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Brasileiro é líder do agro e maior pagador de impostos no Paraguai

No início dos anos 1990, o engenheiro agrônomo José Marcos Sarabia, 60, conheceu o Paraguai de forma despretensiosa, ao fazer uma palestra. Viu ali a oportunidade de empreender na área e, hoje, é o maior empresário do agronegócio no país vizinho.

Essa trajetória está contada no livro autobiográfico Sementes de Sucesso, lançado sexta-feira (15) e que mostra como ocorreu a investida no Paraguai, marcada pelo avanço de empresários e produtores brasileiros.

O país é o principal comprador e foi destino de 30% das máquinas agrícolas exportadas por indústrias brasileiras em 2023, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

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Boa parte das aquisições foi feita por fazendeiros brasileiros que investem no país vizinho, visto como uma espécie de extensão de Mato Grosso, e a estimativa de produtores é de que brasileiros dominem mais de 70% das terras agricultáveis no Paraguai.

No livro, cujo prefácio foi escrito pelo presidente paraguaio, Santiago Peña, do partido Colorado, Sarabia conta sua trajetória desde a infância em Ibiporã (PR). Vivia no sítio Santa Paula com a família agricultora, de onde obtinha o sustento com a produção de café. Logo após se formar, começou a atuar no setor e fazia bicos para aumentar a renda.

Foi assim que, aos 29 anos, viu no Paraguai a possibilidade de ser empreendedor na distribuição de insumos agrícolas.

Vendeu o apartamento que tinha em Londrina por US$ 20 mil (cerca de R$ 100 mil) e foi para o Paraguai montar seu negócio com seu irmão caçula, Paulo. Para se locomover, usava um Fusca 1969.

Os números mostram que a aposta foi certeira. O grupo lidera a produção de defensivos agrícolas e a comercialização de insumos e grãos e foi o maior pagador de imposto de renda no Paraguai em 2022. Também atua na Bolívia e no Brasil.

Juntas, as empresas geridas por ele e seus irmãos —Agrofertil (2ª no ranking), Tecnomyl (11ª) e Agropecuaria Campos Nuevos (35ª)— pagaram o equivalente a R$ 114 milhões em imposto de renda, conforme o Ministério da Fazenda, superando estatais, bancos e empresas de petróleo.

“Sou o maior empresário do agro do Paraguai. Eu tenho mais ou menos 25% do mercado de insumos, 2.000 funcionários, 300 agrônomos que trabalham comigo hoje e mais de 700 funcionários de nível superior”, disse Sarabia à Folha, ao listar em números o que seu negócio representa.

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O empresário inaugurou na quinta-feira (14) a IBS (Indústria de Processamento de Sementes) da Agrofertil, em Hernandarias, distante 67 quilômetros de Ciudad del Este, onde ele mora.

A empresa é, segundo o governo paraguaio, a maior e mais moderna indústria de sementes do país, com 14 mil metros quadrados de área.

Santiago Peña, que participou da inauguração, disse que o ato era um “marco histórico”. “Comemoramos a instalação da primeira indústria automatizada de sementes no Paraguai. Este é um passo muito importante no desenvolvimento produtivo do Paraguai. Por isso a gente diz aos produtores, aos trabalhadores agrícolas, o Paraguai está de pé, o campo é forte, e tem um governo que vai apoiar e acompanhar o campo para que o campo continue produzindo alimentos para o Paraguai e alimentos para o mundo”, disse.

Segundo o empresário, “tem coisas que é difícil de você explicar”, quando questionado sobre o que fez para enxergar um mercado até então não visto por outros empresários.

“Sou um cara muito simples, de origem humilde. E trato de entender que eu acho que foi uma coisa que eu conquistei com muito trabalho, trabalhando com persistência, e que agradeço muito a Deus por isso. Trato de seguir isso com meus quatro filhos, um dos principais motivos de eu fazer um livro foi a sucessão, quero preservar os valores que eu construí e que meu pai passou para nós.”

Sarabia se emocionou na entrevista ao relatar que foi diagnosticado com Covid-19 em 18 de março de 2020, três semanas após a confirmação do primeiro caso no país e quase um ano antes de a vacinação começar. Foi o primeiro paciente entubado em Foz do Iguaçu.

