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Dia da Adoção: Balneário Camboriú tem mais pretendentes do que crianças para adotar

O Dia Nacional da Adoção – 25 de maio – é oficialmente comemorado no Brasil desde 2002, através da Lei 10.447 decretada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Em Balneário Camboriú, o Dia Municipal da Adoção é lembrado desde 2009, através do projeto 107, decretado pelo prefeito Fabrício Oliveira.

Nesta semana, o Grupo de Apoio à Adoção Anjos da Vida, de Balneário Camboriú, lembrou a data através de uma roda de conversa presencial denominada ‘Maternidades’, com a participação de várias mães e com palestras online.

O psicólogo e coordenador técnico do Anjos da Vida desde 2014, Luciano Estevão, agradece e parabeniza todos aqueles que trabalham com o tema. E convida a todos que se sensibilizam com a causa para procurar o grupo e conversar sobre adoção.

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Anjos da Vida realizou Roda de Conversa ‘Maternidades’ (Divulgação)
Luciano (de azul) com o grupo de mães (Divulgação)

Nesta semana, Luciano falou ao Página 3 sobre o cenário da adoção em Balneário Camboriú. A reportagem também ouviu mães que participaram da roda de conversa ‘Maternidades’ e falaram sobre suas experiências e ainda o caso mais recente, que viralizou nas redes, do casal Geninho Goes e Eduardo Domingos que adotou cinco crianças, todos irmãos biológicos. 

Acompanhe:

Luciano Estevão: ‘A maioria dos disponíveis para adoção são maiores de 7 anos’

Divulgação

JP3 – Como descreveria o cenário da adoção hoje em Balneário Camboriú?

Luciano – O cenário da adoção em Balneário Camboriú é bem tranquilo. Temos um número razoável de pretendentes à adoção. Poucas crianças e adolescentes para adoção e muitas famílias adotivas. O Grupo de Estudos e Apoio à Adoção Anjos da Vida acompanha essas famílias com atendimento psicológico, pedagógico, jurídico e serviço social, de modo a dar todo apoio no pré e pós adoção.

JP3 – Quantas pessoas estão esperando para adotar?

Luciano – Os dados do dia 25 de maio de 2023 no site do CNJ.just.br informam que nacionalmente temos 31.885 crianças acolhidas. Destas 4.386 estão disponíveis para adoção e temos 34.012 pretendentes cadastrados para adotar. Em Santa Catarina esses dados são: 1519 crianças acolhidas, 201 disponíveis para adoção e 3.026 pretendentes. Em Balneário Camboriú temos cerca de três adolescentes e uma criança disponíveis para adoção. Lembramos que esses números mudam a cada instante em virtude do processo ser atualizado diariamente.

Os dados mostram muito mais pretendentes do que crianças e adolescentes para adoção. Esse número não fecha, pois ainda se tem a preferência por crianças menores (até 2 anos), brancas, sem irmãos e sem doença ou deficiência. E a maioria dos disponíveis para adoção são maiores de 7 anos, com irmãos, negras e com alguma doença ou deficiência. O trabalho que o Movimento nacional da adoção, por meio dos grupos de apoio e da ANGAAD(Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção) executa é exatamente para mudar esse perfil e que cada criança e adolescente abrigado encontre uma família.

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JP3 – Esse processo está mais ágil?

Luciano – O processo de adoção é uma preparação importante para as futuras famílias adotivas. A agilidade é relativa. Pois o preparo é necessário e as famílias que estão no processo percebem a importância do tempo para a preparação. Ainda é bastante burocrático, mas avaliamos como necessário esse tempo. Pois viver a maternidade e a paternidade é um papel de extrema responsabilidade.

JP3 – Demora média de quanto tempo uma adoção?

Luciano – Depende do perfil que os pretendentes querem. Se for crianças menores, até dois anos, a espera é maior. Leva em média de 3 a 4 anos. Porém se o perfil for crianças maiores ou adolescentes o tempo em média baixa para alguns meses. Lembrando que esse tempo é bastante relativo.

JP3 – Qual o perfil dos ‘adotantes’ hoje, porque mudou muito…

Luciano – O perfil tem mudado a cada ano. Penso que é devido a preparação dos pretendentes. Pois com a preparação eles vão tomando mais consciência do processo adotivo e percebendo as diferenças entre o filho ideal e o filho real e que a maternidade e a paternidade são papéis efetivados pela chegada de um filho/filha e isso pode acontecer com qualquer idade. Por isso os perfis têm mudado para crianças maiores, com irmãos, independente de cor.

JP3 – Como está a situação da adoção tardia?

Luciano – Adoção tardia, hoje chamamos de adoções necessárias, pois são aquelas adoções das crianças e adolescentes que ainda permanecem acolhidos em instituições de acolhimento já algum tempo. E nós que trabalhamos com adoção sabemos o que o tempo de acolhimento provoca na vida emocional de uma pessoa. Por isso existem campanhas no Brasil inteiro com foco nessas adoções. Também existem os programas de busca ativa que priorizam essas adoções.

