O retorno do grupo “Suas Cores”, promovido pela Secretaria de Assistência Social de Balneário Camboriú e voltado ao acolhimento da comunidade LGBTQIAPN+, repercutiu nas redes sociais do Página 3 nesta semana.
A retomada das atividades, realizada na quarta-feira (6), foi noticiada pelo jornal e acabou chamando atenção pela quantidade de comentários homofóbicos e críticas questionando a ‘necessidade’ do projeto.
Diante das manifestações, a Secretaria de Assistência Social reforçou que o grupo faz parte de uma política pública de acolhimento e proteção social, prevista inclusive em legislações e diretrizes do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
O secretário de Assistência Social, Dão Koeddermann, lamentou o teor de parte dos comentários publicados nas redes.
“Acho estranho pessoas criticarem esse tipo de ação do município. O Estado é laico e, inclusive, homofobia é crime. Somos veementemente contra. Fazemos política pública para todas as pessoas, independente de orientação sexual. O foco é proporcionar acolhimento, conhecimento e atenção, como qualquer outro grupo merece. Fico triste que a homofobia ainda aconteça, mas internet não é terra sem lei e nós estamos fazendo políticas públicas concretas”, afirmou.

O gestor do projeto, Abner dos Santos, explicou que o primeiro encontro teve caráter artístico e reflexivo, distante das interpretações distorcidas que circularam nas redes sociais.
“A fantasia criada por algumas pessoas é que o grupo vai ‘ensinar alguém a ser gay’, e não é isso. A ideia é promover, através de atividades artísticas, reflexões sobre identidade, trajetória e vivências pessoais”, explicou.
Segundo ele, o primeiro encontro foi dividido em momentos de apresentação e dinâmicas coletivas. Em uma delas, os participantes utilizavam um novelo de lã para se apresentar, compartilhar pronomes, interesses e construir conexão entre os integrantes.
Depois, o grupo realizou uma atividade de colagem artística para representar trajetórias de vida e experiências pessoais.
“Teve gente falando sobre sexualidade, identidade de gênero, mas também sobre imigração, vulnerabilidades e experiências pessoais. É um espaço de acolhida, para que cada pessoa compartilhe aquilo que consegue dar conta de compartilhar”, disse.
Abner também comentou sobre críticas relacionadas ao fato de o grupo ser exclusivo para a população LGBTQIAPN+ e destacou que ações segmentadas já fazem parte da rotina da assistência social.
“A assistência social é destinada a quem dela precisar. Existem grupos específicos para mulheres, homens, gestantes, pessoas com deficiência, imigrantes e vários outros públicos em situação de vulnerabilidade. O que chama atenção é que esse tipo de questionamento apareceu justamente quando o grupo é voltado à população LGBT”, pontuou.
Ele ainda afirmou que as reações acabam reforçando a importância da existência do projeto.
“Quando fazemos aula de português para imigrantes, ninguém comenta perguntando por que não existe aula de português para brasileiros. Mas quando surge um grupo para população LGBT, aparecem comentários dizendo que é exclusão. Isso acaba evidenciando ainda mais a necessidade de espaços como esse”, completou.

