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Balneário Camboriú
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Pita Camargo: uma trajetória de quatro décadas de sucesso na arte do desenho, da gravura e da escultura

Em Balneário Camboriú a marca registrada em obras na Barra Sul, no Ruth Cardoso e em vários prédios

O escultor blumenauense Pita Camargo é um dos convidados da quinta temporada de exposições do Museu de Arte de Blumenau (MAB), que abre na quinta-feira (9), com obras de artistas de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. As mostras ficarão abertas ao público até dia 31 de janeiro de 2024.

Nesta exposição, Pita Camargo apresenta gravuras, giz pastel, a primeira escultura em bronze, a primeira escultura em mármore e várias obras em mármore e granito, do início de sua trajetória até a atualidade.

“Ao caminhar pelo atelier, selecionar as obras, percebe-se a atividade, a energia criativa, as ideias e conceitos do escultor, a confiança na sua produção, e a vontade de realizar sua vocação expressiva, em grandes e pequenos formatos, diferentes durezas e texturas experimentadas. As linhas, traços e formas, estão presentes em suas obras, nos desenhos e gravuras, expandindo-se para o tridimensional através da escultura em bronze, mármore e granito. Para Pita Camargo, o desenho é potência, e compõe o processo de criação escultórica”, define a curadora (e esposa), Lilian Martins. 

Em seu atelier, um pouco do ambiente criativo: amplo espaço ladeado de verde, os cães sempre por perto, toneladas de rochas pelo jardim (Foto Lilian Martins)

Ela segue contando que desde o início da trajetória do artista, o desenho é seu cunho pessoal, a assinatura expressiva e individual, presente na figuração dos desenhos em giz pastel, como retratos íntimos do lar. 

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A partir do contato com a gravura em metal e a litogravura, a linha é conduzida para o campo tridimensional do bronze, como em “A Mulher e a Esfera”. 

“Do mármore branco ao granito negro, as linhas assumem a geometrização, e os volumes a cinética, em esculturas que giram em torno do seu eixo que assentem uma ventura ao toque. No retorno à cor, a composição de obras com rochas em cinza, vermelho e azul. O amplo e equipado atelier é estruturado com excelência para transpor os obstáculos do peso, da dimensão e resistência da matéria, e extravasar a dinâmica da atividade vital, de construir significados através da escultura. Contrapondo a efemeridade dos tempos atuais, a produção de Pita Camargo é intensa e profunda, numa elaboração harmoniosa alicerçada em domínio técnico ao lapidar a matéria bruta e extrair desta a verdade sincera de sua existência”, descreve Lilian.

Pita Camargo tem uma trajetória consolidada na escultura catarinense, com participação sucessiva em mostras de artes individuais, coletivas, mostras de decoração e leilões de arte, o escultor atua no circuito artístico de Santa Catarina, com exposições em importantes museus, como MASC, MAB, MAJ, MuBE, e obras que integram espaços públicos de Blumenau, Balneário Camboriú, Itapema, Brusque, Bombinhas, Pomerode, Joinville, Florianópolis e São Paulo. 

Sua produção é apresentada em publicações como “Construtores das Artes Visuais, cinco séculos de arte em Santa Catarina”, volume 2, e da Dvdteca do Instituto Arte na Escola. 

Pita Camargo possui um completo atelier na cidade de Gaspar. A mostra “Pita Camargo 40 anos de arte – um recorte do acervo do escultor” abre no dia 9 de novembro de 2023, com a conversa com os artistas da Temporada de Exposições às 19 horas.

Os artistas 

Serão abertas simultaneamente, na noite da quinta-feira 9 de novembro, as seguintes mostras:

  • Paisagens Oníricas, coletivo do Rio Grande do Sul formado por Becca Wiskov, Giovana Hemb, Karina Koslowski, Lisi Wendel, Lu Gaudenzi e Paola Mesquita, com curadoria de Ana Zavadil;
  • A Dança de Carmen Rocha (Paraná) – curadoria Amélia Siegel Corrêa, 
  • Cidade Fabricada de Rogério Negrão (SC) – curadoria Gleber Pieniz,
  • Tessituras Poéticas de Antonio Montibeller e Sandra Winkler (SC) – curadoria Arian Grasmuk, 
  • Pita Camargo – 40 anos de Arte – um recorte do acervo do escultor (SC) – curadoria Lilian Martins. 

A noite contará com o lançamento dos livros “Borboletas no Jardim”, autoria de Raquel Gastaldi, “Um Outro Olhar”, autoria de Samuel de Oliveira e apresentação musical. 

Nesta entrevista, o escultor que tem muitas obras em Balneário Camboriú, fala sobre suas quatro décadas de carreira e anuncia que tem ainda muita arte para produzir e mostrar. Acompanhe:

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JP3 – O que representam essas quatro décadas de profissão?

Pita – Representa seguir um objetivo, ter um sentido na vida, não desistir, ser persistente, ser feliz no que se faz e conseguir respeito pelo trabalho, que é árduo, poder viver da arte. Essas quatro décadas para mim são muito importantes, me sinto muito feliz. Ser artista é um privilégio. Em quatro décadas me sinto no caminho certo para trabalhar muito mais, conseguir muito mais, mais obras, mais trabalhos, fazer cada vez melhor e nunca estar satisfeito, a gente tem a própria linguagem e nela a gente busca se comunicar no tempo contemporâneo. Estas quatro décadas representam uma grande realização para mim, fico feliz e agradecido.

Essa mostra é um recorte íntimo do atelier, com obras da trajetória nestas quatro décadas de produção dentro do acervo pessoal, é possível perceber a força expressiva desde os desenhos a giz pastel do início da carreira (Foto Lilian Martins)

JP3 – Como surgiu a escultura na tua vida?

