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Pandemia ‘explodiu’ a demanda do programa Abraço à Mulher: mais de 11 mil atendimentos em 2020 e 2021

Pedágio neste sábado vai alertar sobre este triste cenário

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“Com a pandemia subiu assustadoramente a procura pelo Abraço à Mulher. A partir de conversas com as mulheres e em pesquisas que fazemos, constatamos que essa violência existia, mas foi exacerbada agora pela proximidade, confinamento, convivência, pelo relacionamento familiar maior, mais intenso, as crianças em casa sem aula, falta de dinheiro, de emprego, o medo, tudo isso somado…parece que a violência surgiu tipo um vulcão”.

(Divulgação/PMBC)
(Divulgação/PMBC)

A afirmação é da secretária da Inclusão Social, Christina Barichello, que demonstrou preocupação com o cenário atual. Este é um dos motivos que levou a Secretaria que comanda a realizar o ‘Pedágio do Abraço à Mulher’ neste sábado (28), em alusão a campanha do Agosto Lilás.

O pedágio tem a finalidade de conscientizar as pessoas sobre esta realidade da violência contra a mulher, que sempre existiu mas que vem extrapolando os índices desde que a pandemia começou. A equipe do Abraço à MUlher estará na Alvim Bauer esquina com Avenida Brasil, a partir das 10h, distribuindo material informativo.

O homem também precisa ser tratado

O Abraço à Mulher foi criado em 2019 e até meados de agosto deste ano realizou mais de 14 mil atendimentos. Este ano a média de atendimentos nunca baixou de 700 por mês.

Christina que é psicóloga considera o apoio e o acompanhamento que a equipe multidisciplinar oferece no Abraço à Mulher, é muito interessante e demais importante.

“Primeiro a conversa. Depois o acompanhamento da mulher desde ir na delegacia, até tomar uma atitude. Às vezes os técnicos ficam 2h, 3h, uma tarde inteira, esperando a mulher ter coragem de entrar na delegacia para fazer a denúncia, pedir medida protetiva. Muitas vem fazer a denúncia e depois se arrependem e com toda esta experiência, entendemos que é o momento de começar a tratar o homem também”, disse.

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A Secretaria está montando grupos terapêuticos para tratar o homem agressor e assim evitar que ele continue agindo desta forma.

“Não adianta só terminar o relacionamento, a mulher ter medida protetiva e se afastar daquele homem. Ele vai encontrar outras mulheres, vai ter novos relacionamentos e vai repetir o padrão da violência, porque é algo que está dentro dele”, segue a secretária.

O homem agressor pode ter sofrido violência, ter algum distúrbio, ter doença mental, pode estar usando álcool, entorpecentes e um destes fatores ou o conjunto deles pode resultar em ‘descarregar’ sua agressividade na mulher, nos filhos.

“Percebemos muitas vezes que a mulher não quer se separar, ela só não quer mais apanhar. Por isso o Abraço à Mulher está trabalhando em vários pontos: primeiro em defesa da mulher; depois se faz um mapeamento familiar e se percebe que há uma condição de resgate daquela relação e então colocamos o homem também para fazer o tratamento emocional, terapias, grupos terapêuticos e finalmente, ver se há possibilidade de resgatar esse relacionamento que era abusivo e continuar monitorando”, detalhou Christina.

Nestes dois anos de atendimentos, Christina diz que a avaliação é muito positiva.

“É um programa que vemos muito resultado, não só na mulher, também na família, porque as crianças sofrem, o ambiente de violência deixa aquela energia ruim pela casa, mesmo se o homem não agride os filhos, embora na maioria das vezes ele também agride os filhos, então é importante tratar estas pessoas e melhorar este ambiente para todos”, enfatizou.

O Programa

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O Abraço à Mulher presta apoio a mulheres que sofrem de violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. O atendimento oferece assistência jurídica, acompanhamento psicológico, encaminhamentos a rede de apoio e a grupos focais, para as mulheres acometidas de violência doméstica ou em vulnerabilidade social.

Caso você tenha sofrido um episódio de violência doméstica e precise de apoio psicológico, pode procurar o Abraço à Mulher.

  • O programa funciona 24 horas, inclusive nos fins de semana, via WhatsApp ou ligação telefônica pelo número: (47) 99982-1906.

Opinião

“Santa Catarina é o quinto estado com maior incidência”

Caroline Bassim Testa

“A violência doméstica é considerado um caso de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde e Santa Catarina ocupa o quinto lugar no país de maior incidência.

Cabe a nós enquanto governo fazer campanhas e criar politicas públicas como o Abraço à Mulher, na tentativa de reduzir o máximo possível o número de casos.

Por que esse aumento na pandemia?

São vários elementos a considerar, responsáveis por esse aumento. Um deles é a interconvivência familiar, as pessoas estão mais tempo dentro de casa e junto veio o aumento do uso de substâncias químicas, como o álcool, e isso desencadeou comportamentos violentos.

Também é importante salientar que o Abraço é um programa muito humanizado. Na demanda que recebemos ouvimos que uma das grandes dificuldades destas mulheres que vivenciam um contexto violento dentro de casa, têm dificuldade de ir à delegacia, denunciar e de falar com outros homens a respeito disso.

A partir da implementação do Abraço,  da divulgação do programa e das próprias mulheres falando entre elas, que criaram uma rede entre si e constataram que ter um local com uma equipe especializada, comprometida com a causa, um trabalho  municipal de rede, que envolve saúde, assistência social, MP, delegacia, escolas etc, elas começaram a se sentir mais seguras para denunciar e quebrar esse ciclo da violência que é tão dificil, por causa da dependência emocional, financeira e outros fatores.

Essa demanda já existia, mas está vindo à tona porque elas estão tendo esse amparo. Além de todo o atendimento às vítimas, o programa é um trabalho social. Depende da mulher esta denúncia, que outras pessoas que ouvem algo a respeito, também denunciem…

Ao longo desses anos estamos conscientizando que a violência não é apenas física, existem vários tipos de violência que precisam da nossa atenção e que fragilizam a mulher tanto quanto um soco. Às vezes até mais, como a violência psicológica, a moral, a financeira, sexual e aí sim a física.

O acompanhamento psicológico é apenas um  dos nossos trabalhos, temos uma equipe formada por mulheres, até para facilitar a identificação delas, acompanhamos estas mulheres no registro da denúncia, no pedido da medida protetiva, no tirar seus pertences de dentro de casa e quando necessário, temos uma parceria muito importante com a Ong Casa das Anas, onde as encaminhamos, quando elas não têm para onde ir. Outra parceria importante que temos é com a OAB que atende estas mulheres e também com as polícias civil e militar”.

  • Caroline Bassim Testa é psicóloga do Abraço à Mulher
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