Pais de adolescentes falam sobre desafios, medos e alegrias da paternidade em tempos de mudanças

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Neste domingo (10) é celebrado o Dia dos Pais e para lembrar a data, o Jornal Página 3 ouviu pais que estão no dia a dia com filhos adolescentes. Entre lembranças da própria juventude e as mudanças trazidas pelo tempo e pela tecnologia, eles falam sobre a importância da paternidade em suas vidas, os desafios dessa fase e as diferenças entre ser jovem ontem e hoje. 

Acompanhe abaixo.


(Arquivo Pessoal)

Jaime Graebin, advogado, é pai de João Felipe, 18 anos, e Ana Laura, 15 anos

“Pra mim ser pai foi  um momento de extrema alegria e ao mesmo tempo me deu um certo medo, pois novas foram as responsabilidades e desafios, procurei criar uma base familiar segura e estável, e sempre estando presente na vida dos filhos para a criação de um vínculo forte entre nós. 

Já quanto aos desafios de ser pai de adolescente, acompanhá-los e aconselhá-los nos dias de hoje é primordial, pois nesse período de transição da fase de criança para adulto, orientações e conversas, ainda que muitas vezes eles pouco nos ouçam (risos), é essencial para um bom encaminhamento. A minha época de adolescente comparada à deles, foi muito diferente. Na minha época não havia celulares, eletrônicos, então brincávamos na rua, com amigos, hoje, até mesmo pela questão de segurança, os adolescentes vivem seu mundo dentro dos quartos, com telas de celulares, computadores ou videogames. Tenho a visão que na nossa época vivíamos mais felizes do que os adolescentes de hoje. Não há diferença na questão de criação dos dois filhos, entretanto sempre temos uma preocupação maior com as meninas, além de ser mais nova, tem a questão de cuidados e proteção maior”.


(Arquivo Pessoal)

Andrei Zapelini Floriani, instrutor de Beach Tennis, pai de Gustavo Mallmann Floriani, 16 anos

“A experiência de ser pai é maravilhosa, fomos abençoados com muita saúde. Estamos passando por um momento difícil de compreender, tentamos orientar e não sabemos se nos dão ouvidos. É uma fase difícil para nós pais, pois queremos que sejam o que não fomos ou que sejam o que somos. Hoje entendemos que devemos orientar, mas não cortar as asas, mostrar os caminhos mas deixar que percorram. Minha adolescência foi assim e com certeza os conselhos dos meus pais eram os melhores, mas só entendemos agora”.


(Arquivo Pessoal)

Guilherme Deichmann, Gerente de Marketing, é pai de Bernardo, de 11 anos

“Acredito que a paternidade tem muito de ter com os nossos filhos uma relação onde a gente consiga criar uma versão melhorada de quem nós somos. É sobre pegar tudo que teve, tanto de nossa criação, das nossas vivências, e ver, entender o que foi positivo e conseguir passar isso para os nossos filhos, transmitir isso, e também sobre entender aonde os nossos pais falharam e tentar cada vez mais propiciar um ambiente acolhedor para que ele possa ter o desenvolvimento social e psicológico, para que ele tenha a vida mais feliz possível e há uma troca constante, porque só conseguimos ter esse tipo de relacionamento a partir do momento que a gente vira pai. 

Só assim começamos a entender um pouco das coisas que antes não tinha visão. E os nossos filhos acabam nos ensinando que podemos ser uma versão melhor. Então é muito bacana, muito engraçado isso, porque temos muito essa visão de que os pais ensinam os filhos, mas é uma troca constante. A gente aprende tanto com os nossos filhos que é isso que nos propicia a fazer com que eles sejam pessoas melhores também, mesmo sabendo que vamos errar muito pelo caminho, mas sempre buscando o desenvolvimento, buscando a felicidade dos nossos filhos. 

Acho que a adolescência é um desafio para todos os pais. Acho que se perguntar para 100% dos pais e mães a vontade que temos é de colocar os nossos filhos dentro de uma caixinha para que nada de mal aconteça com ele, que seja protegido de tudo que é errado que a gente sabe que pode acontecer, mas sabemos que é um momento que ele está criando a independência dele cada vez mais;

Temos que estar presentes nesse momento de independência, mostrando o que é certo, ajudando nesse discernimento que ele começa a criar cada vez mais, do que é certo, do que é errado, de onde que ele pode ir, de quem são as pessoas que ele pode ou não confiar e nada melhor para isso do que a gente ter realmente uma proximidade, uma conexão, uma relação mais próxima com os nossos filhos, de poder mostrar pra ele, ter o contato com as pessoas que ele convive pra ter esse meio termo do quanto que a gente solta e do quanto que a gente protege. 

Então é uma linha bem tênue, conversamos bastante em casa junto com o Bê, eu, a Fê (esposa) e o Bê, para ajudar ele nesse momento de formação, de opinião, de caráter, que é muito importante nesse período. 

Acho que todo mundo já passou pela fase da adolescência, pela rebeldia, então sabemos que é um momento que quanto mais presente estivermos na vida dele, melhor vai ser para o dia a dia dele, melhor vai ser pra formação de caráter e a gente tem que entender que não vamos conseguir proteger de tudo, mas é realmente muito difícil ter esse entendimento. 

Acho que a nossa geração é mais próxima dos filhos do que a geração dos nossos pais foi da gente. Isso obviamente é muito por conta do avanço da própria tecnologia, do quão rápido se consome informação hoje, consome conteúdo e informação. Então isso acho que muda muito a relação com os nossos filhos, porque acabamos tendo uma facilidade maior de quando necessário ter a mesma linguagem do que eles têm hoje, mas também é muito desafiador porque os nossos filhos são bombardeados de informação, de conteúdo, de novas tendências, de diversas coisas que são algumas coisas positivas, mas tem muitas coisas que são mais difíceis de lidar. 

E o nosso papel, o nosso desafio como pais, é entender, monitorar, ver se ele está indo pelo caminho certo ou não, mas tem muita coisa que não conseguimos cuidar 100%, defender 100% os nossos filhos. Então, eu acho que é um momento que a gente tem que ter ali um cuidado especial, que tem que ficar muito próximo dos nossos filhos”.


(Arquivo Pessoal)

Lucas Fontes de Brito, 33 anos, Corretor de Seguros, é pai de Davi Lucas de Brito, de 13 anos, e Isabela Luiza de Brito, de 11 anos

“Para mim a importância de ser pai em minha vida é algo inexplicável, pois é a força de todos os meus dias, sabendo que sempre tenho um propósito do que estou fazendo para poder cuidar, zelar e dar o bom e do melhor para eles que são tudo na minha vida. 

Hoje quando me perguntam, ‘como é ser pai?’, minha resposta é: seja pai e saiba o quanto incrível é, sua vida muda e você passa a entender o que é amor de verdade. 

Ser pai de adolescentes é um desafio, porque é quando a fase muda, vem curiosidades, vem perguntas e é a fase que mais precisamos ser amigos de nossos filhos, pois o mundo influencia muito, mas quando se tem seus filhos debaixo de seus braços, vai saber que eles terão futuros brilhantes. 

E comparando ao meu tempo de adolescente para de meus filhos, nossa… como mudou! Porque na época brincávamos muito, mas hoje tudo é tecnologia e hoje percebe-se o quanto os filhos estão distantes dos pais, por isso como disse, a importância de ser o melhor amigo do teu filho, porque assim vai conduzir eles aos melhores caminhos. Como sempre digo: Seus filhos são seus espelhos, então reflita a melhor versão de você para que eles sejam a melhor versão deles”.


(Arquivo Pessoal)

Mutasim Khalil Al Suodi, 45 anos, gerente de exportação, pai de Rahaf, 12 anos, Sultan, 9 anos e Adam, de 7 anos

“Ser pai foi a coisa mais transformadora e importante na minha vida, um aprendizado diário com os filhos, muita responsabilidade mas com muito amor e carinho. Ser pai transforma a forma de ver o mundo, e também de ser, porque depois que um filho entra na vida nada mais é só sobre você. Foi a melhor coisa que aconteceu pra mim. 

Atualmente o maior desafio de ser pai de adolescente é proteger e orientar sobre os perigos do mundo, a violência, o mundo está mais inseguro, mais rápido, digital e cheio de influências externas. Redes sociais, pressões, comparações. No meio disso tudo equilibrar e manter sempre o diálogo aberto. 

Acredito que mudou muito dos meus tempos de adolescente para a geração deles – o mundo mudou, e as referências também, na minha época tínhamos mais segurança, e com isso mais liberdade. Era mais fácil e simples ser adolescente comparado com os dias de hoje”.

(Arquivo Pessoal)

Omar Tomalih, secretário de Assistência Social de Balneário Camboriú, é pai de Amany, de 20 anos, e Amir, de 13 anos

“Meu pai para mim, a figura paterna para mim, na minha criação, no meu desenvolvimento… foi primordial. Foi meu espelho, foi em quem eu buscava referências. Na realidade, meu pai por muito tempo serviu como figura de pai e mãe e hoje tudo que eu tenho de referências, de coisas positivas, com certeza eu busquei na figura do meu pai, que foi um companheiro, um amigo, parceiro. Tanto que quando ele  faleceu para mim foi um terremoto. Eu perdi o chão por muito, muito tempo, até me reencontrar novamente. 

Hoje está totalmente diferente. Hoje, eu sinto que os adolescentes, eles buscam referências em figuras externas, e nós temos que estar cada vez mais presentes, mais ativos, mais próximos, porque a internet, o acesso que eles têm, é muito maior do que nós tínhamos na época, e isso aí faz com que a figura paterna também perca um pouco da sua essência, né? As crianças, e principalmente os meninos em especial, eles buscam referências em várias outras pessoas – influencers, artistas e jogadores de futebol, pelo acesso que nós não tínhamos. E essas aberturas que eles têm hoje, faz com que a criação seja muito mais desafiador

A educação está cada vez mais complicada. Então, nós temos que estar também nos atualizando para estar cada vez mais próximos, mais perto deles”.

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