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Balneário Camboriú
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Segundo volume da obra ‘Aves Catarinenses’ chega ao mercado com um apelo do autor para cuidar da natureza

Balneário Camboriú é um reduto de aves urbanas, entre elas a Maria Catarinense, uma espécie muito rara em todo mundo

O biólogo e ambientalista, Cristiano Voitina, de Balneário Camboriú, está lançando o segundo volume da obra ‘Aves Catarinenses’.

(Arquivo Pessoal)

Nos dois volumes o autor apresenta imagens e informações como característica das aves, alimentação, reprodução, curiosidades. No novo volume, que será lançado oficialmente neste mês, Voitina traz observações sobre 250 espécies nativas, migratórias e vagantes da fauna brasileira.

São 353 páginas com aves fotografadas em seu habitat natural, resultado de seis anos de pesquisas de campo em diferentes regiões de Santa Catarina e outros Estados, inclusive países da América do Sul. 

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“Mas toda essa extraordinária beleza não é apenas para ser admirada, porque parte dela está em perigo ou ameaçada de extinção”, disse Voitina. 

Preocupado com tudo que viu em suas andanças, ele espera que sua obra também desperte nas pessoas, principalmente nas crianças, o reconhecimento pela maior riqueza que está à disposição de todos: a natureza, que está aí para todos usufruírem, só precisa ser cuidada.

Nesta entrevista, Voitina contou sobre seu trabalho, o patrimônio natural que está mostrando 752 espécies catarinenses, nos dois volumes, e junto fazendo um forte apelo: “Não precisamos tanta coisa material para ser feliz, vamos olhar mais para a natureza e viver a vida com paz e sem esse estresse todo que está no cotidiano das pessoas hoje”.

(Arquivo Pessoal)

JP3 – O que motivou escrever o segundo volume?

CV – Eu já sabia que existia em torno de 750 espécies de aves em SC e esse é o complemento do primeiro livro, que tem 502 e nesse são 250, portanto nos dois volumes são 752 espécies que provavelmente ninguém encontrou, mas a probabilidade de já ter existido ou ainda existir em SC é grande. Então eu coloco algumas espécies que ainda não foram registradas em SC, mas a possibilidade de encontrá-las aqui é muito grande.

JP3 – Quando será publicado e onde será? 

CV – Pretendemos fazer na primeira quinzena de agosto, recebemos vários convites, mas o local ainda foi definido. Mas ele já está disponível online.

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JP3 – O que o leitor pode esperar da nova obra? 

CV – Esses 250 como diz um amigo meu são uns encardidos…porque ele compara os jaguaras, que são mais fáceis de encontrar e tem os encardidos, que são difíceis de encontrar e muitas vezes você encontra eles, mas conseguir fotografar eles, é uma outra história…são aves mais arredias,  mais discretas, se escondem nas sombras da mata, ou onde tem um capinzal fechado, no escuro, ele responde, pertinho de você, mas ele não se apresenta…dá uma espiadinha, mas não aparece por inteiro para ser fotografado. São raros e difíceis.

Como neste volume são apenas 250, tive mais espaço para alguns relatos que mostram algumas curiosidades, cenas engraçadas, difíceis,  relatei algumas estratégias que usei para poder fotografá-los, porque são mais difíceis de ser fotografados. No primeiro volume, como são 502 espécies, o livro ficou um pouco engessado, eu não pude fazer mais de uma página para cada pássaro. As pessoas gostaram muito, principalmente as curiosidades, lendas, e neste volume novo, tive mais espaço para escrever sobre esses assuntos e também fazer as fotos maiores.

(Arquivo Pessoal)

JP3 –  Como foi a resposta de público ao primeiro volume lançado em 2017? 

CV – Foi muito legal, as pessoas gostaram muito e acabaram me conhecendo através do livro, foi muito bom. Hoje ainda recebo convites para ministrar palestras sobre observação de aves, eu fiz amigos que não conseguiria fazer se não fosse pelo livro. As pessoas leram o livro e se sentiram mais próximas, íntimas, queriam me conhecer mais, fiz amizade com pessoas da Argentina, Chile, Uruguai, sigo em contato com elas, é um presente muito grande para mim…tem pessoas que dizem que é o livro de cabeceira…recebo relatos e isso é o mais legal para mim, como um pai que disse…hoje estive na cidade, meu filho viu uma ave, ficou olhando para ela e chegou em casa, pegou teu livro, procurou, achou a página e pediu para eu ler…

Essa foi a grande intenção minha: trazer as crianças para esse mundo natural para que conheçam esses outros catarinenses porque só se ama e se cuida aquilo que se conhece. Os adultos gostam do livro, mas as crianças são meu foco, porque coloquei aquele lance das curiosidades, a criança é muito curiosa e consegui alcançar meu objetivo…quando um pai relata que o filho sempre pede para ele ler sobre o pássaro…e depois ele conta para os amigos o que ouviu…é isso!

