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Balneário Camboriú
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Casos de cães que ficaram trancados em carros em Balneário preocupam protetores de animais

Os dois recentes casos envolvendo cães deixados trancados em carros em Balneário Camboriú vêm preocupando protetores de animais, já que os cachorros envolvidos, a bulldog francês Kyra e um pinscher de uma família argentina, por pouco não morreram. 

O Página 3 ouviu o veterinário Leonardo Ribeiro, que analisou as situações e falou sobre o que acontece com animais que ficam trancados dentro do carro sozinhos, e também pessoas que lutam pela causa animal em Balneário Camboriú. Confira abaixo.

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RELEMBRE

Kyra continua na clínica veterinária para onde foi encaminhada

Kyra recebeu visita dos PMs que a salvaram (Foto: 12 BPM)

A bulldog francês Kyra comoveu Balneário Camboriú na última semana,quando ficou trancada em um carro em um estacionamento na Barra Sul enquanto seus donos, uma família de São Paulo, almoçavam. Ela ficou trancada das 11h às 14h e foi salva por policiais militares que arrombaram o carro.

Kyra não voltou para a família, por decisão judicial ela continua em Balneário. O caso segue em sigilo. 

Apesar de a Justiça determinar que ela iria para o abrigo da ONG Viva Bicho, a cadelinha segue na clínica veterinária para onde foi levada após ser socorrida.

Os policiais que a salvaram, Herculano e Jaqueline, da PM de Balneário, a visitaram na tarde de quarta-feira (19) para verificar como estava sua recuperação. 

Através de nota, a Polícia Militar informou que Kyra está se recuperando muito bem, já se alimentando normalmente e interagindo com os demais pets da creche (a clínica possui estrutura que recebe outros animais durante a semana).

Pinscher voltou para a família

O pinscher esquecido dentro de um carro no domingo (16), em Balneário Camboriú, voltou para a sua família, que é da Argentina. Desde domingo ele estava no abrigo da ONG Viva Bicho, no Bairro Nova Esperança. 

A reportagem do Página 3 foi informada pela diretoria da ONG na noite de terça-feira (18) que a Justiça restituiu a guarda do animal para a família, que foi buscá-lo na terça. 

A decisão foi diferente da ocorrida com a cadelinha Kyra e o motivo pode ser porque o pinscher está bem de saúde e a família é estrangeira.

Pinscher foi devolvido para a família (Foto:Viva Bicho)

Veterinário analisa casos e destaca:
não há tempo ‘mínimo’ para pets ficarem sozinhos em carros

O veterinário Leonardo

O veterinário Leonardo Ribeiro, que atende animais domésticos e também é especialista em silvestres, vê os casos ocorridos recentemente com ‘muita tristeza’, porque não consegue entender como uma pessoa consegue deixar seu cão trancado em um carro. 

“Porque nós humanos já sabemos o quanto é ruim ficar dentro de um carro sem ventilação, ainda mais no verão, imagina para um animal que não entende o que está acontecendo. Ele entra em hipertermia, late ou mia muito, pedindo ajuda, tentando se comunicar, e o latido ou miado acelera o processo de hipertermia, porque o oxigênio vai diminuindo ainda mais rápido e o animal realmente sofre, não só no aspecto psicológico, mas tem a sensação física de sofrimento também. Infelizmente, sempre aconteceram casos assim, mas é bacana ver que as pessoas estão se sensibilizando mais com a causa animal”, pontua.

Leo lembra que os cães de focinho curto, como é o caso da bulldog Kyra, sentem ainda mais, já que ‘naturalmente’ possuem dificuldade para respirar. 

“Não dá para deixar nem ‘uns minutinhos’. Se precisar levar o cão com você enquanto vai ao mercado ou na farmácia, por exemplo, o ideal é alguém ficar junto. A palavra chave é supervisão. Se alguém estiver com o animal, ok, se não, eu não recomendo. Tem animais que ficam muito ansiosos quando se separam do dono, e com essa ansiedade eles se esforçam muito, fazem muita troca gasosa e a situação pode piorar rápido. Não há tempo ‘seguro’ para deixar eles sozinhos”, afirma.

Responsabilidade

O veterinário salienta que os tutores precisam entender o quanto são responsáveis por seus animais, que dependem 100% dos humanos. 

“Comparo com a questão da mudança: ‘vou me mudar e não posso levar meu cachorro’, e solta na rua. Por que não tentar deixar com outra pessoa? Você precisa entender que é responsável pelo animal. Se quer ir na praia ou almoçar, deixa em casa ou com alguém, deixa alguém supervisionando. Pense no animal”, acrescenta, citando que se preocupa também com o que aconteceu com Kyra, que está longe de sua família. 

“Ela não entende o que aconteceu e deve estar sofrendo sem o dono, pensando no animal, poderia ser melhor voltar para a família, nem que seja feita orientação, fiscalização. Os animais sentem e mudam muito, ficam tristes, é uma situação muito complicada”, opina.