JP3 – Quais os passos para adotar uma criança?

Luciano – O primeiro passo é procurar a Vara da Família, Infância e Juventude do fórum do seu município. Lá você terá todas as informações dos próximos passos e será acompanhado por uma equipe técnica forense do judiciário local.

Em seguida pode procurar o Grupo de apoio à adoção no Município. Aqui em Balneário tem o Grupo Anjos da vida que atua desde 2002 e em parceria com a prefeitura executa o projeto FOCOFAM(Foco na família) que assessora, acompanha e atende a população adotiva e adotante do município no pré e pós adoção. O grupo tem sua sede na rua 2000, nº 1003.

JP3 – Ainda existem situações de discriminação na hora de adotar?

Luciano – Os números ainda mostram discriminação, pois a maioria das crianças que estão disponíveis para adoção são negras, maiores de 7 anos, tem irmãos e doença ou deficiência. Embora tenha mudado ano após ano, ainda temos esse problema. Assim como ainda temos problemas de discriminação e preconceito com famílias e crianças e adolescentes dotados. Por isso atuamos também junto às escolas do município para conscientizar e divulgar cada vez mais a adoção. Temos um concurso artístico literário com as escolas do município, para que as crianças adolescentes dialoguem em sala de aula e expressem o que aprenderam sobre o tema.


“A adoção é uma escolha, em meu caso, a escolha de ser mãe”

Camila Marques Stühler, 40, divorciada, artesã, mãe de Maria Eduarda, 9 anos e Lucas, 7 anos

Arquivo Pessoal

“Essas duas lindezas aí não tem meu sangue, minha genética, não foram geradas em meu ventre…. essas maravilhas podem ter qualquer identidade genética, qualquer tipo sanguíneo, características físicas diversas da minha (apesar que acho eles minha cara), mas foram gerados por mim, ah foram sim, eu gerei a energia deles antes de nascerem, eu os desejei intensamente por muito tempo.

Desde nova eu era perseguida por um sentimento de que tinha um filho perdido pelo mundo, por isso a adoção sempre foi um plano, mas quando Maria e Lucas estavam para chegar em meus braços, recebia visitas constantes de duas borboletas amarelas, e sabia que elas eram o aviso, só que minha mente nunca absorveu que eram duas, duas borboletas, duas crianças, dois filhos que eu estava prestes a “encontrar”! 

A adoção é uma escolha, em meu caso, a escolha de ser mãe. Simples assim.

Me parabenizam como se deseja a uma mulher na maternidade que acabou de dar a luz ao seu filho desejado, não sou diferente dela, não fiz caridade, ato de nobreza ou quis salvar a vida de duas crianças, eu quis ser mãe!

Quando me perguntam sobre a adoção, eu não consigo falar nada além do caminho técnico para chegar lá, porque todo o resto é igualitário.

Mães são um único gênero, todas com as mesmas habilidades, capacidades, porém podemos nos subdividir em espécies diferentes, mas somos do mesmo gênero, entende? Minha espécie de maternidade foi a ESCOLHIDA através da adoção, o que não me faz menos mãe, diferente ou excluída, ao contrário sou um ser contribuinte para a Sociedade, criando uma futura geração permeada do mais forte que a natureza já criou, o amor de uma Mãe.

Meus filhos, esses são ainda mais fáceis de definir, são aqueles que meu ser em sua totalidade reconhece em cada gesto, cada ação, meu coração está ligado ao deles a quilômetros de distância, meu colo sempre será o refúgio seguro, a existência deles me tornou forte e capaz de lidar com o impossível de forma trivial.

Meu desejo neste Dia Nacional da Adoção? Desejem seu filho sem preconceito, sem limites, sem barreiras, só  desejem, só queiram, só os amem antes de chegarem, porque o caminho que irão percorrer é só um detalhe, o resto é tudo igual… pelo ventre ou por adoção, a única coisa que importa é tê-los em seus braços”.


“Este ano vai fazer 13 anos da adoção das nossas filhas”

Josilene Mari Piovezan Gonçalves, artesã, casada com Hélio Gonçalves, engenheiro civil, mãe de Hélio, André, Carolina e Larissa

Larissa, Josi, Carol, no dia em que buscamos elas no abrigo (15 de dezembro de 2010) (Arquivo pessoal)
André,  Larissa, Josi, Hélio, Carolina, Helinho (Arquivo pessoal)

“Em 2010 meu marido e eu decidimos que queríamos adotar uma criança. Fomos ao fórum e encaminhamos a documentação para a adoção. E em fevereiro iniciou o curso de preparação à adoção. Um curso que todos os postulantes à adoção deveriam fazer porque foi no decorrer do curso que abrimos o nosso perfil de uma criança para grupo de irmãos.  No mês de novembro de 2010 vimos fotos de alguns irmãos que estavam para adoção. 

O meu marido ao ver a foto de duas irmãs ligou no meu trabalho dizendo que já  havia encontrado nossas filhas. E foi tudo muito rápido. Fomos buscá-las no dia 14 de dezembro e dia 15 elas já estavam em casa. Foram recepcionadas pelos irmãos, avós e tias.

