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Balneário Camboriú

Retorno da noite é essencial para diversas profissões

Além de empresários ligados a bares, casas noturnas e grandes eventos, há toda uma cadeia que atua para que muitas pessoas se divirtam – como músicos, chefs dos restaurantes que funcionam nos clubs, garçons, bartenders, equipes de limpeza, segurança, e muitos outros, que dependem da noite para manterem suas famílias.

Com o retorno oficial da vida noturna, muitos trabalhadores conseguirão agora terem seus empregos fixos novamente, tendo ainda a expectativa de uma excelente temporada pela frente. O Página 3 ouviu alguns desses profissionais, que opinaram sobre o retorno e compartilham suas expectativas. Confira.

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“Fomos o setor mais afetado, porque trabalhamos com aglomeração”

Cesinha, cantor de pagode.

O cantor Cesinha (foto Habbitat)

“A pandemia fez com que a gente precisasse se readaptar, a forma de trabalhar mudou, muita gente ficou desempregada. 

Eu tinha uma equipe de 9 pessoas (6 pessoas na banda mais 3 na equipe) e ainda não consegui voltar com todo mundo, só vamos conseguir em janeiro. 

Muitos músicos ficaram sem ter onde tocar, só tinha barzinho, que é um público bem menor. 

Existiu uma injustiça muito grande com os músicos – tinha espaço para ter mais gente no palco e não podia, mesmo com distanciamento. 

Aos poucos estamos retomando, mas fomos o setor mais afetado, porque trabalhamos com aglomeração. 

Ficamos muito tempo ‘guardados’, os grandes eventos davam saudade, o pessoal parou de nos ver… agora que voltaram também os shows nacionais, os maiores eventos. 

A galera chega de maneira diferente, todos muito animados. Acredito que em pouco tempo vamos recuperar esses dois anos perdidos. 

Não tem como não ser um ótimo verão, o alargamento da praia vai ajudar, vai trazer turistas, há o ‘frisson’ dos eventos… 

É natural querermos viver, curtir, e quando estamos em uma casa noturna, em um show, é o momento de diversão, por isso fica difícil controlar o público, além de que algumas das normas foram muito hipócritas também, com casas noturnas fechadas, mas praia lotada, pessoal sem máscara. 


Precisávamos voltar”

“Não adianta, o presencial é diferente”

Diogo Rosa, músico.

Diogo Rosa (foto Divulgação)

“O retorno é fundamental porque parte do que faz girar Balneário é a noite, restaurantes, bares, baladas… e a parte artística – músicos ao vivo, 

DJs, é o que faz o bar ou restaurante manter público consumindo. Gira a roda da economia e é bom para todos. Temos um público muito forte à noite, porque os turistas precisam fazer algo além da praia. 

Percebo, nos shows, que o pessoal está letárgico, não vinham com tanta energia como agora. O pessoal valoriza mais o ato de sair, lugares que não víamos tão cheios e agora estão bombando. 

Está dando um número bom de pessoas em bares, o pessoal estava sentindo muita falta. 

Mesmo com as lives que rolaram, não adianta, o presencial é diferente. 

Acredito que será a melhor temporada dos últimos anos, os turistas estão ansiosos com a faixa de areia, há muitas possibilidades, muitos barzinhos com música ao vivo, com opções para todos os gostos. 

Mas sobre a questão sanitária, sinceramente, acho que a galera largou de vez, por mais que as casas tentem cuidar, horas se passam e o público abandona de vez a proteção, máscara. 

Temo porque talvez depois desse verão pode vir uma variante do vírus, exatamente porque as pessoas só querem curtir, zoar, sem preocupação. 

Eu tento não tocar em lugares estilo baladinha porque vai muita gente, tento tocar mais cedo também. Atualmente estou tocando em barzinhos tipo o Tribus e o Distrito, lugares onde o pessoal vai para curtir, mas ficam sentados, há o mínimo de respeito”.


“Somos sobreviventes do Covid e do descaso”

Carlos Aberto de Souza Rodrigues, o DJ Kako, 31 anos de carreira (atualmente ele é residente na Shed, no Taj e no Habbitat).

