Tempo, estímulo, presença, criatividade, são apenas alguns dos ingredientes recomendados para uma boa brincadeira, em casa, na rua, na escola, em qualquer lugar, o importante é valorizar o brincar, fazer acontecer.
O brincar na infância se eterniza. Basta conversar com quem ‘brincou’ muito quando criança, brincadeiras simples, correr atrás da bola, pular corda, jogar amarelinha, brincar de roda, de casinha, andar de bicicleta, sinônimo de vida saudável, de riso solto, alegria e de boas memórias para sempre.
Hoje o cenário mudou bastante. Brinquedos chegam prontos, só apertar um comando e tudo se mexe, sempre igual, muitas vezes torna-se cansativo em tempo recorde.
Eletrônicos ou digitais são os preferidos. De muitos pais também. Fica todo mundo quietinho, cada um no seu quadrado, olhando telas, grandes ou pequenas, que só exigem um movimento, com o dedinho mágico…que faz aparecer o ‘brincar’ mais cobiçado pelas crianças (e por muitos pais também), porque elas não ‘incomodam’, não fazem bagunça, se deixar, comem ali mesmo com a maquininha ligada, porque estão fissuradas no movimento da tela.
O desenvolvimento de uma nova era, a evolução da tecnologia, todos precisam acompanhar, porque é importante, é positiva, traz avanços e benefícios na vida das pessoas, mas nada consegue competir com o brincar livre e espontâneo, essencial na formação de uma criança em todos os sentidos.
O Dia das Crianças é um bom momento para refletir sobre a importância e a necessidade do brincar, além das telinhas, que vieram para ficar.
Nesta reportagem a especialista em educação infantil, Francieli Carvalho Taborda, fala que brincar é sobretudo um aprendizado e gerações de entrevistados, que brincaram muito na infância, só tem boas recordações de um tempo que foi maravilhoso, que foi muito bom.
Acompanhe:
‘Brincar livre é garantia de vida saudável’, diz especialista

Francieli Carvalho Taborda, Diretora do Departamento de Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino de Balneário Camboriú, especialista em educação infantil –
“Quando perguntamos às crianças de hoje o que elas gostam de fazer para brincar, a resposta vem quase sempre de forma imediata: celular, joguinhos, internet. As brincadeiras tradicionais, como correr, pular corda, brincar de casinha, jogar bola, construir com blocos ou inventar histórias, vêm sendo, pouco a pouco, substituídas pelo entretenimento digital e pelo tempo diante das telas.
Apesar dessa tendência, muitas famílias têm se mostrado atentas e conscientes da importância do brincar livre e equilibrado. Em meio à rotina acelerada e à influência constante da tecnologia, pais e responsáveis vêm buscando resgatar brincadeiras que estimulem a imaginação, o movimento e o contato direto com o ambiente. O incentivo ao brincar ao ar livre, as visitas a espaços naturais e o resgate de brincadeiras antigas são algumas das formas encontradas para proporcionar às crianças experiências mais ricas e significativas.
Nesse processo, a escola da infância também assume um papel essencial. Muito mais do que um espaço de conhecimentos acadêmicos, a escola deve ser um ambiente privilegiado de experimentação, descobertas e brincadeiras. Ao promover momentos planejados de brincar livre, de exploração sensorial, de contato com a natureza e de convivência com outras crianças, a escola contribui de maneira direta para o desenvolvimento integral dos pequenos.
Brincar não é apenas lazer: é aprendizado. É por meio da brincadeira que a criança desenvolve habilidades cognitivas, motoras, sociais e emocionais. Ela aprende a resolver conflitos, exercitar a empatia, lidar com frustrações, criar estratégias e ampliar sua linguagem. Quando esse brincar acontece em um ambiente acolhedor, com adultos atentos e disponíveis, seja em casa, na escola ou na comunidade, ele se torna ainda mais potente.
Promover o brincar livre, o contato com a natureza e as interações reais é garantir à criança uma infância saudável, equilibrada e cheia de significado. Famílias, escolas e sociedade compartilham essa responsabilidade e esse compromisso com o desenvolvimento pleno das novas gerações.
O que dizem as gerações que brincaram muito