(Arquivo Pessoal)

JP3 –  O volume 2 é resultado de uma nova pesquisa? 

CV – Com certeza. Foram seis anos de pesquisa sobre registros históricos, de ocorrências do passado, em alguma publicação, revista, museu. Hoje não se tem mais a ocorrência dessa ave, ela está restrita a um pequeno fragmento em São Paulo ou no Rio de Janeiro, mas quando toda essa Mata Atlântica de encosta ou de planície litorânea era um maciço, essa ave deveria existir aqui também. Como isso foi fragmentado e teve muito desmatamento e outras interferências humanas sobre o ambiente natural desta espécie, ela deixou de existir aqui, mas tem registros de sua ocorrência. Tudo isso está no livro. Tem registros que são observação do autor, que não encontrei na literatura a ocorrência desta espécie. Por exemplo: uma espécie migratória com registro no Paraná, no Rio Grande do Sul, Argentina, fronteiras com SC, mas não tem registro em SC. Então coloquei que provavelmente essa ave possa ser encontrada em SC, mas ainda não foi encontrada…se ela migra e vem do Hemisfério Norte, chegando na Argentina, provavelmente ela deve estar passando em SC, mas ainda não foi registrada aqui…

JP3 – Onde aconteceu esta pesquisa? 

CV – No primeiro volume fiquei muito em SC, porque até então a literatura em outros lugares não tinha todas as informações de ocorrências, muitos estudos sobre nossa fauna, tanto que foi muito comum encontrar e fotografar aves no oeste de SC divisa com Argentina, aves que não estavam em nossa literatura como sendo ocorrência daqui. 

Eu encontrei, fotografei, fui pesquisando e coloquei no primeiro livro. até pra mim as saídas de campo apresentavam constantes surpresas nesse sentido. 

Nesse segundo livro, saí mais…já sabia que algumas visitantes nossas, aves migratórias, muitas vezes vem fugindo de um frio intenso na América do Sul e chegavam até aqui…fui à procura delas, na Argentina, Chile, Uruguai, lá consegui encontrar com mais facilidade essas aves e conversar com ornitólogos desses países para conhecer mais sobre seu comportamento e poder escrever sobre esta ave, porque aqui havia pouco conhecimento…Fui aos locais de origem e foi muito interessante, porque fui muito bem recebido e até homenageado em alguns locais.

Aqui no Brasil fui mais ao norte de SC procurar aves migratórias, que passam a maior parte da vida no Norte, Nordeste, Sudeste e quando chega a primavera elas vem pra SC..estive nesses locais também procurando por elas…alguns desses locais tem a mata mais preservada do que SC, como por exemplo SP, onde fui a vários parques, eles têm parques muito organizados, com logística para receber pessoas do mundo inteiro para observar aves. Eu tento fomentar isso aqui…

JP3 –  Sobre espécies de aves e concentração delas…

CV – Todas as aves são adaptadas ao seu ambiente. Tem as de Mata Atlântica, floresta ombrófila intensa, onde encontramos em SC a maior biodiversidade de aves. Tem outras aves que gostam de áreas abertas. Vamos encontrar elas em campos de altitude, em locais já degradados que antes eram mata e hoje virou lavoura, pastagem…Também tem as migratórias no período de migração quando estão passando ou ficam em SC. Algumas vindas do norte do país, passam a primavera, verão e quando chega outono voltam para o norte do país. 

Cada ave a gente encontra onde ela se adaptou mais. Tem aves migratórias que são limícolas, onde tem manguezais, beiras de praia, banhados…elas vivem ali, umas são moradoras, outras migratórias. 

A concentração maior das aves é onde ela encontra seu alimento. Ela se alimenta daquilo que o bico dela já se adaptou para se alimentar. Não vamos ver uma ave limícola, que tem um bico pra enfiar na lama, ela nunca vai comer semente, comer banana, ela vai se concentrar onde tem a disponibilidade de alimento…tem outras vezes que vivem na floresta intensa, ela procura alimentos ali, pequenos insetos, frutos…ela vai ficar no local onde encontrar as necessidades básicas para sobreviver.

