A prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan, negou que a administração municipal esteja apoiando a criação de um novo sindicato, neste caso, o Sindicato Municipal dos Professores de Balneário Camboriú (SIMPROBC), que vinha sendo chamado de ‘Sindigov’ por membros do Sindicato dos Servidores Municipais de Balneário Camboriú (SisemBC).
Em entrevista ao Página 3 nesta sexta-feira (29), a prefeita classificou como “mentira” as afirmações de que o governo municipal estaria envolvido na articulação de uma nova entidade sindical. Na segunda-feira (25) a assembleia que propunha a criação do novo sindicato precisou ser adiada por conta de manifestações.
A declaração de Juliana ocorre em meio às discussões sobre a possível criação de um sindicato voltado ao magistério municipal e após publicações que associaram a administração municipal às movimentações.
Segundo a prefeita, o governo reconhece o SisemBC como interlocutor legítimo das pautas dos servidores e não participou de qualquer discussão para criação de uma nova entidade.
“O governo nunca apoiou a criação de um novo sindicato. Já existe um sindicato formalizado no município. Não faz sentido dizer que nós apoiaríamos a criação de outra entidade”, afirmou.
A prefeita também rebateu referências ao chamado “Sindigov”, termo que circulou recentemente nas discussões envolvendo a categoria.
“Isso nem existe. O próprio sindicato (SisemBC) esteve comigo e explicou que foi um nome fantasia criado por eles dentro desse contexto. Acabaram envolvendo o poder público numa situação que não tem nada a ver conosco”, disse.
Governo cita avanços construídos com o Sisembc
Durante a entrevista, Juliana argumentou que a relação entre a prefeitura e o Sisembc tem resultado em avanços para os servidores desde o início da atual gestão.
Ela citou a criação de uma mesa permanente de negociação e de um comitê de diálogo entre governo e sindicato, utilizado para discutir pautas históricas da categoria.
Entre os exemplos mencionados pela prefeita estão a adequação ao piso nacional do magistério, os estudos para revisão do Plano de Cargos e Carreiras (PCCR), o auxílio assiduidade e as tratativas relacionadas ao pagamento da insalubridade devida aos profissionais que atuaram durante a pandemia da Covid-19.
“Se tudo isso foi construído junto com o sindicato, por que o governo iria apoiar outro? Não faz sentido. Nós avançamos em diversas pautas justamente através desse diálogo”, afirmou.
Juliana lembrou ainda que participou de assembleias promovidas pela entidade e que novas pautas continuam sendo debatidas em conjunto.
Segundo ela, inclusive nesta semana foram apresentadas novas minutas de projetos de lei que seguem em discussão entre prefeitura e representantes do SisemBC.
Reunião com o sindicato ocorreu nesta semana

Na quinta-feira (28), um dia antes da entrevista ao Página 3, Juliana recebeu em seu gabinete o presidente do SisemBC, Valdir Lolli, e a vice-presidente da entidade, Mariza Zerbato.
O encontro ocorreu justamente para discutir os recentes desdobramentos envolvendo a criação do novo sindicato e esclarecer o posicionamento da administração municipal.
Durante a conversa, a prefeita reafirmou que o governo não participou de qualquer deliberação relacionada à criação de uma nova entidade sindical e que o canal institucional de negociação permanece sendo o Sisembc.
“Não vejo necessidade”
Questionada sobre sua avaliação em relação à criação de um novo sindicato, Juliana afirmou não enxergar necessidade para uma nova entidade representativa no município.
“Eu não vejo necessidade de criar um novo sindicato de servidores em Balneário Camboriú. Existe um sindicato legítimo e existe a associação representativa do magistério (Associação de Professores e Especialistas de Balneário Camboriú – APROBC) e o diálogo sempre aconteceu”, disse.
A prefeita também demonstrou preocupação com uma possível fragmentação da categoria.
“Eu acho que isso acaba criando uma divisão num momento em que precisamos de união. As pautas que estamos construindo são para todos os servidores, não apenas para sindicalizados. Se houver divisão, quem perde é o servidor público”, afirmou.
“É uma decisão que compete a eles”
Apesar disso, Juliana ressaltou que cabe aos próprios servidores decidir sobre a criação ou não de novas entidades representativas.
“O que eu não posso impedir é que os servidores conversem sobre isso. Essa é uma decisão que compete a eles. O que eu não posso admitir é a afirmação de que o governo está criando ou apoiando um novo sindicato. Isso nunca existiu”, declarou.
Ao final, a prefeita reforçou que a administração municipal pretende manter as negociações em andamento com o SisemBC e continuar discutindo pautas consideradas prioritárias para os servidores municipais nos próximos meses.