DJ Kako (foto SHED Club)

“Foram quase dois anos e pareceu 10, infinitos pedidos de ajuda que poucas vezes foram respondidos de forma bastante evasiva por parte das autoridades. 

Muitos colegas abandonaram o mercado e até alguns suicídios foram registrados devido todo esse processo de abandono pelo qual o setor de eventos e casas passaram. 

A retomada traz alento a todos os técnicos, músicos, DJs, seguranças, equipes de manutenção, limpeza, logística, cerimoniais, hostess, espaços de eventos e casas noturnas, quero deixar claro que são milhares de pessoas que perderam sua fonte de renda e ficaram desamparadas pelo estado. Somos sobreviventes do Covid e do descaso. 

O público estava quase tão desesperado quanto nós, foi só surgir uma pequena flexibilidade que todo mundo saiu para dançar e celebrar a vida. 

As casas estão sempre com capacidade limitada, sempre fica gente de fora. 

Esta será uma temporada de recordes, depois de todo este tempo presos em casa, todos querem correr para o sol e, lógico, para as festas. 

Posso garantir que o verão 2021/2022 terá o maior movimento de turistas da década. 

A questão econômica tende a trazer o turismo interno, em função do dólar alto e das complicações de acesso a outros países. As casas estão respeitando as regras da vigilância sanitária e com a vacinação bem adiantada acho que muito em breve estaremos virando esta página”.


“Ainda estou com pé atrás”

Rubens Azevedo, conhecido como Rubão, é músico.

Rubens Azevedo (foto Arquivo pessoal)

“Vejo como positiva a retomada, apesar de caótica. Tem uma grande confusão acontecendo nessa retomada, por motivos que não vou aprofundar aqui, então não me sinto muito seguro, mas como é preciso retomar a vida, de algum jeito, vamos rezar e encarar. 

O contato com o público é a parte é mais animadora, realmente existe, me parece, uma valorização, um respeito um pouco maior, por parte do público. 

Realmente me sinto mais ‘valorizado’ nesse primeiro momento. 

Sobre o verão, acho que pode ser qualquer coisa, há muita euforia, pode ser bom para a economia, mas ainda estou com pé atrás, afinal, não estamos tão garantidos assim, com relação à pandemia, mais uma vez, contaremos com a sorte. 

Tanto que, acho que, na prática, os cuidados sanitários foram abandonados. 

O que ficou me soa simbólico, e estou sendo irônico. 

Em paralelo, tenho também meu projeto ‘Caiçara Gold’ (compota de peixe defumado, feito no fogão a lenha que ele faz), que é um ‘se vira nos trinta’. 

A pandemia nos ensinou que temos muitos potenciais, é uma tentativa de diversificar, de não colocar todos os ovos na mesma cesta, tudo é aprendizado, não dá pra ficar parado. Mas é, por enquanto, um projeto, continua de maneira informal, ainda não virou uma empresa. Quem sabe? Vamos ver…”.


Estamos com gás total, trabalhando com sorriso no rosto”

Junior Negrini, chef de cozinha no Habbitat.

Chef Junior (foto Divulgação)

“Esse retorno foi uma renovação para todos os setores, principalmente o setor gastronômico e o de eventos. 

A gente precisou se reestruturar, adaptar funcionários, estoque, para minimizar ao máximo os custos da cozinha e para a casa também. Estamos com gás total, trabalhando com sorriso no rosto, alegres, felizes. 

Até na pandemia conseguimos trabalhar e agora, com a liberação, está bem melhor. 

Agora que o Habbitat tem restaurante, o público que vem mudou também – com mais famílias vindo durante o dia, aproveitando a parte gastronômica, a parte de sushi e a parte de cozinha quente também. 

Temos o churrasquinho e a feijoada aos finais de semana, e em duas semanas vamos ter novidades – sairá a feijoada e entrará os pratos regionais, os pratos caiçaras, aos sábados. Teremos moqueca, bobó, pirão de camarão, arroz de Búzios, caldeirada, paella. 

Buscamos trabalhar com gastronomia de valores acessíveis, comparados aos outros restaurantes e a qualidade, temos um custo-benefício muito bacana. 

