(FOLHAPRESS) – Orlando Luz e Rafael Matos conquistaram dois títulos de Masters 1000 em sequência nas duplas, feito inédito para o Brasil. A ficha ainda não caiu, e a dupla não conseguiu esconder o sorriso no rosto ao se conectar à sala online onde atendeu a um grupo de jornalistas, diretamente de Nova York, palco do US Open, por cerca de uma hora, nesta segunda-feira (25).
O respeito entre os duplistas do circuito aumentou ao chegarem em Cincinnati, onde conquistaram o segundo Masters seguido.
“O que me chamou mais atenção foi os jogadores mais de cima do top 10. Não só por dar parabéns, mas do jeito que eles estavam dando parabéns”, disse Matos.
O tenista gaúcho de Porto Alegre viu sinceridade nas felicitações. “Eles entendiam, porque eles já ganharam muitas coisas assim, então eles entendiam a dificuldade daquilo e dava para sentir que eram bem sinceros”.
Luz também é gaúcho. Nascido em Carazinho, cidade localizada a 291 quilômetros da capital e com quase 62 mil habitantes, ele acredita que o respeito ajuda no desempenho em quadra. “Bota a gente ali no mesmo patamar deles pra poder disputar pelos torneios maiores agora também”, disse.
Eu também senti isso, dessas duplas maiores, do top 5 até eu diria, que são caras que estão todas as semanas ganhando mil ou ganhando Grand Slam, tem isso na carreira já. Esse respeito que aumentou Orlando Luz
O próximo torneio, inclusive, é o US Open, último Grand Slam do ano. A disputa de duplas masculinas começa no dia 5 de setembro, em Nova York.
AMIZADE AJUDA
Primeira dupla 100% brasileira a vencer um Masters 1000, Luz e Matos tiveram quatro conquistas em 2026. Os Masters vieram em Montreal, no Canadá, e Cincinnati, nos Estados Unidos, além dos canecos nos ATPs 250 de Santiago e Buenos Aires. Também ficaram com dois vices (Estoril e Houston).
Luz e Matos, de 28 e 30 anos, são amigos fora de quadra e jogam juntos desde 2019. Após encontros e desencontros, reeditaram a dupla no fim do ano passado. “Ter ali um amigo do teu lado que te entende melhor, que sabe o que tu tá sentindo naquele momento, com certeza ajuda nesses momentos de pressão”, revelou Rafael.
A força mental nos momentos decisivos vem muito da amizade. Perguntado pelo UOL sobre a sintonia, Orlando afirmou que nem sempre é preciso dizer algo. Um simples olhar resolve. O tenista de 28 anos revelou o que fez para retomar o mental na final em Cincinnati.
A gente sabe muito bem o que o outro tá sentindo, mesmo que não precisa trocar uma palavra, às vezes. E tem momentos que um tem que puxar, tem que puxar, e puxar, e puxar. E às vezes vai demorar. Aconteceu agora na semifinal de Cincinnati. Eu desconectei bastante no segundo set ali. E depois a parada da chuva. E o Rafa tava tentando puxar, às vezes eu não conseguia voltar pro jogo, mas a força que ele vinha puxando o set inteiro, eu cheguei ali no super tiebreak e consegui desempenhar. Orlando Luz
Eles formam a sexta melhor dupla do ranking mundial. Os brasileiros acumulam 3.860 pontos e estão a apenas 30 da quinta colocação, atualmente pertencente ao norte-americano Christian Harrison e o britânico Neal Skupski.
O objetivo para a sequência da temporada é o ATP Finals, que reunirá a elite do tênis em Turim, na Itália, em novembro. As oito melhores duplas do ano disputam o torneio.
Imaginar que a gente pode chegar num ATP Finals é algo grandioso mesmo, que quando a gente começou a parceria esse era o nosso maior objetivo. Mas, quando a gente entra [entre] as duplas top 8 e nesta quarta-feira (26) em dia a gente tá 6º, já começa a virar um pouco mais realidade. O ano é longo ainda, mas ter essa meta eu acho que vem ajudando a gente desde o começo do ano a buscar os resultados Orlando Luz
Próximos torneios. Além do US Open, a dupla disputará a Copa Davis, no Rio em 18 e 19 de setembro (se forem convocados), o ATP 500 de Pequim, no fim de setembro, e o Masters de Xangai, no início de outubro.