Daisy Angelina Robinson Leite, 68 anos, aposentada, mãe de Ilza e avó de Valentina – “Quando era criança gostava muito de brincar de roda, peteca, tambores, pic esconde, pipa, bola de gude, corda… que tempo gostoso, que me traz muitas lembranças, amava ser criança”.
Ilza Carolina Leite Mauricenz, 38 anos, Massoterapeuta – “Eu amava brincar na rua, me lembro de brincar de Pé na bola, pular corda, roller, bicicleta, taco… tive uma infância maravilhosa e sou muito grata por isso”.
Valentina Leite Mauricenz, 7 anos, estudante – “Gosto muito de brincar de boneca, Barbie, andar de bicicleta, de patins, de triciclo e amo brincar com os meus amigos, ou na escola, ou quando nos encontramos em algum lugar. Ser criança é muito maravilhoso”.

Nadyr Flores, 94 anos, aposentada, mãe de Iara, avó de Tayana e bisavó de Vicente – “Minha brincadeira preferida era passanel. Todas as meninas ficavam sentadinhas no meio fio da calçada, e ali a gente brincava de passanel. Ai, que tempo bom!”
Iara Agne, 69 anos, aposentada – “Na minha época, não existia tantos brinquedos e coisas caras. Então, o que eu me lembro que eu mais gostava de fazer era brincar no pátio. Nós tínhamos um pátio grande em casa. Então, eu juntava minhas amigas e colocava todas as bonecas ali e criávamos casinhas, com um pouco de barro e areia, e ali passávamos horas brincando. E também subia um morro e escorregava pelo morro”.
Tayana Agne, 47 anos, Corretora de Imóveis – “Ah, no meu tempo de criança, nós brincávamos na rua. E a minha brincadeira preferida era de taco. Eu jogava taco na calçada, junto com os meninos, com as meninas. A gente juntava todo mundo. Eu lembro que eu tinha uma tacada muito forte. Normalmente, eu ganhava. Então, andar de bicicleta também, adorava. E brincar de Barbie. São as três brincadeiras preferidas da minha infância”.
Vicente Agne dos Santos, 8 anos, estudante – “Eu adoro jogar futebol. Gosto muito, muito, muito de jogar futebol. Gosto de pega pega, brincar de correr com os meus amigos e também jogar FC Mobile”.

Teodosia Flessak Rost, 97 anos, aposentada, mãe de Mirian, avó de Renato e bisavó de Cora – “As brincadeiras eram separadas, meninas para um lado e meninos para outro. Os meninos jogavam bola, bolita…e as meninas brincavam de roda, pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, pular corda, mas principalmente de boneca, casinha, fazer comidinhas. Faziam o próprio baralho com desenhos de flores, frutas, animais, para jogar formando pares”.
Mirian Edy Aiolfi, 73 anos, aposentada – “Brincava de boneca, casinha, costurar roupas para a boneca. Também havia as brincadeiras de roda, pega-pega, esconde-esconde, cabra cega, pular corda, 7 paredes (com bola), queimada, peteca…Alguns jogos de tabuleiro, como Banco Imobiliário, damas, trio, Resta Um…Varetas, eu andava muito de bicicleta e gostava de brincar de escolinha”.
Renato J.Aiolfi Filho, 45 anos, instrutor de surf – “Gostava de jogar futebol na praia, surfar, andar de bicicleta, jogar video-game, Mario Bros, Sonic e Top Gear”.
Cora Aiolfi, 8 anos, estudante – “Gosto de brincar de Barbie, Fugitivos com Caos, Pega-pega, esconde-esconde, escolinha e às vezes, tablet ou celular”.

