Nicolas Hafner, morador de Balneário Camboriú, campeão do ‘Pequenos Gênios’, do programa Domingão com Huck

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Nicolas Hafner, de 13 anos, morador de Balneário Camboriú, foi um dos vencedores do Pequenos Gênios, quadro do programa Domingão com Huck. A final aconteceu no domingo (24). 

Nicolas foi o único representante de Santa Catarina na edição deste ano e foi selecionado entre sete mil candidatos. Ele participou do trio ‘Globogênios’, com Helena Silveira, de Jacareí (SP), e Isabella Mendes, de Irecê (BA). 

Nicolas conversou com o Página 3 nesta semana após a vitória e contou como foi a experiência e também como está sendo o pós, com as homenagens que vêm recebendo. Acompanhe abaixo.

WCNoClick/Domingão com Huck/Rede Globo

JP3: Como você recebeu a notícia de que seria um dos participantes do Pequenos Gênios?

Nicolas: Foram sete mil crianças inscritas nos Pequenos Gênios, daí o professor Zé contou para as 24 crianças que se classificaram que elas estavam nos Pequenos Gênios.Todos os 24 ficaram muito felizes, né?

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JP3: O que mais te marcou durante a participação no programa? Qual foi o momento mais emocionante no palco do Domingão?

Nicolas: O que mais me marcou na participação do programa foi que todas as crianças estavam juntas no hotel, e a gente brincou muito, conversou muito, foi muito divertido. No palco do Domingão o que eu mais gostei foi fazer o triturador de números, aquelas contas enormes. Eu bati o recorde da temporada no sexto episódio da temporada, quando eu fiz 13 linhas e 33 pontos. 

No quadro Triturador de Números (WCNoClick/Domingão com Huck/Rede Globo)

JP3: Teve algum desafio ou etapa que achou mais difícil? Como lidou com isso?

Nicolas: Os Invencríveis! Quando disputamos com eles na semifinal. Foi difícil porque o Aron, ele era bem fofo e pitico, soletrava muitas palavras ao contrário! E também no gênio localizador… cara, a gente começou atrás, né? Porque o Caio queimava a largada, daí o Aron sabia dos frames e a Mafê respondia tudo, era a quarta voz do time deles e aí ela já falava as curiosidades das cidades. Nos outros confrontos eles não falavam as curiosidades das cidades, porque o Luciano Huck não pedia… aí depois, no final, eu queimei a largada! E daí no triturador eu consegui ultrapassar o time dos Invencríveis e assumir a liderança. E daí deu certo, ufa!

JP3: O que significou, para você e para sua família, essa conquista? Nicolas: Eu fui no Pequenos Gênios para poder brincar, mostrar todo o meu talento, dar uma aula… Eu sempre gostava de ver na TV, eu pedia para participar. E agora conseguimos de primeira e quase que não dava mais tempo, porque é só até os 13 anos. E foi importante essa conquista para a nossa família, porque eu tenho dupla excepcionalidade, sou autista e tenho altas habilidades. Para nós foi muito importante porque quando eu tive o diagnóstico, com dois anos, foi um desafio grande. Acredito que seja um desafio grande para todas as famílias que recebem um diagnóstico assim, e logo depois, quando nós aplicamos as terapias, meus pais perceberam que eu tinha algo mais, pois eu era muito inteligente, tinha uma memória fabulosa, e logo me autoalfabetizei, e fazia os cálculos.

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Com os pais Ângelo e Elidiane e Luciano Huck (WCNoClick/Domingão com Huck/Rede Globo)

Elidiane, mãe do Nicolas: Entendemos que a gente precisava ajudá-lo, porque essas crianças não vêm prontas, elas precisam de ajuda, e quando a família abraça o diagnóstico, ela consegue dar autonomia para essas crianças e essas crianças voam muito alto, isso que é importante. Gostaria que essa experiência que a gente passou pudesse influenciar essas famílias que hoje recebem o diagnóstico e muitas vezes ficam receosas, com medo e às vezes até com vergonha, mas não é esse o caminho, não. O caminho é de aceitar e de caminhar junto com a criança, para que essa criança possa ter autonomia e possa fazer bonito nacionalmente, como o Nicolas fez, como a Bella fez e como a Helena também fez (participantes do time de Nicolas). A Helena tem altas habilidades, porém ela não tem autismo, mas ela representa toda a população típica que poderia acolher essas crianças, como ela acolheu o Nicolas e a Bella. Os Globogênios (time de Nicolas no programa) representam muita coisa, principalmente para as famílias autistas.

JP3: Quais foram os principais aprendizados que você leva dessa experiência?

Nicolas: Eu viajei para o Rio de Janeiro três vezes, contando ida e volta. Eu também fiz vários amigos dessa temporada dos Pequenos Gênios. Até encontrei participantes de outras temporadas, que estavam lá.

Elidiane, mãe do Nicolas: Essa confraternização deles é muito bonita de se ver, porque essas crianças com altas habilidades muitas vezes elas são solitárias nas escolas, porque elas não são compreendidas, muitas vezes elas se isolam porque elas precisam estar frequentando na aula coisas que elas já, digamos, em cinco minutos elas entendem toda a matéria… enquanto as outras crianças precisam de um tempo maior, e aí elas se fecham. E lá no hotel e na Globo também, a gente via que quando as crianças se encontravam era tão bonito, porque parecia que eles conversavam uma outra língua, até depoimento de uma outra mãe, a mãe do Miguel, que o Miguel ele é um autista mais comprometido, e aí ela ficou maravilhada porque ele conversava com o Nícolas, e ela disse que nunca viu o Miguel conversar com outra criança e ele estava conversando com o Nícolas. E era tão lindo. A gente posta muito esses momentos no Instagram do Nícolas para as pessoas verem que é tão lindo a inocência das crianças e essa confraternização que eles fazem é muito bonito… acho que essa foi a melhor experiência, o melhor ganho que eles tiveram.

WCNoClick/Domingão com Huck/Rede Globo

JP3: Aqui em Balneário Camboriú e região você está recebendo várias homenagens, como o outdoor da sua escola e a moção que vai receber na Câmara de Vereadores. Como você se sente com esse reconhecimento?

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Nicolas: Muito feliz, né? Está muito legal também! Eu quero dizer para as famílias que têm crianças autistas que isso não é um problema. Que é possível ser uma criança autônoma e aparecer num programa de televisão e ganhar um prêmio! Que as diferenças quem faz é Deus.

JP3: Depois dessa experiência, quais são os seus sonhos e objetivos daqui pra frente? Você já tem uma área de conhecimento ou profissão que gostaria de seguir no futuro?

Nicolas: Ah, eu posso ser engenheiro eletricista ou engenheiro de petróleo também. Essas duas áreas que eu gosto. A área que eu mais me interesso é Matemática. Eu também tinha muito interesse em química para balancear equação química também. A tabela periódica eu já sei de muita coisa, mas balancear a equação química eu ainda não sei… eu estou aprendendo!

JP3: Que mensagem você gostaria de deixar para outras crianças e jovens que também são autistas ou superdotados e que podem se inspirar na sua história?

Nicolas: Sempre orar a Deus para ajudar nos estudos, também estudar bastante o que tem interesse de aprender e também agradecer… é muito importante agradecer!

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