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Balneário Camboriú
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Praia central precisará de mais salva-vidas na primeira temporada após o alargamento

Em decorrência do alargamento da faixa de areia, a praia central sofrerá temporariamente fortes mudanças na sua morfodinâmica, dentre elas buracos que possam oferecer riscos a banhistas, até o material se acomodar ao longo do perfil praial, o que pode demorar de meses até pouco mais de ano.

“Certamente é preciso reforçar a quantidade de salva-vidas para a temporada”, alerta o Oceanógrafo Fernando Diehl, diretor da ACQUAPLAN – Tecnologia e Consultoria Ambiental Ltda; fonte frequente do Página 3 para assuntos dessa natureza, que atuou na fase de projeto e agora na execução do alargamento.

Na realidade o novo perfil praial, após as obras de engordamento, será novamente estabilizado ao longo dos próximos meses dependendo da ação das forças da dinâmica praial.

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O alerta faz parte das respostas a uma série de perguntas formuladas pelo Página 3, respondidas por Diehl e por seu colega, o também oceanógrafo Dr. João Thadeu de Menezes, professor, cuja tese de doutorado foi “Balanço Sedimentar da Praia Central de Balneário Camboriú”.

Confira:

Página 3 – Um pessoal alega que perdemos faixa de areia, mas aparentemente isso não é verdade. Exceto pela restinga, a praia sempre teria sido estreita, a ponto de na década de 1970 já se falar em alargar.

Resposta – Estudos realizados por João Thadeu de Menezes (2008), em sua tese de doutorado, demonstram que a Praia Central de Balneário Camboriú não apresenta processos erosivos instalados. Na realidade, o projeto do alargamento objetivou, quando do licenciamento ambiental, e também quando das discussões que antecederam o plebiscito que discutiu o projeto do alargamento isso no início dos anos 2000, oferecer mais conforto à cidade de Balneário Camboriú, com outros serviços demandados pela comunidade. A dinâmica da enseada de Balneário Camboriú não impõe processos erosivos, mas observamos períodos de erosão (quando da ocorrência de ressacas) alternados com períodos de acréscimo de sedimentos. Portanto, o sedimento ali depositado nesta obra deverá permanecer na praia por longos e longos anos. O que está sendo feito em Balneário Camboriú hoje é uma “reclamação de terra” (termo extraído do inglês land reclamation), para dar mais conforto aos banhistas e moradores e não uma obra para conter processos erosivos da Praia Central. Apesar que alguns tentam repetir esta “falsa verdade”…

Página 3 – Houve tantos estudos sobre as condições do mar, procedimentos, mudanças que poderiam ocorrer. As jazidas foram estudadas. Ou não foram estudadas o suficiente?

Resposta – Sim, a jazida foi inicialmente identificada em 1997/1998 pelo Curso de Oceanografia da FACIMAR/UNIVALI, no projeto PADCT-III, que buscava possíveis jazidas para a alimentação das praias do litoral centro-norte de Santa Catarina. Neste projeto se descobriu duas grandes jazidas neste litoral: uma na Ponta da Vigia, em Penha (cujo sedimento foi utilizado em duas oportunidades para a alimentação da Praia de Piçarras), e a de Taquaras, em Balneário Camboriú. Posteriormente, durante o processo de licenciamento ambiental, diversos outros estudos foram realizados na jazida, podendo citar entre eles análise do sedimento superficial, análise geofísica, análise de testemunhos por jet-probe, testemunhagem por percursão, análise magnetométrica entre outros. Mas, dois grandes estudos complementares foram realizados, um contratado pelo então Prefeito Rubens Spernau, executado pela empresa CB&I, e outro mais recente, por exigência do último licenciamento, conforme recomendado pelo EIA/RIMA e exigido pelo IMA/SC. Este novo levantamento foi licitado em 2019 e executado pela empresa SLI. Ambos estudos detalharam a jazida atualmente utilizada para o projeto de Balneário Camboriú.

Pergunta – A areia nessa fase tem péssimo aspecto. Com sua experiência, quanto demora para ficar mais parecido com praia?

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Resposta – Na verdade, o aspecto da areia não é tão ruim assim, o que temos neste momento é uma areia úmida e compacta, que deverá ter sua cor alterada à medida que for secando, e sendo lavada com a chuva e a ação da dinâmica do mar, tendendo a ficar mais parecida com o sedimento natural da praia. Na realidade, a maior preocupação seria termos uma alta concentração de material fino. Este sim quando em altas concentrações dá a coloração mais escura da areia… juntamente com alta carga de matéria orgânica. Mas os dados que estamos obtendo da areia que vem sendo dragada, e utilizada no projeto, é de baixa concentração de material fino, e pouco material orgânico. Diariamente fazemos a coleta de amostras do material que é trazido pela draga.

Página 3 – Quanto tempo demora para a areia “melhorar”… porque a dragagem vai terminar na primeira quinzena de novembro… em cima da temporada.

Resposta – A acomodação da nova praia, o estabelecimento deste novo perfil praial, irá ocorrer no decorrer do tempo e claro, é diretamente dependente das condições hidrodinâmicas do mar. Acreditamos que o estabelecimento do perfil praial desejado, de acordo com as características do tamanho do sedimento utilizado, será no prazo de até um ano no mínimo. Mas, claro, dependerá da dinâmica a que a praia for submetida. Quanto à cor a mesma coisa, serão chuvas e chuvas, e o mar atuando e espraiando sobre a praia, o sol agindo…

Página 3 – Para virar uma praia “boa e segura” de novo vai demorar um ano?

Resposta – Segura, muito tempo antes, pois estamos tratando de uma praia localizada em uma área hidrodinamicamente protegida; as ondas que incidem na enseada de Camboriu são de baixa energia. Os executores da nova praia, a JDN – Jan de Nul são sérios e experientes, e certamente estão preocupados em construirem uma praia segura. Os buracos, devem merecer todo o cuidado e atenção, precisamos redobrar os salva-vidas, pois a praia estará buscando o novo perfil de equilíbrio. Estes momentos iniciais, após a obra, requerem cuidados redobrados. O tempo e a dinâmica restabelecerão o novo equilíbrio da praia.

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