JP3 –  Em Balneário e região quais são as espécies mais comuns?

João de Barro (Foto Cristiano Voitina)

CV – Há pouco tempo um jovem me procurou, ele quer escrever sobre BC voltado também ao meio ambiente natural. Sugeri escrever sobre aves urbanas, ele pediu ajuda e vou ajudá-lo nesse projeto. 

BC é bem interessante, o João de Barro é bem adaptado, ele anda pela cidade, manso com as pessoas, tem um certo medo natural pelo nosso tamanho, porque já predamos ele no passado, ele constrói suas casas em cima do poste e nas árvores que resistiram à especulação imobiliária e às vezes em algum ponto de prédios também. 

Tem o Bem Te Vi também bem adaptado,  já sai até para comer de noite, aproveitando a luz dos postes, que acaba atraindo insetos e ele se alimenta deles… tem um amigo que chamou para ir na casa dele para mostrar que o bem te vi conseguia enganar o gato…ele botava ração para o gato e o Bem Te Vi vinha devagar e roubava ração…e tem Pombas domésticas que são até nocivas para nossa saúde e das nossas aves…são selvagens, como a Rolinha Roxa, a Rolinha Picuí, a Pomba de Bando que apareceu recentemente como nova moradora de BC, gosta de áreas semiabertas e essa ave vem se expandindo conforme vai acontecendo a transformação do meio natural, elas vem do norte do país e vão colonizando novos espaços abertos. 

Tem o Pardal que não é brasileiro, mas bem adaptado às areas urbanas, o Suiriri Cavaleiro tem vários aqui, o Sanhaço tem bastante, a Cambacica tem muitas, a Saíra Bico Fino que se encontra onde tem alguma área mais preservada em SC, com a região da Interpraias…temos uma boa diversidade aqui em áreas protegidas…

Também temos a Gaivota que também poderia ser ave símbolo, é muito comum, as Garças, temos uma quantidade de espécies em BC bem fáceis de ser avistadas…

Pomba de Bando, mais nova moradora de BC (Foto Cristiano Voitina)

JP3 – E quais as mais raras e onde vivem?

CV – Tem espécies que são muito raras, mas acabamos encontrando em SC, em BC, porque são aves da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados de extinção do mundo, hoje 75% da população brasileira vive onde está a Mata Atlântica. grande parte dela já destruída, hoje só tem 8% do que existia…todas as aves que vivem nesse bioma ameaçado, são também ameaçadas e raras, porque vivem em pequenos fragmentos…aves que vivem na morraria que cerca BC são aves raras, mas vou dar exemplo de uma, a Maria Catarinense, fotografei ali na Várzea do Ranchinho, ela é extremamente rara no mundo todo, porque só se encontra no sul do Paraná e em SC (de Joinville até Porto Belo). 

Essa ave é muito rara a nível de mundo, o primeiro exemplar foi encontrado em SC, capturaram e levaram para um museu de Nova Iorque e até então só existia esse exemplar ..passou quase 100 anos para ser redescoberta, mais pesquisas, turismo de observação ajudou a mapear também onde tem a ocorrência desta espécie. 

Tem o Uiraçu, um gavião muito grande que está nesse museu de Nova Iorque e a maior parte desses indivíduos, foram capturados em SC. E hoje avistar uma ave dessas aqui seria fantástico para ciência, porque ele está provavelmente extinto, porque precisa de grande quantidade de alimento, ele é uma ave de rapina, precisa de muitas presas e não pode ser abatido..então se for reintroduzido nas nossas matas vai ser difícil sobreviver, porque ele precisa de presas, ele vai comer aves grandes, roedores. Mas o ser humano entra na mata e caça as presas desse ‘predador’ e as chances dele se tornam pequenas…então ele vai procurar locais que não tem influência de pessoas…

Maria Catarinense, rara no mundo, fotografada na Várzea do Ranchinho (Foto Cristiano Voitina)

JP3 – Tem alguma espécie que ainda não conseguiu fotografar? 

CV – Do segundo volume 85% das fotos são minhas, mas 15% delas acabei não conseguindo fotografar ou fotografei mas não ficou boa para o livro…e como eu queria mostrar a ave com toda sua beleza e características…eu procurei e comprei estas fotos para colocar no livro.

