JP3 34 anos – Acervo do Página3 no Arquivo Histórico preserva mais de três décadas da história de Balneário Camboriú

Doação feita há quatro anos inclui todas as edições impressas do jornal entre 1991 e meados de 2018 e milhares de fotografias; trabalho de restauro está em andamento

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A história recente de Balneário Camboriú está viva no Arquivo Histórico da cidade. Há quatro anos, o jornal Página 3, que neste sábado (26) completa 34 anos, doou ao município todo o acervo impresso produzido entre 1991 e meados de 2018. 

São edições que estão encadernadas e milhares de fotografias que hoje estão sob os cuidados da equipe técnica responsável pela preservação da memória local.

Primeiro a conservação, agora a restauração

Lilian mostrando os ‘inquilinos’ indesejados (Foto: Renata Rutes)

Na época da doação, o material passou por um processo conservativo essencial para garantir sua durabilidade, uma quarentena em Capela de Fumigação, técnica usada para eliminar micro-organismos e possíveis infestações biológicas, e agora está sendo reformado, pela especialista Lilian Martins. 

“O acervo chegou com alguns ‘inquilinos’ indesejados (cupins). Fizemos a higienização manual, como é de praxe com todos os acervos que entram no arquivo”, explica.

(Renata Rutes)

Agora, passados quatro anos, teve início o processo de restauração das edições – que são frequentemente consultadas por pesquisadores, estudantes e até cidadãos que buscam comprovações para aposentadoria ou outras demandas judiciais. 

“É um trabalho técnico e minucioso. Abrimos folha por folha, aplicamos enxertos e usamos técnicas reversíveis que não comprometam o conteúdo das obras. Tudo é feito para preservar ao máximo o valor informacional do material”, afirma Lilian, que neste ano voltou a atuar diretamente no laboratório, função para a qual se especializou.

Ela salienta que existem protocolos em discussão no meio da conservação. Luvas, por exemplo, podem reduzir a sensibilidade e aumentar o risco de danos em quem não está acostumado a usá-las. 

“Por isso, orientamos a higienização das mãos e acompanhamos de perto qualquer consulta”, comenta.

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Importância do acervo

(Foto Renata Rutes)

Além das edições impressas, o acervo do Página 3 é constantemente cruzado com outros documentos históricos, como fotografias, publicações técnicas e plantas de projetos urbanos. Esses cruzamentos ajudam a reconstituir a história da cidade — desde aspectos arquitetônicos até registros de atividades econômicas e sociais.

João Carlos da Silva, atual coordenador do Arquivo Histórico, avalia que a doação foi um gesto nobre e generoso e que é uma riqueza para Balneário Camboriú. 

“Cada volume nos transporta para outra época e nos ajuda a montar o quebra-cabeça da nossa história, feita de muitas partes e muitas vozes. Também consideramos que é muito importante dar visibilidade ao acervo, para que mais pessoas saibam que ele existe e possam utilizá-lo em pesquisas ou simplesmente para conhecer mais sobre a cidade”, pontua.

Balneário Camboriú tem história, sim

Lilian e João Carlos (Renata Rutes)

E para quem ainda insiste em dizer que Balneário Camboriú “não tem história nem cultura”, João é direto: 

“É um absurdo. Balneário tem uma trajetória singular, construída por gente vinda de muitos lugares. Quem diz isso, geralmente, não conhece a cidade de verdade. Balneário tem história social, política, na construção civil e no turismo”, diz.

Tanto João quanto Lilian salientam que o acervo do Página 3 é, hoje, fonte recorrente para resgatar marcos históricos da cidade e conta não só a trajetória do jornal, mas também da própria evolução urbana, política, cultural e turística de Balneário Camboriú.

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