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Saiba quem Milei quer na linha de frente de seu governo caso seja eleito na Argentina

É noite no Movistar Arena, e os apoiadores de Javier Milei já esperam há horas o início do último ato de campanha do candidato. Antes de sua entrada apoteótica, quem chega ao palco, porém, é Alberto Benegas Lynch, o guru intelectual de Milei.

Em sua fala, Benegas Lynch, 83, economista ultraliberal e católico, repete as críticas de Milei ao papa Francisco, que é argentino. Associando-o à Teologia da Libertação, que segundo o economista teve um “terrível impacto” sobre a religião católica ao servir de via de entrada para o marxismo, defende que se cortem definitivamente as relações com o Vaticano –Francisco não é defensor do movimento, embora muitas de suas ideias compartilhem semelhanças com ele.

Benegas Lynch ainda faz declarações hostis às ditaduras latino-americanas contemporâneas, afirmando que um futuro governo Milei deveria cortar “as relações institucionais que a Argentina tem com países administrados por governos de assassinos”. E conclui propondo que o país reduza seus gastos com diplomacia. “É preciso rever por que temos tantas embaixadas pelo planeta quando hoje as relações virtuais são muito mais eficientes.”

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Muitos dos apoiadores de Milei já tinham ouvido falar do economista, mas poucos o tinham visto, em especial os muitos seguidores jovens do político. Embora ele não vá ter um cargo formal em um futuro governo de seu pupilo, atuará como um assessor especial, e suas declarações no Movistar Arena ecoaram no noticiário e no debate público.

Benegas Lynch é apenas um dos quadros que Milei já revelou que estaria na cúpula do poder junto dele caso seja eleito.

A Folha conversou com Diana Mondino, que seria sua chanceler. Também economista, e não uma diplomata de carreira, Mondino teria a difícil tarefa de moderar as declarações de Milei sobre outros países. Em uma entrevista recente à Bloomberg, o candidato afirmou, por exemplo, que não se relacionaria com países comunistas como Nicarágua, Venezuela, Cuba e China.

Instigada a explicar as declarações do chefe, Mondino diz que “devemos separar governo, Estado e iniciativa privada”. “O governo Milei não quer ter relações próximas com esses países, mas não vai colocar nenhum empecilho para que as partes privadas dos países façam comércio entre elas.”

Quando a pergunta é sobre que tipo de política seria adotada para lidar com as ditaduras da América Latina, Mondino responde que sua diplomacia seria feita “por meio do exemplo”. “Se somos uma democracia liberal e nosso modelo nos trazer prosperidade, então os demais países vão preferir nos imitar em vez de seguir com seus modelos comunistas falidos”, diz.

Sobre o Mercosul, bloco do qual Milei disse querer se afastar, Mondino afirma que a ruptura não seria tão brusca. “Uma união aduaneira de 30 anos tem de ser revista, e queremos participar dessa revisão. Quando o Mercosul começou, Uruguai e Paraguai eram países pequenos. Hoje são economias maiores, merecem outro tratamento.”

Ela declara ainda que considera legítimo que o Uruguai busque um acordo de livre comércio com a China. Acrescenta que a Argentina tentará firmar o máximo de tratados do tipo se Milei for eleito, ainda que isso vá contra o estatuto do bloco.

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Como o candidato havia anunciado que também tem a intenção de deixar o Acordo de Paris, a reportagem indaga Mondino se isso não seria um empecilho para firmar novos acordos, uma vez que hoje a maioria dos países exigem contrapartidas ambientais neles.

“A Argentina tem muito a oferecer ao comércio internacional. Tenho certeza de que há muitos que querem fazer comércio conosco e vão nos procurar. Se um país pensa que a questão ambiental é tão prioritária, está no seu direito. Nós temos a nossa visão”.

Outro possível funcionário do governo Milei é o economista Emilio Ocampo, autor do livro “Dolarização”, que Milei escolheu como guia para o seu projeto de dolarizar a Argentina. A fórmula de Ocampo é a de “dolarizar no estilo salvadorenho”. Ele afirma que, no país na América Central, “eles mantiveram o Colón [moeda local] por algum tempo convivendo com o dólar e, depois que três quartos da população tinham optado pelo dólar, aí sim ela se tornou a moeda oficial”.

Milei determinou que, caso eleito, Ocampo assumirá o Banco Central com a determinação de fechá-lo.

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS)

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