Pita – Desde criança desenhava muito a lápis, fazia os cartazes de Anchieta, Tiradentes, no Colégio Pedro II e tentei pintar, não me adaptei, iniciei com giz pastel até os 16 anos e nessa época fiz minhas primeiras peças modeladas em argila e quando fui morar em Curitiba e trabalhar no atelier de escultura Parque São Lourenço da Fundação Cultural de Curitiba com o mestre Elvo, grande nome da escultura,  fiz minha primeira peça em bronze, em 87…e quando fundi, fiz o trabalho de  modelagem, a cera, o processo de derretimento da cera, ali me senti realizado com essa alquimia e desde essa época eu soube que o meu objetivo na vida, era esse, essa fundição em bronze me reforçou o que eu já sabia, que fazer escultura é além do desenho, é uma realidade livremente feita, não é um sonho, ela ocupa seu espaço e tem sua própria linguagem.

JP3 – O que faltou ou está faltando até aqui?

Pita – Muitas obras…tenho toneladas de pedras no meu atelier, quando posso sempre invisto em mais um transporte com caminhão desde mármore e granito, lapidar essas pedras, investir mais no meu atelier, pretendo colocar obras no meu jardim, montar uma galeria, montar os fornos para fundição aqui, porque o atelier de Curitiba fechou, lá sempre era muito bom, porque lá além do Elvo, do pessoal, tínhamos um grupo de trabalho, mas não existe mais…então agora vou montar minha própria fundição no meu atelier, já tenho fornos para cerâmica, prensa de gravura para trabalhar com minha esposa Lilian, vamos montar um atelier completo, o maior atelier diversificado, desde gravura, cerâmica, fundição em bronze, trabalhos em pedra, cada vez me dedicar mais a este atelier.

Lilian, artista e curadora da exposição com o marido Pita (Arquivo pessoal)

JP3 – Quais são as obras mais importantes desta trajetória?

Pita – Inicialmente os meus desenhos a giz pastel sobre papel que é o meu acervo, que representa minha essência visceral expressionista do início da minha trajetória. Na escultura, os trabalhos mais importantes em cada época, em 89 fiz uma cerâmica de quase 13 metros de altura por 2,80m, com quase mil peças, que é uma cerâmica em alto relevo, figuras humanas subindo, chegando a um sol, que é a perfeição, essa obra representava essa época.  Hoje é o Quality Hotel, é uma cerâmica enorme; um painel em relevo de 4mx1,5m, na Nereu Ramos; tenho marcos históricos como Vasto Verde, Marco Centenário da Sagrada Família em Blumenau, Marco Inicial de Blumenau, na Rua das Palmeiras, na praça do Sesi, onde eu praticava esporte desde criança, tenho o Atleta Amador; as esculturas submersas, a BioVida I, na Ilha da Galé, Reserva Biológica Marinha do Arvoredo em comemoração de um ano de emancipação de Bombinhas e Porto Belo e um ano da criação da Reserva Marinha do Arvoredo; BioVida II na Ilha do Arvoredo;  BioVida III  na Praia da Sepultura; tenho um granito negro na Praia do Mariscal; em Florianópolis, na Casa de Saúde São Sebastião um mármore no jardim; obra no jardim do MASC, no CIC, tenho no jardim do MAJ em Joinville uma escultura de grande porte…são algumas em cada momento, em cada época com sua importância…

Uma das esculturas da exposição (Foto Lilian Martins)

JP3 – Os tipos de matéria prima que utiliza em suas peças?

Pita – As primeiras peças que trabalhei nos anos 80 no Parque São Lourenço eu ganhei do Elvo, meu primeiro bloco em mármore. Em 88 iniciei com as esculturas em pedra, em mármore. Em 89 fretei um caminhão com mais três escultores do atelier, em 91, 92 fui para Cachoeiro do Itapemirim comprar meus primeiros blocos de pedra direto na pedreira, então o mármore, o granito, inicialmente o bronze que gosto muito, a cerâmica, a sucata, trabalho também com resina, mas sempre gosto mais do que é perene, de alta resistência, como o mármore, granito, e a fundição em bronze são os materiais que mais me atraem.

JP3 – Como definiria a arte em Santa Catarina?

Pita – A arte atual continua sendo a autêntica, que faz representar sua época. Blumenau, Santa Catarina está crescendo muito, no respeito, no investimento, as obras de arte públicas, Balneário Camboriú com as pinturas nos prédios, o Museu a Céu Aberto é muito importante, tenho em Balneário uma obra no Píer da Barra Sul, no Hospital Ruth Cardoso, em alguns prédios nas fachadas e  uma das primeiras obras na década de 90 é no edificio Palladium, um mural em concreto e uma escultura de sereia. Acredito que a tendência é o artista ser cada vez mais respeitado como profissional e ser mais digno, porque viver com dignidade é muito importante, porque o respeito não é só o elogio, mas sim o investimento…quando o investimento aumenta, a qualidade da obra fica cada vez melhor.


Serviço

  • Abertura da 5ª Temporada de Exposições no MAB 
  • Data: 9 de novembro de 2023, 19h
  •  Visitação: até 31 de janeiro de 2024, de terça-feira a domingo, das 10 às 16h. Visitas mediadas podem ser marcadas pelo telefone 3381 6176 
  • Classificação indicativa de idade: Livre 
  • Entrada gratuita. 
  • Museu de Arte de Blumenau – R. XV de Novembro, 161 – Centro, Blumenau – SC, 89010-002 
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