Temos tudo, entradas, pratos principais e sobremesas – nosso carro-chefe hoje é o churrasco, mesmo sendo uma região onde o peixe é disparado o mais consumido, temos a costela 12h que é o carro-chefe, cupim, bife de chourizo, churrasco de frutos do mar… todos os nossos pratos são finalizados na churrasqueira, deixando aquele gostinho de defumado, que é diferente. 

Nossas sobremesas são diferenciadas também, ‘instagramáveis’, como o globo de chocolate, mousse de maçã (criação da confeiteira Juliana) – em formato de maçã verde, que realmente parece uma maçã verde; além de naked cake, salada de frutas muito saborosa com frutas silvestres e chantininho e a mais recente, torta mousse (chocolate belga, crosta de castanhas e bolacha champanhe, com ganache levemente picante). 

Tenho certeza que o verão será um estouro, acredito muito nisso, e no time que temos aqui”.


“Não toquei e não pretendo tocar em nenhum local fechado”

Celso Peixoto, 58 anos, é fotógrafo e músico.

Celso Peixoto (foto Marcelo Fernandes)

“Vejo a retomada como muito importante não só para os músicos, mas para as casas noturnas que também sofreram muito com isso tudo que aconteceu. 

O pessoal está ansioso para que dê tudo certo. 

É muita gente envolvida, toda uma cadeia – bartenders, garçons… muita gente que depende. 

Eu parei de tocar em 2000 (começou em 1985), quando migrei para a fotografia. Voltei para a música por questão pessoal, por fazer algo que gosto. 

Eu estava começando a voltar e aí veio a pandemia e tive que parar meus projetos novamente. 

Estou voltando agora, há um mês e pouco, porque resolvi esperar as coisas se assentarem. 

Eu não vivo da música, toco uma vez na semana, é mais um hobby, mas eu procuro sempre indicar os meus colegas que também são músicos. 

A música me ajuda, porque, afinal, a pandemia não foi fácil pra ninguém – psicologicamente falando. 

Estou tocando em food parks, tenho um agendado no da Rua 3.100 para o próximo dia 14. 

Não toquei e não pretendo tocar em nenhum local fechado, busco locais mais familiares. 

O pouco que toquei, quatro, cinco vezes, percebi uma alegria contagiante por parte do público. 

As pessoas claramente estavam sentindo falta, aplaudem, curtem. 

Acredito que o verão será bem movimentado, com base nesses dois últimos feriadões, quando a cidade lotou. 

O pessoal do setor de eventos está com muita expectativa de recuperar esse mais de um ano perdido. Vejo que as pessoas estão relaxando e, em ambientes com música, você bebe, fica eufórica, esquece da máscara. 

Por isso escolhi tocar em ambiente aberto, já que em bar e balada é mais difícil de controlar isso [respeito às normas sanitárias]. 

Tenho muita precaução porque já peguei Covid e minha esposa tem asma, tenho medo por isso”.


“Com a pandemia damos uma parada, mas a música está dentro da gente”

Maurício Simas (Escova) é músico conhecido em Balneário, onde toca há muitos anos.

Maurício Escova (foto Divulgação)

“Estou retornando oficialmente para a música nesta quinta-feira (4), com um show na Praia Brava, mas estou me recuperando de um problema que tive no ombro e planejo voltar com força total para a temporada, em dezembro. 

Estarei tocando com meus parceiros de anos, Guanaes Sepúlveda e Álvaro Guterres. 

Nossa ideia é seguir com esse trio, mas podemos montar banda maior dependendo do local onde vamos nos apresentar. Com a pandemia demos uma parada, como todos, mas a música está dentro da gente e as pessoas pedem para voltarmos. 

A economia necessita desse retorno, a arte desenvolve sentido nas pessoas, é o que dá alegria e conforto. Ir em um barzinho, tomar uma cerveja, ouvir música… são coisas que humanizam. 

É sobre dar alegria ao povo. Eu ainda me preocupo, uso máscara etc, mas vejo que o pessoal está agoniado para sair, tanto que os bares estão lotados… estamos voltando a tocar a vida, e música é necessário, as casas que mantêm artistas valorizam ainda mais o local. Eu toco mais por prazer hoje, uma vez por semana, a cada 15 dias. Tenho muito orgulho de nossa região, que é privilegiada. Temos muitos artistas bons, um celeiro musical”.


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