“Fiquei nove dias entubado, 17 dias na UTI, ‘morri’ três ou quatro vezes e voltei. Então quando voltei foi um incentivo a mais para falar [da sua história]”, disse. Naquele ano, o grupo doou R$ 540 mil para um hospital da cidade atender pacientes com a doença.

POLÍTICA NO MERCOSUL

Sarabia disse que Peña está fazendo um “belo governo” no Paraguai e avalia que o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é “o contrário”, e que o país precisa ser administrado como uma empresa.

“Está demonstrando no começo do governo que não tem controle de gastos. Nós estamos vendo diariamente notícias de déficit, que gastou mais, que as estatais que davam lucro já não dão mais lucro.”

Além dos negócios no Paraguai, no Brasil e na Bolívia, também investiu numa fábrica na Argentina entre 2007 e 2014, quando decidiu deixar o país no governo de Cristina Kirchner após ter investido US$ 40 milhões.

“As regras, as coisas que eles foram criando, era tão difícil, tão difícil, que saí de lá. As pessoas, às vezes, não têm ideia do que pode acontecer no futuro quando o governo toma ações ruins para a sociedade.”

Foi, em sua avaliação, o que aconteceu na Argentina. Por isso, afirma não se arrepender de ter deixado o país. “Fiz grandes negócios para chegar onde eu cheguei. O maior negócio que fiz foi ter saído da Argentina.”

MADE IN BRAZIL

A investida de Sarabia no agronegócio do Paraguai não foi isolada. O país é atualmente o principal mercado para exportações de máquinas agrícolas brasileiras, com 30% do total e um faturamento de US$ 195 milhões, seguido por Estados Unidos (15%) e Bolívia (9%).

O desempenho mostra uma forte inversão em relação a quatro anos antes, quando a Argentina liderou a lista de compradores, com 36% (US$ 132 milhões). O Paraguai respondia então por 16%, na terceira posição. No ano passado, a Argentina foi somente a sexta principal compradora, com 5%.

Alexandre Bernardes de Miranda, vice-presidente da Anfavea e executivo de relações institucionais da CNH Industrial, disse na apresentação dos dados da associação que o Paraguai tem se mostrado ao longo dos últimos anos uma potência agrícola, graças a investimentos de paraguaios e brasileiros. Afirmou ainda que, como o país é vizinho de Mato Grosso, “o que se produz em Mato Grosso pode produzir no Paraguai”.

“Na questão de grãos, é muito forte. Tanto de soja como de milho. As máquinas brasileiras, o desenvolvimento das máquinas aqui, a agricultura tropical, nós somos líderes, nós exportamos para inúmeros países, porque nós temos a plena capacidade dessas máquinas de atender ao público de modo geral. No Paraguai não é diferente.”

Sarabia disse que os brasileiros que foram para o Paraguai foram “muito bem recebidos” no agro local e que o domínio não está somente nas terras em produção, mas em outras frentes de negócios.

“Atualmente, aproximadamente 75%, talvez até 80%, das terras agricultáveis no Paraguai são de brasileiros. O negócio agrícola no Paraguai é dominado por brasileiros. Na parte de comércio e insumos, que é o nosso negócio, também é 80% dominado por empresas em que o dono é brasileiro, assim como eu sou. O agro do Paraguai foi dominado pelos imigrantes. Brasileiros, alguns alemães, japoneses, ucranianos, mas predominantemente brasileiros.”

Embora a indústria inaugurada quinta fique na região de Ciudad del Este, os negócios do grupo estão pulverizados pelo Paraguai, como 25 unidades de beneficiamento de grãos. A comercialização média anual é de 1,8 milhão de toneladas.

Depois de investir no Paraguai, Sarabia voltou os olhos para o mercado brasileiro em 2017, quando passou a investir em defensivos agrícolas e disse ter previsão de faturar R$ 2,5 bilhões neste ano.

SEMENTES DE SUCESSO

– Preço R$ 47 (176 págs.)

– Autoria José Marcos Sarabia

– Editora Matrix

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS)

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