Psicóloga fala sobre os desafios (e importância) da presença paterna na adolescência

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A psicóloga Laura Colau, de Balneário Camboriú, é especializada em atendimento para adolescentes e conversou com o Página 3, especialmente para esta reportagem, apontando os desafios nas relações dos pais com seus filhos adolescentes e também a importância da conexão nesta fase da vida. Acompanhe abaixo.

Cenário complexo e mais exigente

“A paternidade, por si só, já é um grande desafio. Ser pai envolve assumir uma função afetiva, educacional e emocional que nem sempre foi bem ensinada aos homens. Muitos pais de hoje não tiveram modelos de presença afetiva em suas próprias infâncias — então estão aprendendo no caminho, tentando e se reconstruindo nesse papel. 

E quando esse filho ou filha chega na adolescência, o desafio ganha novas camadas. Ser pai de um adolescente hoje é, sem dúvida, complexo. O mundo mudou muito rápido, e os pais estão tentando acompanhar essas transformações enquanto também lidam com suas próprias rotinas, pressões e inseguranças. Não se trata de falta de amor ou interesse, mas de um cenário bem mais exigente do que o que vivíamos no passado.

Choque de gerações

Existe um verdadeiro choque de gerações. Os adolescentes de hoje crescem com uma linguagem emocional e cultural muito diferente da que seus pais conheceram. Eles se expressam de outras formas, pensam diferente, e muitas vezes os pais sentem que perderam a conexão — como se falassem idiomas distintos dentro da mesma casa.

Redes sociais dificultam vínculos

As redes sociais e o uso excessivo de telas intensificam isso. É muito comum que, mesmo morando juntos, cada um esteja em um cômodo, imerso no próprio mundo digital. Isso dificulta a criação de vínculos profundos e pode aumentar a sensação de distância emocional, mesmo com a presença física.

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Ser pai = aprendizado constante

Do ponto de vista psicológico, sabemos que o adolescente ainda precisa — e muito — principalmente da presença emocional dos pais. Ele busca mais autonomia, sim, mas também precisa de segurança, de referência, de um adulto disponível que saiba escutar sem julgamento. A escuta ativa, o interesse genuíno e o respeito pela individualidade do filho são pilares essenciais para fortalecer o vínculo.

Mas do outro lado, os pais também estão cansados. Trabalham muito, se cobram muito, têm pouco tempo — e muitas vezes se sentem perdidos, sem saber como se aproximar. E tá tudo bem não saber tudo. Ser pai de adolescente é, acima de tudo, um convite ao aprendizado constante. Não existe pai perfeito — existe o pai que tenta, que se faz presente, que se permite crescer junto com o filho.

Dicas práticas

Para ajudar nesse processo, aqui vão algumas dicas práticas:

  • Crie momentos de conexão sem tela. Pode ser uma refeição em família, um jogo, uma caminhada rápida. O importante é mostrar que você quer estar presente.
  • Valide os sentimentos do seu filho: Nem tudo precisa de uma solução imediata. Às vezes, o adolescente só quer ser ouvido e compreendido. Frases como “imagino que isso tenha sido difícil pra você” podem abrir portas para mais diálogo.
  • Não leve tudo para o lado pessoal: Adolescentes testam limites, se afastam e às vezes respondem de forma ríspida — isso faz parte do processo de diferenciação e envolvem questões biológicas da faixa etária, onde o controle de impulsos ainda não está desenvolvido. Não significa falta de amor, mas sim tentativa de afirmar identidade.
  • Compartilhe um pouco da sua própria experiência. Quando feito com cuidado, contar como você lidava com certas situações na adolescência pode humanizar a relação. Isso aproxima e mostra que você também já passou por dilemas parecidos.
  • Esteja atento a sinais de sofrimento emocional. Nem tudo é drama! Mudanças bruscas de comportamento, isolamento extremo, alterações no sono ou no apetite, falas negativas sobre si mesmo — tudo isso merece atenção. Essa é a fase onde existe mais vulnerabilidade emocional e comportamentos de risco. Não hesite em buscar ajuda profissional. Quanto antes intervir, menos chances de caminhar para situações mais graves.
  • Por fim, celebre pequenos momentos:  Nem sempre vai haver longas conversas ou grandes momentos. Às vezes, um comentário no carro, uma risada durante uma série, ou um “boa noite” mais carinhoso já são formas de fortalecer o vínculo. 

Feliz Dia dos Pais à todos!”.

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