A Universidade do Vale do Itajaí (Univali), o Porto de Itajaí e a Autoridade Portuária Federal assinaram, nesta segunda-feira (25), um convênio para realização de estudos técnicos para remover os destroços do navio Pallas, naufragado desde 1893 no canal de acesso ao complexo portuário.
A remoção é necessária para o aprofundamento do canal e para a operação de embarcações de até 366 metros.
Conduzido pela Univali, o trabalho terá prazo de 60 dias e investimento de R$ 310 mil. As atividades incluem inspeções subaquáticas, mergulho técnico, sondagens e análises estruturais que irão definir a metodologia de retirada da embarcação.
Os destroços do Pallas estão entre as boias 9 e 11, próximos à Bacia de Evolução nº 2, junto ao molhe norte, no lado de Navegantes. A estrutura impede o aprofundamento daquela área para 16 metros e limita a expansão operacional do complexo portuário.
Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a remoção do Pallas passou a ser uma das prioridades para o avanço das intervenções previstas no canal de acesso.
“Esse estudo organiza os caminhos técnicos para uma operação que o porto discute há anos. A retirada do Pallas é necessária para ampliar a capacidade de manobra e permitir a chegada de embarcações maiores”, afirma.
Engenharia subaquática e patrimônio histórico

O estudo será coordenado pelo diretor do Museu Oceanográfico da Univali, professor Jules Soto, pesquisador responsável por análises científicas anteriores sobre o naufrágio. Após a descoberta dos destroços, em 2017, durante dragagens para implantação da nova bacia de evolução, a embarcação passou a concentrar levantamentos técnicos e análises arqueológicas.
Em 2018, o Porto de Itajaí realizou levantamentos subaquáticos e encaminhou os resultados ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Desde então, a Univali acompanha os processos técnicos relacionados à área, considerando o domínio metodológico, científico e geográfico sobre a região do naufrágio.
O mapeamento realizado aponta que a embarcação se partiu ao meio. Estruturas metálicas e fragmentos de madeira permanecem distribuídos no leito submerso da área de evolução do canal. Os estudos agora contratados também deverão indicar procedimentos de destinação dos materiais encontrados, em articulação com o Iphan e a Marinha do Brasil.
A remoção completa do casco está estimada pelo Ministério dos Portos em cerca de R$ 23 milhões e deve ocorrer nos próximos dois anos.
Revolta da Armada
O navio Pallas pertencia à Companhia Frigorífica Fluminense e naufragou em novembro de 1893, durante a Revolta da Armada, movimento promovido por setores da Marinha do Brasil contra o governo do marechal Floriano Peixoto.
Ao tentar acessar o canal do rio Itajaí-Açu durante a noite, a embarcação colidiu contra uma pedra submersa na entrada da barra e afundou na região do atual molhe norte. Não houve mortes no naufrágio.
Fonte: Assessoria Comunicação Univali

