegaram ao Brasil na bagagem de Albertina Burow Von Buettner, que aportou em Blumenau no fim do século XIX para cumprir a função de leitora para uma tia que estava ficando cega. Ela se casou com o fundador da empresa Buettner S.A. e mudou-se posteriormente para a cidade de Brusque.

Alguns ítens da mostra revelam os momentos de intimidade relacionados à maternidade, como a cinta modeladora fabricada para mulheres grávidas, o pegnoir de cetim vermelho que compunha o enxoval da gestante ou, ainda a camisola rosa que possui aberturas na altura dos seios para facilitar a amamentação.

JP3 – O que mais chama atenção do público?

Graziela – Acredito que os espartilhos do século 19, pois são as peças mais distantes do que faz parte do vestuário dos dias de hoje.

JP3 – Este acervo foi adquirido onde ou produzido por quem?

Graziela – Parte do acervo foi doado ao Museu Histórico de Itajaí e parte dele foi doado para a Modateca. Todas as peças chegaram às duas entidades em forma de doação pelas famílias dos usuários ou entes próximos.

JP3 – A mostra apresenta roupas do século 19 em diante. Qual era a importância da roupa íntima na vida das mulheres naquela época?

Graziela – A história da moda íntima feminina compõe uma narrativa que revela não apenas as mudanças nas preferências estéticas, mas também a evolução das atitudes culturais em relação à feminilidade, ao corpo e à privacidade. Ao longo das eras, as roupas íntimas desempenharam papéis variados, refletindo as normas sociais e as demandas de cada época.

O século XX testemunhou mudanças significativas nas roupas íntimas femininas. A invenção do sutiã, por volta de 1913, trouxe uma alternativa mais confortável ao espartilho. Nos anos 1920, as mulheres adotaram estilos mais andróginos e o busto menos enfatizado, enquanto os anos 1930 viram a introdução da lingerie sedutora, influenciada pela moda francesa. A partir da segunda metade do século XX, nos anos 1940 e 1950, a lingerie continuou a evoluir. O glamour cinematográfico influenciou a popularidade de conjuntos de sutiã e calcinha, muitas vezes adornados com renda. A sensualidade foi enfatizada, com o surgimento de peças como corsets e cintas-ligas. Durante os anos 1960, a revolução cultural trouxe consigo uma abordagem mais descontraída para a moda íntima, refletindo a liberação sexual da época.

Nas décadas mais recentes, a moda íntima tornou-se mais diversificada, abraçando diferentes formas, tamanhos e estilos. A lingerie esportiva ganhou popularidade, refletindo o aumento do interesse das mulheres em atividades físicas. 

Para além das mudanças, pode-se perceber que grande parte das roupas íntimas femininas possuem aberturas na parte traseira da roupa ao longo do tempo, enquanto no vestuário masculino as aberturas geralmente concentram-se na parte dianteira. 

Essa questão nos leva a considerar a questão da falta de liberdade da mulher e da necessidade de sempre precisar de ajuda de uma segunda pessoa para se vestir ou despir, seja de uma empregada ou do marido, amante.

JP3 – Como aconteceu a evolução destas peças?

Graziela – A mudança das peças acompanha as transformações tecnológicas no que diz respeito ao têxtil – o surgimento do elastano, por exemplo, mas também as transformações da moda e das preferências estéticas em termos de corpo, ou seja, valorização de determinadas partes do corpo, silhuetas evidentes na moda e pudor.

JP3 – A Modateca tem quantos anos na Univali?

Graziela – Foi criada em 2010, é um laboratório vinculado ao curso de Design de Moda da instituição, tendo como principal objetivo promover a organização, a guarda e a conservação de um acervo composto por produtos, materiais e imagens relacionados ao processo de produção, uso e comercialização de artigos têxteis e de moda no Brasil e, principalmente em Santa Catarina. 

A importância de investigar e documentar a trajetória das peças de roupa e acessórios utilizados ao longo dos tempos é evidente, desde sua fabricação até seu ingresso nos espaços de salvaguarda e conservação, como museus e modatecas. Compreender o processo de fabricação, descobrir quem as utilizou, se foram adquiridas ou presenteadas, e acompanhar sua jornada também dentro das instituições são elementos essenciais desse contexto. A pesquisa realizada dentro do museu e da modateca desempenha um papel crucial ao revelar os diversos contextos pelos quais os objetos passaram ao longo do tempo.

JP3 – Como é organizado o acervo?

Graziela – As peças do acervo estão em grande parte catalogadas no sistema Pergamum da Biblioteca da Univali e podem ser pesquisadas. Grande parte das peças pode ser consultada no sistema e, através de um agendamento, pode ser disponibilizada para pesquisa local (contato com a peça). A Modateca está aberta de segunda a sexta-feira das 13h30 às 17h30min no bloco 4 sala 204 do Campus Balneário Camboriú.

Todas as peças do acervo são oriundas de doação de pessoas físicas e jurídicas. Qualquer pessoa pode doar peças para a modateca. Basta entrar em contato pelo email [email protected] ou (47)99192-5770. 

Desde a sua criação em 2010 foi coordenada pelo professor Renato Riffel, historiador e atualmente coordenador dos cursos de Design e Design de Moda da Univali e, desde 2022, pela professora Graziela Morelli, responsável pelo laboratório.

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