Santa Catarina é o primeiro estado no país a reunir todos os 41 municípios, localizados em sua faixa litorânea, para discutir os principais desafios relacionados à ocupação deste território. O objetivo do encontro, que inicia nesta terça (9) e segue até quinta (11), em Itajaí, é construir uma agenda de gestão para nortear as decisões de planejamento do Governo do Estado.
A programação é gratuita e também oferece atividades abertas à participação do público em geral.
A 2ª Conferência Zona Costeira Santa Catarina: Da agenda global à prática local é promovida pela Secretaria do Meio Ambiente e de Economia Verde de SC, por meio da Gerência de Integração e Planejamento Ambiental (Geipa), em parceria com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali).
O objetivo é reunir gestores ambientais, técnicos, especialistas, lideranças comunitárias, empreendedores, estudantes e toda a comunidade interessada no tema.
A programação ocorre no Campus Professor Edison Villela (Itajaí), Teatro Adelaide Konder, e terá diversas palestras e mesas redondas sobre assuntos relacionados à economia azul, cidades costeiras resilientes, cultura oceânica e governança costeira.
O evento terá a presença de especialistas nos temas abordados, além de secretários do Governo de SC, nas áreas relacionadas a meio ambiente e economia verde, educação, ciência, tecnologia e inovação e aquicultura e pesca.
Influência das mudanças do clima

O pesquisador da Univali, professor Marcus Polette, é um dos organizadores da programação e explica que a Conferência marca o início de um movimento importante, no qual Santa Catarina servirá de exemplo a outros estados do país. Especialista na área de gestão e governança da zona costeira e planejamento regional e urbano, o docente explica que esta ação é prevista, há 37 anos, por meio do Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, sendo que o Estado é o primeiro no Brasil a reunir todos os municípios da costa para refletir sobre seus principais desafios.
“Estaremos reunidos para discutir sobre como tornar a nossa costa mais resiliente, principalmente a partir das mudanças do clima, que são tão prementes. Vamos refletir, a partir de uma perspectiva de economia azul, sobre como desenvolver o nosso turismo, pesca, maricultura, portos e demais atividades econômicas, de forma mais sustentável. Como o ESG, ODss e certificações ambientais podem contribuir neste processo? Outro ponto importante a ser debatido é a respeito da implementação de políticas públicas educacionais que permitam enxergar o mar numa perspectiva de geração de sustentabilidade.”, afirmou o pesquisador.
Polette alerta que, nos últimos anos, o litoral catarinense vem recebendo alto fluxo migratório, fator que acelerou o processo de desenvolvimento e urbanização, demandando medidas urgentes.
Na sua avaliação, este cenário aponta a necessidade da implementação de um planejamento envolvendo todos os municípios e que, para ter efetividade, precisa da liderança do governo estadual.
“O grande marco da conferência é promover a governança costeira e marinha, que consiste em trazer governos, sociedade, iniciativa privada e academia para pensar o território de forma integrada e participativa”, resume.
Alerta sobre planejamento no litoral é constante
Não é de hoje que o professor Marcus Polette vem alertando sobre a necessidade urgente de planejar ações para enfrentar os desafios do futuro.
Em várias reportagens publicadas pelo jornal Página 3 nos últimos anos, ele vem chamando atenção sobre esse assunto.
“É evidente que estamos cada vez mais sujeitos às mudanças do clima e, ao longo deste século, certamente as futuras gerações sofrerão gravemente com as inconsequentes tomadas de decisões dos seus pais e avós’, disse Polette em uma destas reportagens de alerta, publicada em abril do ano passado (acesse aqui)
Em outra reportagem publicada em julho deste ano, o professor Polette faz novo alerta sobre a falta de planejamento.
“A situação em relação ao planejamento urbano na região da Foz do Rio Itajaí é bastante complexa. Os planos diretores atuais têm pouca participação popular sendo, majoritariamente, influenciados pelos setores imobiliário e da construção civil”.

O secretário do Meio Ambiente e Economia Verde, Emerson Stein, afirmou que historicamente, o litoral brasileiro é onde está concentrada uma parte considerável da população.
“Está mais do que na hora de pensarmos no desenvolvimento destas áreas, de modo inteligente, responsável e estratégico, compreendendo e valorizando todo o seu potencial. Quando a sociedade e o poder público se envolvem na construção deste planejamento colaborativo, podemos adotar ações mais conscientes e sustentáveis e que, a longo prazo, trarão mais desenvolvimento e qualidade de vida para todos.”, afirmou.
Espaço aberto para comunidade
Nos dois primeiros dias da Conferência, quando ocorrem as palestras e mesas redondas, o evento é gratuito e aberto à comunidade em geral.
No último dia, quando será construído o documento colaborativo “Panorama de Ações Prioritárias para Zona Costeira Catarinense”, o evento será restrito aos representantes municipais.
As inscrições para o evento são realizadas pelo site: semae.sc.gov.br. A participação é gratuita, mas as vagas são limitadas.
Apoio
A 2ª Conferência Zona Costeira Santa Catarina é realizada com apoio da Portonave, Estaleiro NavShip, Nauterra, Aegea Saneamento, Marina Itajaí, G.Lafitte, Crematório Vaticano, Semasa – Serviço Municipal de Água, Saneamento Básico e Infraestrutura de Itajaí e Voice Of The Oceans (projeto da família Schurmann).
Mais informações: No site semae.sc.gov.br.
Fonte: Assessoria Comunicação Univali