A Carolina tem hidrocefalia, baixa visão e atraso cognitivo. Hoje com 20 anos já terminou o ensino médio e faz terapias: fono, fisio, psicóloga na Afadefi. Faz terapias na ADVIR em Itajaí e frequenta o grupo de adolescentes do Anjos da Vida. 

A Larissa hoje está com 17 anos, terminando o ensino médio.  Elas chegaram com 5 e 7 anos. 

Temos também dois filhos biológicos : Hélio de 38 anos e André de 34 anos, com grande diferença de idade com nossas filhas. Hoje estão casados. A adaptação delas foi bem tranquila. Nos primeiros meses tivemos algumas dificuldades na adaptação pois estavam em um abrigo há 1 ano e 4 meses e não tinham limites. Mas em seis meses já estavam bem adaptadas. Elas têm uma ligação muito forte com os irmãos. E também com as cunhadas e sobrinhos. 

Esse ano vai fazer 13 anos da adoção das nossas filhas. E o amor por cada um deles é muito grande. 

A educação delas foi bem mais tranquila pela experiência de já ter educado dois filhos. E pela paciência e a tolerância que temos hoje”.


Um breve relato sobre minha experiência com a adoção

Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

Aline Vian Rambo Vidal, 43, empresária, casada com Gustavo Vidal, mãe de Mahara, que completa 3 anos em junho

“Uma adoção começa muito antes de buscar o judiciário ou de preencher uma extensa papelada. Uma adoção é uma decisão, uma escolha consciente impulsionada pelo coração. Primeiro nasce a ideia, depois nasce o filho, só então, em algum momento posterior, nascem pais, mães e, enfim, uma família.

O processo de habilitação em si não é muito complexo nem demorado. Graças à existência de Grupos de Apoio à Adoção como o Anjos da Vida aqui de Balneário Camboriú, tudo fica mais simples e prático. No Anjos, especialmente, fica inclusive amoroso e acolhedor e somos muito gratos a isso. O curso de preparação torna mais palpável a experiência de ser pai ou mãe e nos ensina também a como proceder com a documentação, esclarece preenchimento de formulários, entre outras informações relevantíssimas para o processo e a realização do sonho, o que torna a espera menos árdua e, por vezes, até menor.

A chegada da minha filha foi muito surpreendente. Ela nasceu na nossa vida em um momento em que nos perguntávamos se cumpriríamos a missão de ser pais nessa existência, pois já havíamos tentado por muitos anos e com diversos recursos ter filhos biológicos. Começávamos a tentar nos consolar diante da impossibilidade.

Porém, após apenas 6 meses de habilitação (uma gestação curta se pensarmos a partir daí) a Mahara chegou. Miudinha, encantadora! Mãe e pai de primeira viagem, sem nada preparado em casa para a chegada de um bebê, os primeiros dias foram uma grande aventura. Passado esse breve período, emoções ajustadas, nos demos conta que ela era toda nossa, sempre tinha sido, só precisou de outra barriga para nascer e então chegar até nós. Estamos há dois anos e meio juntos e já não lembramos mais da vida sem ela. Ela nos fez pai e mãe. A chegada dela nos fez família e por isso somos gratos todos os dias!

Desafios? Muitos, assim como todos têm! Alegrias? Infinitas! Todos os dias aprendemos com ela e ela conosco. Todos os dias procuramos olhar-nos com “olhos de ver”, conversar, entender e respeitar, para crescermos juntos como família. A base de tudo isso? AMOR, o mais intenso, puro e verdadeiro AMOR”!


“Cada vez que falo de paternidade, uma criança pode sair de um abrigo”

Maria, Wellington, Duda com Rayane, Geninho, Allyson e Ellen (Foto Rivo Biehl)

Geninho Goes, empresário (esse ano abriu mão do cargo de secretário de Turismo de Balneário Camboriú para se dedicar à família). É casado com Eduardo Domingos (Duda), pais de Maria Helena, 14; Ellen, 11; Wellington, 8; Allyson, 4 e Rayane, 1 ano. A primeira filha (Maria) chegou em 2016 e seus quatro irmãos biológicos em 2022.

“Cada vez que falo de paternidade uma criança pode sair de um abrigo e quem sabe uma sair de um quarto para ter mais atenção de um pai. 

O que representa para quem adota? 

A possibilidade de colocar o amor que se tem guardado e que somente a paternidade ou maternidade podem proporcionar . É a chance de passar a vida a limpo, de proteger, cuidar, superar desafios … enfim, amar.

E para quem é adotado?

É uma segunda chance né … essa possibilidade é maravilhosa, recebemos com frequência depoimentos de pessoas que foram adotadas há muitos anos e mostram o quanto este fato foi importante. Ontem nossa filha de 11 anos disse que ela se sente cuidada, amada … e quando ela crescer ela vai se “alembrar” disso”.

Não usamos termo filha adotada, filho do coração, filhos, somente filhos basta!”

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