Após ameaça comercial de Trump, Espanha diz que não aceitará ser vassala

A Espanha se recusou a autorizar o uso de duas bases militares operadas conjuntamente com os Estados Unidos para ataques contra o Irã. Em resposta, Trump ordenou que seu governo avaliasse o corte de todos os laços comerciais com o país europeu. "A Espanha tem sido terrível", afirmou, acrescentando que o país "não tem absolutamente nada de que precisamos".

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(FOLHAPRESS) – A Espanha “não será vassala” de outro país, disse a ministra do Orçamento, Maria Jesus Montero, nesta quarta-feira (4), após as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cortar o comércio com Madri por causa de sua posição contra os ataques de Washington ao Irã.

A tensão aumentou depois que o chanceler alemão, Friedrich Merz, declarou na Casa Branca que a Espanha precisaria ser “convencida” a aceitar uma meta mais elevada de gastos militares da OTAN, atualmente discutida em 3,5% do PIB. Trump, por sua vez, voltou a defender que aliados destinem até 5% do produto interno bruto à defesa.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, disse que Madri compartilhou com a Alemanha sua “surpresa” diante das declarações de Merz.

“Não consigo imaginar os chanceleres [Angela] Merkel ou [Olaf] Scholz fazendo tais declarações”, disse Albares em entrevista à emissora estatal TVE.

A Espanha se recusou a autorizar o uso de duas bases militares operadas conjuntamente com os Estados Unidos para ataques contra o Irã. Em resposta, Trump ordenou que seu governo avaliasse o corte de todos os laços comerciais com o país europeu. “A Espanha tem sido terrível”, afirmou, acrescentando que o país “não tem absolutamente nada de que precisamos”.

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O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez chamou a guerra no Irã de “desastre”, comparando-a à invasão da Ucrânia pela Rússia e ao ataque de Israel a Gaza.

Sánchez disse nesta quarta-feira que era contra o regime iraniano, mas argumentou que o ataque ao país era uma violação do direito internacional.

“Não se pode responder à ilegalidade com mais ilegalidade, porque é assim que começam os grandes desastres da humanidade”, disse ele em um discurso à nação.

A firme oposição da Espanha à guerra no Irã, que a tornou uma exceção na Europa, era consistente com sua posição sobre os conflitos na Ucrânia e em Gaza, disse Sánchez, resumindo sua postura como “não à guerra”.

“Somos contra este desastre porque entendemos que os governos estão aqui para melhorar a vida das pessoas, para fornecer soluções aos problemas, não para piorar a vida das pessoas”, disse ele, pedindo que todos os envolvidos recorram ao “diálogo e à diplomacia”.

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Ele comparou a guerra no Irã com a invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003, que, segundo ele, produziu mais terrorismo, uma crise migratória na Europa e um aumento nos preços de energia.

“É verdade que ainda é cedo demais para saber se a guerra no Irã terá consequências semelhantes às do Iraque”, disse ele. “O que sabemos é que ela não produzirá uma ordem internacional mais justa, nem levará a salários mais altos e melhores serviços públicos, ou a um meio ambiente mais saudável.”

Sem responder diretamente à ameaça comercial de Trump, Sánchez afirmou confiar “na força econômica, institucional e moral” da Espanha.

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