- Publicidade -
- Publicidade -
23 C
Balneário Camboriú
- Publicidade -

Leia também

- Publicidade -

Dando Baumgartner lança biografia: em entrevista ao Página 3, revela memórias e visão sobre o futuro da moda

O empresário Anderson Baumgartner, mais conhecido como Dando, é natural de Itajaí e apaixonado por Balneário Camboriú. 

Dono da maior agência de modelos e celebridades do país, a Way, Dando lançou nesta quinta (31), no Balneário Shopping, o seu livro de memórias – o “Dando a volta por cima”. 

O Página 3 esteve lá para conversar com ele, que compartilhou um pouco de suas vivências, incluindo como vê a mudança da moda nos últimos anos. Acompanhe abaixo.

- Publicidade -

JP3: Como surgiu a vontade de lançar um livro contando a sua história?

Dando: Eu não tenho como mudar a minha história, ela me acompanha a minha vida inteira, óbvio. Com alguns amigos eu comentava, como com o Jô Soares, há muitos anos, quando não estava nem na metade. Ele me disse: “Dando, você tem que escrever um livro”, e olha que ele só sabia do começo da minha história em São Paulo. Eu e meu irmão [o fotógrafo Fábio Bartelt] nunca saímos falando por aí, porque é a nossa vida. Eu evitei falar porque iriam dizer “então vocês não são família de verdade”. Eu estava falando com a Giovanna Ewbank [atriz, youtuber e esposa do Bruno Gagliasso] e comentamos ‘por que as pessoas falam o filho adotivo de fulano’? [Giovanna têm filhos adotivos]. Porque é filho, é irmão, independente se foi gerado na barriga ou não. Então, eu evitava falar. Um dia, antes de ser empresário do Thales [Bretas] ou do Paulo Gustavo, nós sempre fomos muito amigos, e em uma conversa boba com o Fábio e a Carol [Trentini, supermodelo e esposa de Fábio/cunhada de Dando], perguntaram por que usamos sobrenomes diferentes, e falamos que é porque eu sou adotivo e eles ficaram chocados, porque todos dizem que somos muito parecidos. Para nós é tão normal que eu até esqueço. Ao contar mais da minha história, vi eles chorando, e foi unânime entre eles que eu deveria contar a minha história em um livro, mas até agora eu tinha deixado em ‘standby’.

JP3: Você pode contar um pouco da sua história?

Dando: Sim. Apesar de ser canceriano, dramático, nesse lugar da minha vida eu nunca quis fazer drama. Prefiro fazer drama no dia a dia, com o marido, com o trabalho (risos). Eu não queria que as pessoas me olhassem com pena, ‘ah, coitadinho’. Eu nunca quis isso. Quando eu tinha 10 anos, minha mãe biológica morreu de choque elétrico na máquina de lavar roupa, meu pai já era separado dela e faleceu logo depois, até que eu fui adotado aos 12 anos. O Fábio estudava comigo e minha mãe [adotiva] foi lá e me resgatou. Contei para o Paulo e para o Thales, na época, e eles realmente choraram na mesa do jantar. Falaram que nunca imaginaram que isso havia acontecido comigo, porque diziam que eu era uma pessoa para frente, sempre feliz, amoroso. E eu sempre digo que tenho muito mais motivo para ser feliz e amoroso do que o contrário. A vida me devolveu muito. O Paulo sempre me disse “você deveria escrever um livro para ajudar as pessoas e incentivar”. E eu sempre tive em mim que quem faz biografia é famoso, o Pelé, a Xuxa, a Lady Di… porque eu não sou nada famoso. Mas depois que aconteceu tudo o que aconteceu com o Paulo Gustavo, que foi esse baque na minha vida e na de tanta gente, eu vi que a vida é muito frágil, porque eu estava com o Paulo uma semana antes de ele ser contaminado… ele era uma vida explosiva, um furacão. Ver aquela vida se apagar foi muito chocante, muito traumatizante. Por causa dele, eu pensei que a vida podia se apagar a qualquer instante e aí eu pensei ‘vou escrever o livro’. Se eu mudar a vida de uma pessoa, vou estar bem e realizado. E já recebi mensagens de pessoas que ainda nem leram o livro dizendo que eu estou incentivando elas, que estão indo atrás do que querem.

JP3: E como foi o seu começo? Você nasceu e cresceu em Itajaí, aqui do lado de Balneário…

Dando: Eu não tinha contato com o mundo externo, porque não tinha condição para isso – pobre, órfão, não existia internet… Itajaí para Balneário era uma viagem, literalmente. Eu não tinha contato com o que eu sonhava em ser, que era trabalhar com modelos, algo que eu só descobri aos 15 anos. Eu não tinha padrinhos, não tinha ninguém ‘lá’ e eu não desanimei. Quero que as pessoas, ao lerem o livro, saibam que elas podem fazer, sim.

JP3: Você sempre fala do Paulo Gustavo, inclusive destacando o quanto ele te incentivou com o livro… como você define a amizade de vocês e todas as trocas?