Infelizmente teve aves que nunca avistei, como o Uiraçu, um grande gavião muito raro no Brasil todo, hoje é mais raro que o Gavião Real…

JP3 – São espécies ameaçadas pela destruição do meio ambiente…

CV – Cada ano que passa esses aves se tornam mais raras, por conta da destruição do meio ambiente, do aquecimento global que vem interferindo muito na sua reprodução e alimentação e infelizmente ainda pela caça…o hábito de caçar é contra a lei mas ainda persiste…nestes últimos anos a grande quantidade de venda de armas foi uma coisa estrondosa, muita munição e grande parte foi para caça…

Sei, porque transito muito dentro desse mundo de caçadores, é um local de pesquisa para mim, preciso conversar com caçadores para encontrar algumas espécies e aí escuto comentários…que matou um Gavião-pega-macaco… é triste demais ouvir isso, porque aves que vão nidificar apenas a cada 2 anos, trazem um filhote só, porque o cuidado parental é muito grande e a chance desse filhote encontrar um ambiente para conseguir sobreviver e fazer um território é dificil, porque ele precisa de alimento, vai ter que fugir dos caçadores…

JP3 – Nunca se falou tanto na destruição perversa do meio ambiente…e os resultados estão cada dia mais visíveis…

CV – É uma sacanagem porque o ser humano destruiu tanto o planeta para poder ter o conforto que tem hoje, geladeira cheia de alimentos, para ter seu cachorro muito bem tratado com ração, isso tudo tem que desmatar para produzir lavouras, ovos, galinhas, algodão, milho, desmatou-se muito para o ser humano poder ficar dentro de casa, com armários cheios de alimentos..porque para produzir um boi precisa de 4 hectares de pastagens em média aqui no Brasil… nesses 4 hectares poucos pássaros sobrevivem…não tem alimento para sobrevivência de presas que um Gavião-pega-macaco necessita…

Quando o ser humano entra na mata e come uma cotia, um macuco, que são as presas desse Gavião acham isso normal, comum, mas se um gavião come uma galinha, aí ele é predador, é uma praga, ele tem que ser morto…Pior, ainda existe aquele orgulho de dizer pros outros que matou um gavião, que matou uma cobra, uma jaguatirica, uma onça, a pessoa se sente importante e está fazendo um mal tão grande, porque a genética destes animais vai enfraquecendo…com fragmentos cada vez menores…então é lamentável o que está acontecendo….e ter que ouvir um caçador falando que matou um animal desses…fico muito ruim…nesses últimos anos, a caça aumentou de forma gigante, muita arma, muita munição sendo vendida…triste!

JP3 – Qual sua expectativa com a nova obra? 

CV – Estou atendendo ao pedido de pessoas que compraram o primeiro livro e já perguntavam pelo segundo…já estou recebendo esse retorno…mas meu grande anseio é que mais pessoas continuem esse trabalho de tentar mostrar para as pessoas as belezas que a gente tem aqui no Brasil, em SC, a gente mora num paraíso, nossa responsabilidade é grande, de cuidar dele, não admitir um impacto tão nocivo.

Minha grande expectativa é de sensibilizar um pouco mais, não precisamos de tanta coisa material para ser feliz, sai na natureza, curta a viva, viva a vida e deixe viver, olhe com bons olhos para aquela árvore, ela dá tanta vida para tantas aves…

JP3 – Balneário Camboriú com tantas aves urbanas, precisa ficar atenta…

CV – BC tem uma beleza natural, e hoje a beleza artificial está despertando mais interesses…estão ofuscando o que nos atraiu para BC, andar, sentar na praia…Hoje não dá para entrar na nossa água..não conheço um morador de BC que tenha coragem de entrar no nosso mar…por tudo isso, eu queria que as pessoas entendessem e voltassem mais para o mundo natural…que vissem que o que está aí não precisa melhorar…essa beleza natural é só cuidar dela, traz tanta felicidade para nós, sem que precisemos fazer nada, só não destruí-la, acho que as pessoas tem que voltar mais para o mundo natural,  seriam mais felizes, não seriam tão ansiosas, pelo contrário, encontrariam paz, felicidade, em coisas tão naturais, tão de graça… é só ajudar a cuidar mais da nossa bela natureza…essa é a grande expectativa que tenho: que esse livro desperte nas pessoas esse reconhecimento pela nossa grande riqueza que temos em BC, na região, SC, Brasil, no planeta terra…

Link para compra (clique aqui)

Caneleirinho de Chapéu Preto (Foto Cristiano Voitina)
Tapaculo pintado (Foto Cristiano Voitina)
Topetinho Vermelho (Foto Cristiano Voitina)
Maria Leque do Sudeste (Foto Cristiano Voitina)
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