Texto: Renata Rutes
Uma camisa estampada com bermuda de alfaiataria, um vestido delicado acompanhado de tênis, uma calça ampla com sandália ou uma bolsa colorida sobre uma roupa neutra.
A primavera, que iniciou na última terça-feira (22), abre espaço para diferentes formas de vestir, com combinações que aproximam conforto, referências esportivas e peças mais elaboradas.
Nas coleções brasileiras da Renner, por exemplo, essa mistura aparece tanto no feminino quanto no masculino, com modelagens soltas, texturas e contrastes.
Para entender as tendências, é preciso observar o calendário: a primavera brasileira começa no segundo semestre, enquanto as coleções internacionais identificadas como primavera/verão 2026 foram apresentadas para os meses quentes do Hemisfério Norte.
Cores: azul, laranja, rosa e amarelo ampliam as possibilidades
A cartela dos próximos meses ganha energia – laranja, azul luminoso, rosa, verde, amarelo e turquesa estão entre as apostas para a primavera/verão 2027.
No varejo brasileiro, a coleção feminina da Renner destaca azul-cobalto, vermelho, amarelo e verde. A marca também aposta no color blocking, combinação de blocos de cores contrastantes, como azul com vermelho ou verde com rosa.
Para experimentar, uma possibilidade é escolher apenas um ponto de cor: sandália vermelha, camisa azul ou bolsa amarela. Outra é trabalhar duas peças coloridas e deixar os demais elementos discretos. São sugestões de composição que permitem dosar a intensidade conforme o gosto de quem veste.
Branco, bege e marrom continuam com espaço
As cores intensas convivem com uma base mais sóbria. A alfaiataria de linho aparece nas vitrines em marrom terroso e off-white, acompanhada de malhas e mocassins, em uma pegada de ‘elegância descontraída’, mas com atenção ao tecido e ao caimento.
No feminino, a ELLE Brasil identificou o branco em coleções de Alaïa, Balenciaga e Louis Vuitton, aplicado tanto em formas amplas quanto em construções mais esculturais. Como proposta para o cotidiano, vale explorar uma produção clara com diferenças de textura: camisa de algodão, calça de linho e acessório trançado, por exemplo. O interesse visual pode vir do encontro dos materiais, mesmo quando as cores são próximas.
Estampas florais: das flores pequenas aos desenhos de grande escala
O floral oferece caminhos para quem prefere discrição e para quem gosta de uma roupa marcante.
A Vogue France destaca flores grandes e coloridas em Chloé e Celine, enquanto a Dior trabalha desenhos menores e delicados.
Na Victoria Beckham, a publicação observa flores discretas, próximas do tom do tecido. Outra referência vem do hibisco. O portal Who What Wear relaciona seu retorno à estética de praia e surfe dos anos 2000, com presença em vestidos, tops e moda de banho.
Na hora de montar o visual, o floral pode ocupar toda a roupa ou aparecer em apenas uma peça. Uma camisa florida com calça lisa oferece uma leitura diferente de um conjunto estampado, mas ambas permitem explorar a mesma referência.
Listras, poás e aquarelas diversificam o guarda-roupa
As listras aparecem entre os destaques da Vogue France, especialmente em versões verticais e diagonais. A revista cita interpretações em Isabel Marant, Christopher Esber e Jacquemus. Também identifica estampas de efeito aquarela em Zimmermann, Ulla Johnson e McQueen, com cores que se misturam e formam desenhos abstratos.
Os poás, as tradicionais bolinhas, permanecem no levantamento do Who What Wear. A publicação aponta versões em preto, branco e marrom como alternativas para quem quer usar estampa com uma cartela contida. Já os desenhos psicodélicos, associados à linguagem da Pucci, oferecem uma direção mais vibrante.
Para misturar padrões, uma sugestão é repetir uma cor entre as peças: uma camisa listrada azul e branca pode conversar com um acessório floral que tenha os mesmos tons. Quem prefere uma composição simples pode deixar a estampa como único elemento de destaque.
Moda feminina: rendas e transparências renovam o romantismo

Rendas e tecidos translúcidos estão entre as referências identificadas pela ELLE Brasil nas coleções internacionais de 2026. A publicação cita organza na Khaite, chiffon na Fendi e tule rendado na Alexander McQueen. São propostas que exploram diferentes níveis de transparência e sobreposição.
A Vogue britânica também destaca acabamentos de renda em saias, regatas, vestidos e shorts de aspecto acetinado.
No uso cotidiano, o efeito pode ficar restrito a um detalhe, como a barra da saia ou o acabamento de uma blusa. Uma camisa transparente sobre uma regata, por exemplo, permite controlar a exposição. Já uma peça rendada com jeans cria uma combinação mais informal.
Calças capri oferecem alternativa aos comprimentos longos

A calça capri, com comprimento abaixo do joelho, segue entre as referências de 2026. A ELLE Brasil destacou a versão em legging, ajustada ao corpo, como uma peça para atualizar os looks de calor. A modelagem permite experimentar proporções diferentes das calças compridas. Como sugestão, a versão justa pode ser combinada com camisa ampla, enquanto um modelo mais estruturado funciona com regata e um sapato de linhas simples.
Vestidos curtos e calças volumosas dividem a cena
Entre as modelagens femininas observadas pela ELLE Brasil estão o vestido boneca e a calça harém.
O primeiro aparece em diferentes leituras de Dior, Celine e Givenchy. A segunda, com volume, cavalo baixo e tornozelos mais ajustados, foi identificada em marcas como Altuzarra e Louis Vuitton.
São duas maneiras de explorar o volume. Para quem quer testar a ideia sem uma mudança grande no guarda-roupa, uma sugestão é combinar a peça mais volumosa com outra simples: calça ampla com regata, ou vestido de modelagem solta com sandália de tiras. O volume não precisa ser corrigido ou escondido. Ele pode ser a característica principal da roupa, escolhido pela aparência e pela liberdade de movimento.
Boho e esportivo aparecem em combinações urbanas
O estilo boho, ligado a referências boêmias, continua no radar da Vogue britânica, que destaca franjas, renda, seda e jeans de aspecto desgastado. A leitura tem um ar informal, com mistura de texturas e referências dos anos 2000.
A mesma publicação aponta a presença de roupas esportivas nas passarelas, incluindo jaquetas, shorts e conjuntos em cores marcantes, com exemplos de Prada e Loewe.
Para adaptar essas referências, vale experimentar uma peça esportiva com outra de aparência mais arrumada: jaqueta com saia, polo com calça de alfaiataria ou tênis com vestido. No caminho boho, uma blusa rendada com jeans já permite explorar a proposta sem reunir todos os elementos de uma vez.
Sapatos femininos: sapatilhas, tênis e mocassins abertos
Os calçados de perfil delicado têm destaque no levantamento da Vogue britânica. A revista reúne sapatilhas, tênis de silhueta estreita e modelos híbridos que aproximam características dos dois, conhecidos como sneakerinas. Também aponta mocassins abertos atrás, que deixam o calcanhar livre.
Essas opções oferecem diferentes maneiras de acompanhar saias, vestidos e calças. Como sugestão, um tênis discreto pode entrar em uma produção que normalmente receberia sapatilha; já o mocassim aberto pode acompanhar uma calça reta ou uma bermuda de alfaiataria.
Sandálias de dedo, tamancos e sapatos bicolores ganham novas versões

A Vogue britânica inclui sandálias de dedo entre as tendências, com variações de cor e pequenos saltos. Os tamancos também aparecem, reinterpretados com adornos, couro trabalhado e referências aos anos 1970.
No mercado brasileiro, a Arezzo apresenta uma aposta própria para o verão 2027: preto e branco em slingbacks, mules, sandálias e bolsas, com listras e uma estampa denominada pela marca snake dots. Ao longo da coleção, entram vermelho, rosa e detalhes metalizados.
O slingback tem uma tira que passa atrás do calcanhar; o mule deixa essa região aberta. Para quem quer mudar a aparência de uma combinação básica, um desses modelos em duas cores pode ser o ponto de interesse de uma roupa formada por camiseta e jeans.
Moda masculina: camisas com textura e tricôs abertos

No masculino, a coleção de primavera/verão da Renner destaca camisas de manga curta, tricôs de ponto aberto, bordados e jacquards, materiais em que o desenho é formado pela própria construção do tecido. A marca organiza parte dessas propostas em torno de um visual de lazer mais arrumado, chamado de resort chic. Regatas texturizadas, polos e camisas de modelagem boxy, mais ampla e quadrada, são algumas das alternativas à camiseta básica apresentadas pela varejista.
Uma sugestão de uso é combinar a textura da parte de cima com uma calça lisa. Para quem prefere menor transparência nas tramas abertas, uma regata por baixo permite experimentar o efeito sem deixar tanta pele à mostra.
Shorts de alfaiataria e bermudas trabalhadas entram no repertório

A GQ britânica identifica shorts de alfaiataria mais curtos nas coleções de Louis Vuitton e Saint Laurent, com elementos como pregas, passantes e barras dobradas. O levantamento também destaca o azul-piscina no masculino, presente em marcas como Willy Chavarria e Dries Van Noten.
Na Dior, o verão 2026 de Jonathan Anderson apresenta shorts cargo com pregas elaboradas e jeans de formas mais soltas, segundo o material divulgado pelo grupo LVMH. Para o dia a dia, não é necessário adotar o comprimento extremo da passarela. A referência pode ser traduzida por uma bermuda acima do joelho, com acabamento de alfaiataria, usada com camisa ou polo. O grau de formalidade deve acompanhar a ocasião.
Estampas masculinas vão das listras aos florais expressivos
A Renner apresenta camisas masculinas com listras, folhagens e coqueiros, inclusive em bordados localizados. Nas passarelas, a GQ britânica observa uma direção mais experimental: grafismos, flores ampliadas e combinações inesperadas de cores em marcas como Prada, Bluemarble e KidSuper. A revista também identifica conjuntos e tecidos inspirados em pijamas, com aparência relaxada. Uma maneira de começar é escolher uma camisa estampada e repetir na bermuda ou na calça uma das cores do desenho. Quem prefere sutileza pode usar uma peça com bordado pequeno, mantendo o restante liso.
Sapatos masculinos: mocassins, tênis de lona e sandálias
A GQ americana destaca mocassins, tênis baixos de lona e sandálias entre as opções masculinas de 2026. No caso dos tênis, cita a presença da lona nas passarelas de Dior, Jacquemus e Prada, além do interesse por modelos clássicos como o Vans Authentic.
A GQ britânica também registra chinelos combinados com peças de alfaiataria em desfiles de Auralee, Giorgio Armani e Hermès.
Na rotina, o mocassim pode acompanhar uma bermuda arrumada, enquanto o tênis de lona funciona com jeans ou calça leve. Sandálias e chinelos ficam como possibilidades para ocasiões que permitam uma apresentação mais informal.
Acessórios ajudam a experimentar sem trocar todas as roupas
Os lenços têm presença no levantamento da Vogue britânica, usados no corpo e nas bolsas. A publicação registra possibilidades como amarrações na cintura, sobre os ombros e nas alças.
Uma produção simples pode receber um lenço estampado, uma bolsa colorida ou um sapato diferente. Para quem não costuma usar acessórios, experimentar um por vez ajuda a perceber o que faz sentido na rotina.
Também vale olhar para as peças que já existem no armário e testar outra função: um lenço guardado pode acompanhar a bolsa; uma camisa pode ser usada aberta; um conjunto pode render combinações separadas.