- Publicidade -
Dando com Paulo Gustavo (Divulgação)
Dando com Thales (Divulgação)

Dando: Perder o Paulo foi um dos momentos mais tristes da minha vida, obviamente. Além de ser empresário dele, éramos muito amigos. Eu falava, em média, com o Paulo Gustavo, cinco vezes por dia. Inclusive eu trouxe ele no Balneário Shopping, no cinema, era final do ano de 2019. Estávamos com ‘Minha Mãe É Uma Peça 3’ em cartaz e tinha batido dois milhões de espectadores, e falamos que tínhamos que comemorar e eu falei ‘e se a gente for em uma sala de cinema?’ e ele amou a ideia! Liguei para a Elizângela [Cardoso, superintendente do Balneário Shopping] e ela esquematizou tudo e foi maravilhoso. Éramos muito próximos. O último Réveillon, antes da pandemia, passamos em Balneário, juntos, com os dois filhos dele e do Thales. Perder o Paulo, para mim, foi completamente inesperado e chocante. Todo o Brasil sabia da força e da vida que ele tinha, que se apagou ali naquele momento porque não tinha vacina. Eu passei 54 dias acompanhando todos os passos – quando estava com sintomas, quando confirmou, quando precisou ser internado em 13 de março, e 4 de maio, quando saiu de lá morto. Foi muito traumatizante. Eu estava lá quando ele faleceu, estávamos todos juntos, orando. O que eu aprendi com o Paulo foi ‘não deixe para amanhã, faça hoje’, ‘se você tem uma história para contar, conte’, ‘se você tem algo que quer fazer, faça’… porque o Paulo era isso, essa explosão de não deixar para amanhã o que você pode fazer hoje. E eu aprendi isso com ele: viva agora, vamos viver, vamos fazer. Com o Thales e com os meninos [Romeu e Gael] eu estou sempre, minha casa em SP é a casa deles, a base deles, assim como a casa deles no RJ é para mim. Eles estarão em Balneário Camboriú no 7 de setembro, vão para o Beto Carrero, vão aproveitar aqui.

Os irmãos Dando e Fábio (Divulgação)

JP3: Apesar de viver há muitos anos em SP, você sempre mostra o quanto Balneário Camboriú é sua casa, tanto que lançou o livro lá e aqui. Por quê?

Dando: Então, em SP tudo aconteceu. Minha vida mudou em SP, fui para lá com uma mão na frente e outra atrás, como está no livro… é a terra das oportunidades, onde eu também mudo a vida de muitas pessoas, são 25 anos de carreira, onde mudei incontáveis vidas. Mas Balneário e Itajaí, que para mim é a mesma coisa, tenho apartamento aqui, minha família [Carol Trentini e o irmão Fábio] se baseiam aqui e aqui moram, junto com meus sobrinhos. Eles vão para o mundo inteiro, mas voltam para Balneário, e eu também. Se fico mais de 20 dias sem estar aqui, me dá ansiedade, porque é aqui que recarrego as minhas energias. Trago todos os meus amigos, faço questão que todos venham conhecer, assim como fiz com o Paulo Gustavo. Pensei: não sou Leandro Karnal para lançar livro no Brasil inteiro e ter público (risos), então resolvi lançar em SP, onde vivo, e em Balneário, minha terra, onde tenho meus amigos de infância e família. O meu livro tem até metade em Balneário e Itajaí e outra metade SP – aqui é o começo do livro e SP o final. Por isso, as duas cidades. Tive convites para lançar no Rio de Janeiro, Porto Alegre, mas é só aqui e SP que quero, que fazem sentido para mim.

Em família com Carol, sobrinhos e o irmão Fábio (Divulgação)

JP3: Para fechar, você tem 25 anos de carreira, muita história para contar, e também viveu e viu a moda mudar muito… como vê o atual cenário?

Dando: A moda mudou 100%. Não vou nem falar de quando comecei para cá, porque seria hipócrita – a moda mudou recentemente, acabamos de alcançar essas conquistas, mas posso dizer que graças a Deus elas são irreversíveis e a moda nunca mais vai voltar – nunca mais deixaremos de ter modelos plus size, negras, transsexuais, pessoas mais velhas. Porque o mundo entendeu que os consumidores precisam se sentir representados e a moda é esse espelho – todo mundo usa roupa, sapato. Não existe como vender um creme de ruga para uma senhora de 60 anos usando uma menina de 18. Não é verdade aquilo. Photoshop não é mais tão bem visto, como era antigamente. As pessoas querem o real. Por exemplo, uma mulher quer comprar um novo casaco de inverno – ela tem 45 anos, não tem 1.80 e não é magra como uma modelo de passarela – ela quer ver alguém usando o casaco que ela quer comprar que seja parecida com ela, para pensar ‘me vejo nessa roupa’. Por isso, digo que é irreversível. Tudo bem, a moda vende tendência, magia. Mas dá para vender magia em um corpo plus size, em uma modelo de 70 anos… e é lindo! Quem não fizer, vai acontecer o que aconteceu com a Victoria Secrets, que foi completamente cancelada, perderam muitas vendas e espaço gigantesco, porque uma pessoa que trabalhava lá dentro disse ‘na passarela da VS não vai ter plus size, não vai ter transsexual’ e o mundo cancelou. Pode ter continuado vendendo, mas será que como antes? Provavelmente não, porque não estariam se redimindo como estão fazendo agora [e apresentarão um novo VS Fashion Show, repaginado, ainda neste ano]. Veio a Rihanna, com a Fenty, com novos corpos, ao contrário da VS. Mas lembrando que há corpos magros, minha cunhada, Carol Trentini é alta, magra, e come mais do que eu. Eu sempre me cuido, faço dieta, e ela come tudo, pizza, hambúrguer… e existem outras mulheres como ela – magras e altas. A moda é para todos. Não pode haver restrição.

O livro de Dando pode ser adquirido online ou na Livraria Catarinense, no Balneário Shopping, por R$ 59.

- Publicidade -
- publicidade -
- publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -