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Dia das Mães: Uso de telas é o grande desafio da maternidade moderna

Uma adolescente conheceu e se apaixonou por um jovem de sua idade pela internet, enviou fotos nuas e então foi ameaçada por ele, que se revelou um homem bem mais velho. Casos de adolescentes que são enganados online e optam por não contar o que acontece vêm sendo cada vez mais comuns e é um dos grandes desafios enfrentados pelas mães (e pais) da atual geração. 

Neste Dia das Mães (14), a reportagem do Página 3 acompanhou uma edição do Papo de Criança, na Casa da Família, onde mães e um pai, abordaram essa ‘preocupação generalizada’ e a importância dos cuidados com o que as crianças e adolescentes fazem enquanto estão no celular/na internet.

A importância do ‘brincar’

Oito crianças participaram de atividades ministradas pelas psicólogas do programa de Proteção Global, Ana Júlia Zanatto, Josiane Figueiredo e pela assistente social Solange Dacorregi, com brincadeiras que incentivaram eles a falar o que gostam e não gostam, e também interativas, que mesmo sendo simples, animaram muito as crianças. 

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(Foto Renata Rutes)

As psicólogas salientaram o quanto o ‘brincar’ é importante e que interessa muito mais para as crianças do que ficar em um celular, mas que o aparelho é ‘procurado’ exatamente porque os pais nem sempre têm tempo para ficarem com os filhos.

O que dizem as mães e pai

A reportagem do Página 3 também conversou com as mães das crianças participantes da terapia – Ivy Furtado (mãe de Clara, de 11 anos e de Liz, de nove), Brenda Louzar (mãe de Ryan, de oito anos), Maria Elena de Lima (mãe de Giovani, de sete anos), Rosanei Veiga (mãe de Laiza, de oito e de Lauren, de 12) e Maria Lúcia dos Santos (mãe de Thallyta, de 11 anos). Estava presente também um pai, Marcelo Winckler  (pai do também Marcelo, de sete anos). 

As opiniões foram diversas – há mães que permitem o uso do celular como um sistema de ‘recompensa’, como é o caso de Maria Elena, que é mãe de Giovani. O garoto usa o celular para jogar e também gravar vídeos – ele tem um canal no YouTube e diz que sonha em ser artista (faz esculturas com papelão). Ele vê TV por 1h/dia e joga no celular (que é dela) por 30/40min/semana. 

(Foto Renata Rutes)

Brenda, mãe de Ryan, que é autista, diz que ele também segue o sistema de recompensa – se vai bem na escola e se comporta, pode usar o celular, mas se faz algo de errado, não pode usar – ele já chegou a ficar duas semanas sem poder mexer no aparelho. 

Ivy, mãe de Clara e de Liz tem um desafio duplo, mas as meninas usam o celular apenas para falar com o pai, seguindo uma ‘rotina de pontuação’, por exemplo, estudam 1h e usam o celular por 30min. Elas gostam de jogar e postar fotos.

Situações opostas a isso acontecem na casa dos Marcelos, pai e filho. 

Por conta do trabalho de Marcelo e de sua esposa, ele confessa que o filho fica bastante no telefone. 

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“Tentei tirar. TV não usa, mas o celular é frequente”, disse. Rosanei também passa por uma situação semelhante com Laiza e Lauren, que se acostumaram a usar celular com a avó, que cuidava delas quando Rosanei trabalhava. 

“Mas elas respeitam se eu falo para não usar. São ótimas na escola, não têm nota baixa, mas a mais velha está com problema de visão, que talvez tenha sido causado pelo excesso de celular. Elas não têm Facebook e nem Instagram, somente joguinhos, e TV somente fechada. Estou sempre de olho sobre o que falam, o que fazem, mas no celular é difícil controlar, chego em casa tarde do trabalho, e estão usando celular. É complicado”, contou.

Maria Lúcia dos Santos é mãe de Thallyta, de 11 anos, que durante a brincadeira do Papo de Criança disse que o que gosta de fazer é ficar no celular e postar fotos – o que já causou problemas na família. 

Maria relatou que Thallyta diz que o que a acalma é ficar no celular e que ela de fato usa bastante o aparelho, postando fotos nas redes sociais. Porém, há um programa no celular da garota para saber o que ela acessa. 

“Ela já levou o celular para a escola. Podia usar na aula de Educação Física, mas descobrimos que ela estava usando em outros horários, e ainda fez fotos dela e dos colegas e postou, o que não pode, porque se expõe e expõe os colegas. Por ela ter feito isso, a escola proibiu de vez levar celular”, relatou, citando ainda que já flagraram no celular da menina ‘coisas que ela não deveria ter pesquisado’, ocasião em que Thallyta ficou sem o aparelho por várias semanas. 