Cinco liberdades dos animais

Leonardo lembra que existem as cinco liberdades dos animais (Livre de fome e sede; livre de desconforto; livre de dor, ferimentos e doenças; liberdade para expressar comportamento normal; e livre de medo e angústia) que ‘regem’ o que é compreendido como maus tratos. 

“Um cão grande que vive em apartamento e não passeia está sofrendo maus tratos, assim como um que fica preso em uma guia o dia inteiro no sol. Os hectoparasitas, como pulgas e carrapatos, são mais comuns agora no verão e exigem atenção. Ter animal é cuidar bem, e saber que você precisará gastar para cuidar dele, seja com veterinário, medicações se necessário e castração”, completa.


Praia também não é lugar para pet:

“Mesmo que goste do animal, não vai poder levá-lo em todos os locais”

A secretária do Meio Ambiente, Maria Heloísa, é também presidente do COMPA (Foto: Arquivo Pessoal)

A secretária do Meio Ambiente de Balneário Camboriú, Maria Heloísa Lenzi, é também presidente do Conselho Municipal de Proteção Animal (COMPA). 

Ela opina que, no geral, as pessoas tratam os pets como membros de suas famílias, mas que em alguns momentos são deixados em situações que ninguém deixaria um familiar ou se colocaria. 

“Ninguém consegue suportar um carro fechado, escuro, em um calor insuportável. As pessoas precisam se atentar a esse tipo de cuidado, que parece que muitas não estão tendo. Essa situação da pessoa ser presa, o animal retirado, mostrando o alto sofrimento do animal, é muito relevante para que a sociedade acorde que você, mesmo que goste do animal, não vai poder levá-lo em todos os locais”, afirma.

Assim como citado pelo veterinário, Maria Heloísa lembra que a casa pode ser o lugar mais seguro para o animal diante do calor que vem fazendo, ou então em pet shop (que contam com creches e hotel, por exemplo). 

“Existem alternativas e essas duas situações que aconteceram devem servir para alertar as pessoas de que o lugar onde elas vão precisa ser agradável também para o vet, aproveito para citar a questão da praia – nós alertamos, veterinários alertam, que ambiente de praia não é ideal para cachorros e ainda assim muitas pessoas insistem em levá-los. Fica o alerta, é uma situação muito difícil e muitas pessoas fazem por irresponsabilidade, mas precisam ficar em alerta sobre onde estão levando os seus pets”, destaca.


Guarda Ambiental atende ocorrências de maus tratos

Guarda Ambiental atende muitos casos de maus tratos aos animais (Foto: GM)

A Guarda Municipal Ambiental possui uma equipe específica para atender casos de maus tratos aos animais domésticos. Uma das integrantes é a GM Leila de Nadai, que conta que a maioria dos atendimentos realizados consiste em animais presos em corrente. 

“Nestes dias de calor a incidência de ocorrência de animais presos sem abrigo do sol aumentou consideravelmente. Nesta semana, atendemos dois casos de cães expostos no sol e seus tutores foram resistentes com a nossa orientação, demonstrando que precisam ser mais conscientes quanto à saúde de seus animais; solicitamos adequações, caso não sejam atendidas, serão notificados e multados”, afirma.

A GM Leila

Sobre os casos envolvendo os cães presos em carros, ela diz que em 2021 atenderam apenas uma. 

“A nossa preocupação inicial é retirar o cão e prestar o primeiro atendimento. O atendimento do pinscher foi realizado por outra guarnição, segundo avaliação do estado clínica era estável, mas caso permanecesse por mais tempo preso seu estado poderia se agravar. No caso atendido pela PM era o cão braquicefálico, a sua respiração já é complicada e com a exposição ao calor seu estado clínico se deteriora mais rápido”, salienta.


ONG Viva Bicho também se preocupa com o descaso de tutores

Patrícia destaca que a ONG se preocupa com descaso de tutores

A ONG Viva Bicho, que fica no Bairro Nova Esperança, em Balneário, é hoje o lar de mais de 600 animais, entre cães e gatos, que aguardam por famílias que queiram adotá-los. 

O pinscher ficou no abrigo entre domingo e terça-feira, até ser resgatado por seus tutores. 

A voluntária e membro da diretoria da ONG, Patrícia Ferreira, conta que não são casos isolados e que já aconteceram situações do tipo outras vezes. 

“Estamos passando por uma onda de calor violenta e isso se torna um perigo, tanto para as pessoas quanto para os animais. Por isso, pedimos que as pessoas tenham consciência, porque os animais não tem como se defender, e estão expostos a esses riscos”, diz.

Segundo Patrícia, na segunda-feira (17) um pitbull foi socorrido por voluntários, mas acabou falecendo porque não aguentou até chegar no abrigo, devido ao excesso de calor.

“Então quem dirá quando você deixa um animal no carro quente. O veículo no sol se torna uma estufa, superaquece e o animal pode sim ir a óbito rapidamente. É uma questão de educação da sociedade, precisam ter responsabilidade quanto a tutela, você é responsável por essa vida, não pode deixar em segundo plano. Mantenham os animais protegidos do calor, na sombra, com muita água fresca, porque realmente as temperaturas estão altas e isso é um risco de morte para os animais”, finaliza.

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