“Sempre que for necessário, eu digo que vou tirar o celular dela. O celular é bom porque pode pesquisar, estudar, mas tem que ser usado para isso também, não só para jogos e coisas que não deve ver. É preocupante, o primo dela de 4 anos já acabou vendo o que não devia também”, acrescentou.

Desafio presente o tempo todo

Diante do relato de Maria, as mães e pai presentes concordaram e disseram que veem que o uso de telas é realmente um grande desafio a ser enfrentado pela atual geração, pois pode ser muito perigoso. 

Eles falaram que o uso de app para saber o que as crianças veem e o uso de YouTube Kids (há a versão kids disponível em streamings também, como Disney+, Netflix, etc), que permite apenas conteúdo para crianças, também é positivo, assim como não permitir que crianças postem fotos ou falem com estranhos online, já que é muito comum que maiores de idade mintam que são adolescentes e os seduzam. 

Psicólogas opinam: pais precisam colocar limites

As psicólogas Josi, Solange e Ana Julia (Foto Renata Rutes)

As psicólogas do programa de Proteção Global, Ana Júlia Zanatto e Josiane Figueiredo e a assistente social Solange Dacorregio, também opinaram sobre a presença das telas na vida das crianças e adolescentes, lembrando que não há como ‘fugir’ disso e que celular e internet estarão cada vez mais presentes. 

“É um grande desafio, mas os pais têm que colocar limites, monitorar e puxar para outras brincadeiras. Muitos pais dizem que os filhos não obedecem, mas é porque os filhos precisam de limite, o ‘não’ é fundamental. As telas são muito úteis e não podemos vilanizar, mas é preciso limite e atenção sempre”, disse Josiane.

Brincar é qualidade de vida

Ana Júlia pontuou que muitos pais dizem que é ‘mais fácil’ colocar o filho na frente de uma tela do que ‘realmente lidar com a situação, fugindo da parentalidade’. 

“A gente tem que trabalhar, conversar, trazer o útil, brincar… porque se não o celular vai ser muito mais interessante. Olhar no olho, estar com a mãe, não há nada melhor. O tempo de qualidade com o filho é muito mais importante para ele do que o joguinho no celular”, afirmou, citando que a parentalidade é um desafio, mas exige responsabilidade. 

“Para que os filhos não sejam dependentes de telas, distrações, para fazer algo. A gente já vê crianças que necessitam de uma distração, precisa estar um joguinho do lado para fazer a tarefa, precisa estar vendo vídeo para comer e isso não é saudável, aumenta a ansiedade da criança”, acrescentou.

Não pode transferir responsabilidade para escola

Solange Dacorregio opinou que as mães (e pais) precisam cumprir com os seus papéis, já que professor não vai fazer esse trabalho e nem o psicólogo, por isso ‘puxam’ os pais a participarem dos atendimentos, realizando o Papo de Mãe, Papo de Criança e Papo de Adolescente – todos os grupos são assistidos por profissionais e são gratuitos, ocorrendo na Casa da Família, abertos para moradores de Balneário. 

“Os pais levam as crianças para a escola achando que a professora tem que dar conta, educar, e não é assim. Não pode transferir a responsabilidade, por isso trazemos todos para tratamento, dando suporte. As famílias são capazes, e podem dar conta, por isso nós acolhemos e buscamos auxiliar, trocar experiências”, comentou.

Maio Laranja: pais atentos sempre

As profissionais citaram que neste mês é o Maio Laranja, focado no combate ao abuso sexual contra crianças e adolescentes e que buscam sempre lembrar que o abusador não vai ter cara de um monstro e que os menores são seduzidos exatamente porque às vezes o criminoso se passa por alguém da idade deles, dando atenção, conversando, sendo gentil, e se apaixona. Já houve um caso atendido pelas psicólogas onde uma menina foi ameaçada com fotos enviadas – o criminoso era de outra cidade e foi descoberto através do CPF (que enviou para a vítima fazer PIX e assim não ser exposta). 

Os pais devem ficar atentos em qualquer mudança brusca de comportamento dos filhos, como uma criança muito falante ficar quieta do nada, a criança se fechar e não quiser conversar, não sair do quarto, etc., incentivando a conversa e a confiança entre pais e filhos, para assim a criança ter coragem de expor se algo errado acontecer.

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